“Meu maior receio são os surtos intra-hospitalares”, diz médica de Londrina sobre Covid-19

Cintia Grion, intensivista no Hospital Universitário de Londrina, vê a cidade com estrutura suficiente para atender afetados pela pandemia, mas teme que aumento de casos entre profissionais de saúde limite atendimento

Cecília França

A pandemia do novo Coronavírus alterou a rotina da médica intensivista Cintia Grion, 55, de Londrina. Já aposentada como plantonista e dedicando-se quase exclusivamente à vida acadêmica, ela quadruplicou sua carga horária na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para atender ao aumento de demanda do Hospital Universitário (HU).

“O HU necessitou ampliar rapidamente o seu número de médicos plantonistas, e como tenho a formação específica e estava com tempo disponível, me voluntariei para aumentar minha carga horária dentro das UTIs na forma de plantão docente”, relata.

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A solidariedade que vem da Reforma Agrária Popular

por Adriana Medeiros Farias, Manoel Dourado Bastos e Rozinaldo Antonio Miani*

Fotos: Wellington Lennon e Igor de Nadai

Em tempos de barbárie provocada pela extrema e perversa exploração capitalista – agravada pela emergência de uma pandemia causada pelo novo coronavírus -, a mercantilização dos bens da natureza atingiu patamares inimagináveis e insuportáveis. O capital financeiro internacional avança e segue transformando tudo em mercadoria: a terra, a água, o ar, a vida. A destruição das florestas, a concentração e a estrangeirização da terra, a liberação dos agrotóxicos, a exploração dos trabalhadores e trabalhadoras do campo têm atingido níveis ofensivos com impactos destrutivos para a humanidade. Nesse contexto, o agronegócio, expressão máxima das políticas do latifúndio, emerge como a principal referência de atendimento aos interesses das burguesias nacional e internacional e procura se impor como o modelo de economia rural para o país.

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Para UEL, definição de áreas prioritárias para bolsas científicas fere a autonomia universitária

Universidade divulga manifesto contrário aos critérios estabelecidos em chamadas do CNPq baseadas em prioridades estabelecidas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia q

Cecília França

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) divulgou ontem manifesto contrário à definição de “Áreas Prioritárias” para a concessão de bolsas científicas no País. Estas áreas foram estabelecidas em portarias do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) no mês de março e já causaram reações de dezenas de entidades científicas (leia abaixo). As portarias embasaram as duas chamadas públicas divulgadas na última semana pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para bolsas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), que, para a UEL, ferem a autonomia universitária.

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Máscara de alta proteção criada por docentes da UEL pode solucionar falta do produto em hospitais

Projeto inovador da Máscara Azul A98 reutiliza material descartado e foi pensado, inicialmente, para suprir o Hospital Universitário durante a pandemia do Coronavírus

Cecília França

O pedido da reitoria da UEL para que o curso de Design de Moda desenvolvesse uma máscara de alta proteção para uso no Hospital Universitário (HU) chegou como um desafio, e o resultado foi inovação. A máscara Azul A98 consegue aliar proteção – por meio do material utilizado e do design – e sustentabilidade, uma vez que reutiliza o SMS (Spunbond Meltblown Spunbond), material descartado nos hospitais após o uso como embalagem cirúrgica. O objetivo inicial é suprir a demanda interna do HU, uma vez que a crise do Coronavírus levou à escassez de máscaras no mercado.

A enfermeira e docente da UEL Danielly Negrão se interessou pelo SMS há algum tempo e, há seis meses, implementou o Projeto Muda, que coleta e separa o material no HU para a produção de bolsas e outros itens. Foi através deste projeto que a docente do curso de Design de Moda Thassiana Mioto conheceu o SMS e entendeu seu potencial para a produção das máscaras.

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Documentário resgata histórico de luta de trans e travestis em Londrina

Filme que será lançado hoje foi produzido por estudantes da UEL a partir de iniciativa do Coletivo ElityTrans

Cecília França

Travestis e transexuais de Londrina sempre enfrentaram um terreno hostil às suas presenças. Mas o enfrentamento desse preconceito levou à construção de uma história de militância resgatada, agora, no documentário “Meu amor, Londrina é trans e travesti”, produzido por alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) a partir de uma iniciativa do coletivo ElityTrans. O lançamento acontece hoje, às 19h15, na sala 678 do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA) da Universidade.

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Precariedade dos serviços públicos e desejo de mudar de vida estão no cotidiano das pessoas em situação de rua

Pesquisa POP Rua, realizada em Londrina, traz dados importantes sobre esta população e será apresentada nesta segunda (14) em Curitiba

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

O município de Londrina carecia de dados consistentes sobre sua população em situação de rua. Afinal, quantas pessoas compõem este grupo na cidade? Onde se acomodam? Que apoio recebem do poder público? Sem estas respostas a formulação de políticas públicas parecia inócua. Para levantar estes dados foi realizada a Pesquisa POP Rua, com a participação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), do Ministério Público de Londrina, da Defensoria Pública, do Centro Pop (Secretaria Municipal de Assistência), do Movimento Nacional dos Moradores de Rua e da Unopar. Os resultados foram apresentados localmente no final do mês de abril e hoje parte dos pesquisadores os apresentam em Curitiba, na sede do Ministério Público do Estado do Paraná (MPE).

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“A criminalização é um avanço, o difícil é a pessoa chegar a fazer a denúncia”, diz psicólogo doutor em violência de gênero

Para Alex Gallo, existe uma correlação entre o caminho trilhado pela violência contra a mulher até a provação da Lei Maria da Penha e o que se busca agora com a LGBTfobia

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

Integrantes da comunidade LGBT vítimas de violência não denunciam as agressões nem procuram ajuda, algo muito semelhante ao que acontecia – e, em muitos casos, ainda acontece – com mulheres agredidas antes da aprovação da Lei Maria da Penha, 13 anos atrás. A constatação é do psicólogo Alex Gallo, especialista em violência de gênero e professor do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desde 2010. Ele é o terceiro entrevistado do nosso Especial LGBTfobia.

Gallo acredita que a criminalização da LGBTfobia pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pode colaborar para uma mudança neste cenário, porque dá respaldo para as denúncias, embora ele tema uma dificuldade justamente na porta de entrada. Novamente, ele se baseia no que ocorre com as mulheres. Mesmo com uma lei as amparando, e o visível avanço, as dificuldades para denunciar persistem.

“Já ouvi vários relatos em que a mulher ouve, na própria Delegacia da Mulher, ‘Mas tem certeza que você quer fazer a denúncia, você vai prejudicar muito ele’, e ela acaba desistindo. Fazendo um paralelo, a criminalização (da LGBTfobia) é um avanço, dá a ideia de que a pessoa pode registrar uma ocorrência de um crime, mas o difícil é a pessoa chegar a fazer a denúncia”, pondera.

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