Ministro da Educação pode responder por declarações homotransfóbicas

Procuradoria-Geral da República sugeriu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que Milton Ribeiro preste depoimento à Polícia Federal; ação atende a pedido de entidades LGBTI+

Da Redação

Foto em destaque: postagem no facebook do grupo Mães pela Diversidade

Declarações dadas pelo ministro da educação Milton Ribeiro ao jornal O Estado de S.Paulo podem levá-lo a responder no Supremo Tribunal Federal (STF) por crime de homotransfobia. A Procuradoria Geral da República acatou pedido de entidades representativas da comunidade LGBTI+ e pediu à Suprema Corte que apure o caso, sugerindo, inicialmente, que o ministro seja ouvido pela Polícia Federal.

Em uma das falas que gerou a reação dos grupos pela diversidade o ministro classificou a homossexualidade como opção – quando o correto seria orientação -, disse que ela seria fruto de “famílias desajustadas” e usou o termo obsoleto “homossexualismo” (o sufixo “ismo” refere-se a doença e a homossexualidade deixou de ser considerada uma patologia pela Organização Mundial da Saúde em 1990).

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‘Sou uma sobrevivente’

Chris Lemes sofreu as violências de ser travesti na época da disseminação da Aids mas nunca desistiu de lutar para ser respeitada por ser quem é

Por Mariana Guerin, jornalista e confeiteira em Londrina. Adoça a vida com quitutes e palavras

Faço versos pro palhaço que na vida já foi tudo. Foi poeta, foi soldado, carpinteiro, seresteiro e vagabundo.” Os versos da canção “O Circo”, de Nara Leão, chegaram aos ouvidos de Christiane Lemes na voz de Elis Regina, a Pimentinha, apelido que tomou para si ao longo da vida atribulada como ativista contra a transfobia em Londrina.

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A realidade das mulheres trans na América Latina em pandemia

Universitária paranaense, Alessandra Mawu publica artigo sobre movimentos sociais, lutas e vulnerabilidades desta população no contexto da Covid-19

Cecília França

A pandemia do novo Coronavírus evidenciou desigualdades e agravou a realidade dos mais vulneráveis. Pessoas transexuais e travestis, altamente invisibilizadas, enfrentam uma série de violações de direitos humanos básicos mundo afora. Do intuito de jogar luz sobre a vivência desta população na América Latina e no Caribe no contexto da pandemia nasceu o artigo da estudante universitária Alessandra Mawu, 19, de Foz do Iguaçu, publicado pela revista colombiana Ciencias y Humanidades.

O artigo de 30 páginas, ntitulado “La realidad de mujeres transexuales y sus movimientos sociales en Sudamérica en tiempos de COVID-19” (A realidade de mulheres transexuais e seus movimentos sociais na América do Sul em tempos de Covid-19), discorre sobre os movimentos existentes nos países latinoamericanos, como surgiram, quais dificuldades enfrentam, que atitudes tomaram com a chega da pandemia a fim de preservar suas populações, dentre outras peculiaridades, existentes ou não pré-pandemia. A pesquisa sobre os países caribenhos acabou não integrando o artigo em função do espaço restrito, mas vem sendo destacada por Alessandra em outras oportunidades, como um curso que ministrou para a União Nacional LGBT.

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Militância luta contra vulnerabilidade da população trans e travesti

Grupo de Apucarana ampara comunidade T com mantimentos e informação durante a pandemia

Cecília França

No último dia 20 de junho, Renata Borges atravessou a avenida mais movimentada de Apucarana (a 54 km de Londrina) em cima de um trio elétrico rumo à prefeitura. Ao microfone, discursava em defesa dos direitos da população transexual e travesti, reduzida, em sua maioria, à condição de prostitutas. “Nós estamos cansadas de ser prostitutas”, bradava. “Nós queremos trabalho. Nós queremos discutir o uso do banheiro. É incrível que, em 2020, a gente ainda tenha que discutir acesso ao banheiro”, dizia, referindo-se ao banheiro público situado na rodoviária da cidade.

A situação de vulnerabilidade das pessoas trans e travestis é uma realidade altamente agravada pela pandemia do novo Coronavírus. Pesquisa do coletivo VoteLGBT – realizada entre 28 de abril e 15 de maio com mais de 10.000 integrantes da comunidade LGBTQIA+ do país – identificou o grupo como o mais vulnerável no atual contexto, próximo dos pretos, pardos e indígenas e dos bissexuais, mas ainda à frente.

“Quando chegou essa Covid foi de rasgar o coração, porque fecham-se as lojas, os comércios, a indústria, vai refletir lá na ponta, que são as prostitutas. Não tendo clientes, não tem o que botar na mesa”, conta Renata. As travestis ficaram desassistidas de mantimentos e de informação. A solução foi agir.

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Documentário sobre trans e travestis de Londrina chega a Congresso Internacional de Direitos Humanos

Artigo do Professor Reginaldo Moreira, aprovado para o evento, retrata o processo de construção do filme “Meu Amor, Londrina é Trans e Travesti”

Cecília França

Quando o desejo de Christiane Lemes de resgatar e registrar a história de luta da comunidade trans e travesti de Londrina encontrou a capacidade de criação do jornalista e professor Reginaldo Moreira, começou a nascer o documentário “Meu amor, Londrina é trans e travesti”. Lançado em 2019, após três anos de trabalho multidisciplinar com estudantes de graduação e pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e participação direta do Coletivo Elitytrans, o filme agora chega ao V Congresso Internacional de Direitos Humanos de Coimbra.

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“Nunca tivemos o fascismo longe das nossas vidas”, declara atriz e produtora cultural Mel Campus

Ativista dos direitos das travestis espera que a criminalização da LGBTfobia permita denúncias de agressões e violências

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

Mel Campus é uma força da natureza. Os gestos rápidos e a fala assertiva da atriz e produtora cultural foram construídos sobre uma história de dor e apagamento que ela reverteu em militância. A entrevista com ela inaugura o nosso Especial LGBTfobia.

Ativista dos direitos das travestis, Mel serve de inspiração para uma das populações mais privadas de direitos básicos entre os LGBT. Aos 43 anos, já superou em quase uma década a expectativa de vida desta população no Brasil, que se mantém em baixíssimos 35 anos. Tornar-se pública foi a saída encontrada por ela para reverter a violência que parece empurrar estes corpos dissidentes para a rotina de perigo e violência da prostituição.

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