Candidaturas trans batem recorde em 2020

Número de concorrentes no pleito municipal cresce 209% em relação a 2016

Da Redação, com informações da Antra

As eleições municipais de 2020 têm, ao menos 281 candidaturas de pessoas trans em todo o país, de acordo com levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). O número representa um crescimento de 209% em relação a 2016, último pleito municipal, quando foram identificadas 89 candidaturas, com oito eleitos. O levantamento segue em atualização.

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‘Sou uma sobrevivente’

Chris Lemes sofreu as violências de ser travesti na época da disseminação da Aids mas nunca desistiu de lutar para ser respeitada por ser quem é

Por Mariana Guerin, jornalista e confeiteira em Londrina. Adoça a vida com quitutes e palavras

Faço versos pro palhaço que na vida já foi tudo. Foi poeta, foi soldado, carpinteiro, seresteiro e vagabundo.” Os versos da canção “O Circo”, de Nara Leão, chegaram aos ouvidos de Christiane Lemes na voz de Elis Regina, a Pimentinha, apelido que tomou para si ao longo da vida atribulada como ativista contra a transfobia em Londrina.

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A realidade das mulheres trans na América Latina em pandemia

Universitária paranaense, Alessandra Mawu publica artigo sobre movimentos sociais, lutas e vulnerabilidades desta população no contexto da Covid-19

Cecília França

A pandemia do novo Coronavírus evidenciou desigualdades e agravou a realidade dos mais vulneráveis. Pessoas transexuais e travestis, altamente invisibilizadas, enfrentam uma série de violações de direitos humanos básicos mundo afora. Do intuito de jogar luz sobre a vivência desta população na América Latina e no Caribe no contexto da pandemia nasceu o artigo da estudante universitária Alessandra Mawu, 19, de Foz do Iguaçu, publicado pela revista colombiana Ciencias y Humanidades.

O artigo de 30 páginas, ntitulado “La realidad de mujeres transexuales y sus movimientos sociales en Sudamérica en tiempos de COVID-19” (A realidade de mulheres transexuais e seus movimentos sociais na América do Sul em tempos de Covid-19), discorre sobre os movimentos existentes nos países latinoamericanos, como surgiram, quais dificuldades enfrentam, que atitudes tomaram com a chega da pandemia a fim de preservar suas populações, dentre outras peculiaridades, existentes ou não pré-pandemia. A pesquisa sobre os países caribenhos acabou não integrando o artigo em função do espaço restrito, mas vem sendo destacada por Alessandra em outras oportunidades, como um curso que ministrou para a União Nacional LGBT.

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Documentário sobre trans e travestis de Londrina chega a Congresso Internacional de Direitos Humanos

Artigo do Professor Reginaldo Moreira, aprovado para o evento, retrata o processo de construção do filme “Meu Amor, Londrina é Trans e Travesti”

Cecília França

Quando o desejo de Christiane Lemes de resgatar e registrar a história de luta da comunidade trans e travesti de Londrina encontrou a capacidade de criação do jornalista e professor Reginaldo Moreira, começou a nascer o documentário “Meu amor, Londrina é trans e travesti”. Lançado em 2019, após três anos de trabalho multidisciplinar com estudantes de graduação e pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e participação direta do Coletivo Elitytrans, o filme agora chega ao V Congresso Internacional de Direitos Humanos de Coimbra.

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O nome dela é Afrodite

Nelson Bortolin
Matéria originalmente publicada na Revista Carga Pesada

Nunca é tarde para mudar. A caminhoneira Afrodite, de 69 anos, só foi assumir sua transexualidade aos 66. Por realizar atividade dominada por homens, campo fértil para o machismo, ela vem ganhando visibilidade. Já estrelou peça publicitária da Shell Rimula, deu entrevistas à imprensa e foi homenageada em junho numa audiência pública em alusão ao Dia do Orgulho LGBT, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em Cuiabá, onde mora.

“Eu não sou caminhoneiro que virou caminhoneira. Sou caminhoneira que estava presa no corpo de um homem”, disse ela à Revista Carga Pesada. Desde pequena, Afrodite – registrada como Heraldo de Oliveira Araújo – estranhava seu corpo. Queria ser igual às meninas. “Conforme fui crescendo, ficou pior. Não podia deixar o cabelo crescer, não podia usar isso nem aquilo”, lembra.

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