‘Pluralidade de vozes dentro do feminismo lança luz para uma sociedade mais diversa’, diz psicóloga

Amanda Morais, docente na UEL e doutoranda em análise do comportamento, identifica as diversas violências contras as mulheres (históricas e durante a pandemia) e aponta caminhos para a superação do patriarcado

Cecília França

A psicóloga Amanda Morais, mestra em análise do comportamento e docente na Universidade Estadual de Londrina (UEL), acompanha o impacto da pandemia na vida das mulheres de variadas óticas: em seus atendimentos clínicos, em suas pesquisas para o Doutorado em andamento e como militante da Frente Feminista de Londrina. Ela comenta que o confinamento, que obrigou muitas mulheres a conviverem mais com seus agressores, dificultando denúncias, também trouxe obstáculos à busca por autonomia financeira e à consequente saída de relacionamentos abusivos.

“Houve diminuição de oportunidades por conta dessa situação, então, prejudicou o desenvolvimento da construção de autonomia dessas mulheres”, comenta.

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“A violência doméstica é complexa, não tem somente a parte criminal”, avalia delegada da mulher

Em entrevista à Lume, Magda Hofstaetter fala sobre o impacto da pandemia nas denúncias e a importância de se mudar a cultura para superar o machismo e a violência contra as mulheres

Cecília França

Desde o começo da pandemia imaginava-se qual seria o efeito do isolamento necessário para conter a Covid-19 sobre os índices de violência doméstica. Fechadas em casa com seus agressores, e com acesso dificultado às delegacias, as vítimas teriam maior dificuldade para efetivar denúncias. Dados dos primeiros seis meses do ano comprovaram, em parte, esse temor. Nacionalmente, houve redução nos registros de ocorrências. Em contrapartida, as chamadas para o 190 da Polícia Militar aumentaram 4% e 8,5%, no Brasil e no Paraná, respectivamente.

Os dados foram apresentados ontem pela delegada adjunta da Delegacia da Mulher de Londrina, Magda Hofstaetter, em sessão virtual da Câmara de Vereadores alusiva ao Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, lembrado hoje (25). Em entrevista à Lume, um dia antes, a delegada falou sobre a situação na cidade.

“Assim como aconteceu no cenário nacional, aqui em Londrina também, no início da pandemia houve uma queda no registro de ocorrências, até junho (…) Porém, a gente não pode associar isso à não ocorrência da violência”, alerta. Os dados locais precisam ser solicitados à Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), que nos pediu de 20 a 30 dias para enviá-los.

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O patriarcado é um juiz

Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Em dezembro do ano passado ecoava pelo mundo inteiro o grito das mulheres chilenas que lutavam contra o machismo e a opressão estatal. Esse assunto, inclusive, foi tema desta coluna. Em um dos versos da música protesto, do grupo La Tesis, dizia assim: “O patriarcado é um juiz. Que nos julga por ter nascido.”

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