Me chame de Orfeu Negro ou Leão de Tsavo

Com dois heterônimos, Antonio Rodríguez, de 17 anos, denuncia racismo na poesia e escreve romance sobre adolescentes

Nelson Bortolin

O Antonio Rodríguez morreu. Agora me chame de Orfeu Negro, pois na veia corre sangue escravo. Aliás, me chame Leão do Tsavo porque valho bem mais que um centavo”. Com esses versos, o jovem Antonio Rodríguez, de 17 anos, apresenta suas duas personas poéticas. “O Leão do Tsavo traz toda a questão política, o racismo. Já com Orfeu Negro eu vou mais pela questão romântica, mais emocional, menos crítica”, conta ele referindo-se aos heterônimos que utiliza.

A cadência da maior parte das poesias, que podem ser lidas no perfil do Instagram a.poetizando.me., é a do rap. Mas Antonio, que é morador de Londrina, se aventura por outros estilos e, inclusive, está escrevendo um romance.

Além dos rappers como Emicida, suas influências são as mais diversas, incluindo Carlos Drummond de Andrade e Pablo Neruda.

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Cara gente branca

por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Em nossa última coluna abordamos a necropolítica do Estado, que mata os corpos indesejáveis e busca uma limpeza étnica e estética. Dissemos, quando Ághata foi assassinada em 2019 pela mesma polícia que assassinou João Pedro no mês passado, que tais mortes são fruto do racismo estrutural que permeia nossa sociedade e, sobretudo, o Estado.

Mas não é apenas o Brasil que sofre cotidianamente com o racismo. No último dia 25, um homem preto foi fria e violentamente assassinado por uma policial branco nos EUA. George Floyd foi sufocado até a morte diante das câmeras. Sua morte causou uma reação não vista desde o assassinato de Martin Luther King Jr., em 1968. Protestos eclodiram pelo país e pelo mundo, em um grito contra a violência policial e contra o racismo.

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