“Qualquer crise arrebenta primeiro para as mulheres”, avalia socióloga

Especialista em feminismo e gênero, Silvana Mariano analisa as consequências da crise gerada pela pandemia do Coronavírus e as mudanças necessárias nas nossas relações sociais

Cecília França

Crises econômicas, sociais e mesmo políticas tendem a afetar primeiramente, e mais diretamente, as mulheres. As ações necessárias para o enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus já estão afetando o mercado de trabalho, as relações de cuidado e trazendo uma carga extra de dificuldades para mães, trabalhadoras, cuidadoras. A análise é da socióloga Silvana Mariano.

“Qualquer crise arrebenta mais fortemente primeiro para as mulheres. Imagino que nesse momento até mesmo o esgotamento em termos de saúde mental deve ser muito mais severo para as mulheres”, comenta.

Continuar lendo ““Qualquer crise arrebenta primeiro para as mulheres”, avalia socióloga”

Renda Básica de Cidadania: foi necessária uma pandemia?

por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Ao contrário do que fora ventilado nos últimos dias, o auxílio de R$ 600,00 a trabalhadores informais e autônomos não é nenhuma novidade e, muito menos, foi criado pelo governo genocida de Bolsonaro.

Primeiro, precisamos de um apanhado histórico para entendermos como chegamos até aqui. A renda básica de cidadania remonta do séc. XVI, quando foi ventilada pela primeira vez, de lá pra cá foi defendida por vários estudiosos, inclusive ganhadores do prêmio Nobel de Economia. A Renda Básica, neste viés, se mostra como uma importante ferramenta de desenvolvimento humano e diminuição de desigualdades sociais com efetiva distribuição de renda pelos governos.

Continuar lendo “Renda Básica de Cidadania: foi necessária uma pandemia?”

Em meio à crise do Coronavírus, pressão social leva renda básica ao Congresso

Câmara aprova pagamento emergencial de R$ 600 mensais a famílias de baixa renda, proposta bem superior aos R$ 200 sugeridos pelo Governo; sociedade civil pede ainda mais melhorias no Senado

Cecília França

Deputados aprovaram ontem (26) uma renda básica emergencial de R$ 600 para famílias de baixa renda enfrentarem a crise do novo Coronavírus. Mães chefes de família poderão receber duas cotas do auxílio, totalizando R$ 1.200. A aprovação do texto é o resultado de uma intensa mobilização social em torno da campanha “A renda básica que queremos”, que contou com apoio virtual de mais de 500 mil pessoas, além de parlamentares e personalidades. No dia da votação apoiadores utilizaram as redes sociais para sensibilizar os deputados com o uso da #RendaBásicaJá. A campanha foi coordenada pelos formuladores da proposta – dentre eles Rede Brasileira de Renda Básica (RBRB) e Nossas. Agora, os idealizadores esperam ampliar o alcance do auxílio no Senado, visando alcançar 77 milhões de brasileiros.

A votação no Senado deve acontecer na próxima segunda-feira e as organizações envolvidas já miram o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, nas redes para sensibilizá-lo. A proposta inicial da campanha era destinar R$ 300 mensais para cada membro das famílias atendidas, podendo chegar a um total de R$ 1.500, por seis meses. O texto aprovado pela Câmara aumentou o auxílio para R$ 600, limitando, porém, a destinação a no máximo dois membros da família e por três meses. São estes os dois pontos que os idealizadores ainda pretendem alterar.

Continuar lendo “Em meio à crise do Coronavírus, pressão social leva renda básica ao Congresso”