Projetos sociais sentem impacto da alta dos alimentos

Ativistas de Londrina relatam aumento na demanda por ajuda e maior dificuldade na obtenção de apoios; comida mais cara explica parte do problema

Cecília França

Foto em destaque: Isaac Fontana

A alta no preço dos alimentos durante a pandemia tem causado impacto em projetos sociais desenvolvidos na periferia de Londrina. Ao mesmo tempo em que a demanda por alimentos e outros itens básicos vem aumentando o número de apoiadores vem caindo. Uma consequência direta da crise. De acordo com pesquisa mensal coordenada pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Nupea), a cesta básica na cidade ficou R$ 65 mais cara de março até outubro.

O valor corresponde a um aumento de 15,8% no período. Em março, uma cesta para um adulto custava R$ 412,64; em outubro, R$ 478; para uma família de quatro pessoas o valor subiu de R$ 1.238 para R$ 1.434. Para efeitos de comparação, no mesmo período do ano passado o preço da cesta em Londrina caiu 13%. A pesquisa mensal é coordenada por economistas da Universidade Tecnológica Federal (UTFPR) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

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Solidariedade e união garantem festa das crianças na ocupação Marieta

Em meio à crise, moradores contam com doações para uma tarde de guloseimas e alegria

Cecília França

O cheiro de pipoca e cachorro-quente invadia o espaço onde mulheres da ocupação Marieta preparavam, desde cedo, os quitutes da festa do Dia das Crianças, comemorado ontem (12). Um bolo imenso, medindo mais de um metro, coberto com glacê e confeitos coloridos atraia os olhares. Sacolinhas de doces e livros clássicos aguardam em mesinhas para serem entregues às crianças.

Pela primeira vez aquele grupo de mulheres realizou uma festa para os pequenos da ocupação e justamente neste ano atípico, em função da pandemia. Crianças sem escola, muitos adultos sem emprego, receio do que virá com a queda no valor do auxílio emergencial. Doações de um coletivo da sociedade civil – representado na ocasião por Carlos Enrique Santana – e o empenho das mulheres garantiram a comemoração.

“É para a felicidade das crianças e da gente também”, diz a cozinheira Maria Lúcia. Desempregada desde o início da pandemia, Lúcia foi cedo para o fogão. Ela conta que estava prestes a ser registrada no emprego quando o vírus surgiu e veio a demissão. Agora, não tem perspectiva de conseguir uma nova colocação. “Não tem emprego”, afirma. Ela recebeu a doação de três cestas básicas como ajuda nos últimos meses.

Pâmela Aparecida era colega de Lúcia no mesmo restaurante e também foi demitida, um mês após o registro em carteira. Segundo ela, não conseguiu o auxílio emergencial nem o seguro-desemprego. As outras voluntárias, Maria de Fátima, Celma e Célia, também contam histórias de dificuldades. Todas concordam que a pandemia não deve passar tão cedo.

Em frente ao bar improvisado como barraca, as primeiras crianças chegam um pouto tímidas. Aceitam o refrigerante, recusam o cachorro-quente. “Chama todas as crianças lá debaixo”, diz Pâmela. Aos poucos o volume de pessoas aumenta e o clima de confraternização toda conta da rua.

Entre as mães, relatos sobre a falta que faz a escola na rotina dos filhos. Débora Araújo conta que a filha de 4 anos tem estado mais quieta e chorosa. “Ela chora, fala que quer as amiguinhas, a professora. Lá ela brincava, corria, em casa fica mais quieta”, lamenta a mãe. As atividades têm sido enviadas via WhatsApp, mas Débora nem sempre consegue acompanhar.

“Faço quando tenho crédito (no celular). Estamos duas semanas atrasadas”, conta. A filha de 5 anos de Regiane Lima também sente falta da rotina escolar, onde ficava meio período. “Ela sente falta dos amigos”, diz a mãe. A pequena Beatriz confirma: “Sinto falta de brincar”.

Com o filho mais novo, de 2 anos, no colo, Regiane diz que tem conseguido manter as atividades em dia, mesmo não sendo fácil. “Tem esse aqui que também quer atenção, mas estou conseguindo acompanhar”. O menino saboreia um picolé. “Os dentinhos estão nascendo e judiando, tia”, diz ela a mim, encenando uma fala do menino.

Depois da pipoca e do sorvete, uma fila de crianças se forma em frente à barraca para a distribuição do bolo. Os adultos também se deliciam. Na sequência, as voluntárias entregam os presentes: um saquinho de doces e um livro para cada. Na ocupação Marieta, a união deixou mais doce um momento de tantas dificuldades.

Precisamos falar sobre solidariedade

Por Naiara Cardoso Gomide da Costa Alamy*

Em meio ao sentimento de derrota que tem se manifestado de forma corriqueira e ordinária na vida brasileira, desde as primeiras semanas de março deste ano, quando foi necessária a instituição da denominada quarentena, assistimos de forma apática ao aumento da violência em âmbito doméstico.

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Terras repartidas que geram alimentos agroecológicos e solidariedade

Produção 100% agroecológica do acampamento Maria Rosa do Contestado, de Castro (PR), está entre as centenas de quilos de alimentos partilhados com quem mais precisa durante a pandemia da Covid-19

Por Carlos Marés, Thais Diniz Santos e Iara Sánchez Roman

Fotos: Théa Tavares

Muitas famílias tiveram a situação de vulnerabilidade social sobremaneira agravada com a pandemia que assola nossa sociedade. Não é só a enfermidade propriamente dita, mas a falta de trabalho, de moradia, de condições para suprir as necessidades mais básicas e que fazem faltar até alimentos para algumas pessoas. Nesses momentos de tragédia humana, onde a displicência e a especulação parecem dominar comportamentos e a realidade, felizmente também se manifesta a solidariedade.

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Coletivo apoia travestis e transexuais em vulnerabilidade social

Criado em Londrina, “Ubuntu – Sou porque somos” leva cestas básicas para público desassistido de políticas do governo

Nelson Bortolin

Apoiar travestis e transexuais em vulnerabilidade social durante a pandemia do novo coronavírus é o objetivo do Coletivo “Ubuntu – Sou porque somos”, criado em Londrina. Em parceria com a Secretaria Municipal de Política para Mulheres, o grupo arrecada e doa cestas básicas para essa parcela desassistida da população. “Em parceria com o projeto UEL solidária, também já fizemos doação de produtos de limpeza e higiene pessoal”, conta Vinícius Bueno, um dos integrantes do coletivo.

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A solidariedade que vem da Reforma Agrária Popular

por Adriana Medeiros Farias, Manoel Dourado Bastos e Rozinaldo Antonio Miani*

Fotos: Wellington Lennon e Igor de Nadai

Em tempos de barbárie provocada pela extrema e perversa exploração capitalista – agravada pela emergência de uma pandemia causada pelo novo coronavírus -, a mercantilização dos bens da natureza atingiu patamares inimagináveis e insuportáveis. O capital financeiro internacional avança e segue transformando tudo em mercadoria: a terra, a água, o ar, a vida. A destruição das florestas, a concentração e a estrangeirização da terra, a liberação dos agrotóxicos, a exploração dos trabalhadores e trabalhadoras do campo têm atingido níveis ofensivos com impactos destrutivos para a humanidade. Nesse contexto, o agronegócio, expressão máxima das políticas do latifúndio, emerge como a principal referência de atendimento aos interesses das burguesias nacional e internacional e procura se impor como o modelo de economia rural para o país.

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Movimento Solidário de Londrina vê inércia dos governos em atender mais vulneráveis à pandemia

Como reação, grupo formula documento em que pede a suspensão da cobrança de tributos e taxas, além de isenções, como transporte público para trabalhadores; manifesto já chegou à Presidência da República

Cecília França

Logo no início da pandemia do novo Coronavírus dois grupos humanistas de Londrina vislumbraram as consequências da crise e se uniram para dar apoio às populações mais vulneráveis. Assim nasceu o Movimento Solidário 2020, do qual fazem parte o MPAC-PAL (Movimento Popular Contra a Corrupção: Por Amor a Londrina) e o MNDH/PR (Movimento Nacional de Direitos Humanos- Paraná). Diante do que considera uma inércia do Poder Público nas três esferas, o Movimento solicita a suspensão da cobrança de impostos, taxas e contribuições enquanto vigorar o estado de emergência decorrente da pandemia. O documento com as propostas será protocolado hoje, às 14h, na Prefeitura de Londrina. Governos estadual e federal já receberam suas cópias.

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Movimento Nacional dos Direitos Humanos e apoiadores assistem famílias vulneráveis em Londrina

Mais de 400 famílias de ocupações, indígenas e estrangeiros já receberam doações de alimentos e produtos de higiene; arrecadações continuam

Rede Lume de Jornalistas

Um coletivo de humanistas, encabeçado por Carlos Enrique Santana, do Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH) está mobilizado desde o início da crise do Coronavírus a fim de minimizar o impacto para famílias mais vulneráveis de Londrina. O coletivo trabalha na arrecadação e doação de mantimentos e já assistiu mais de 400 famílias nas ocupações Flores do Campo, Aparecidinha, Marieta, Maristela e Cristal, além de indígenas e estrangeiros em situação de vulnerabilidade.

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Campanha arrecada mantimentos para detentas em Londrina. Saiba como ajudar

Cecília França

Advogados de Londrina estão promovendo uma arrecadação de mantimentos a serem doados para as mulheres encarceradas na região. As arrecadações seguem até o próximo dia 8 de março e a intenção é atender cerca de 400 mulheres.

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