Cara gente branca

por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Em nossa última coluna abordamos a necropolítica do Estado, que mata os corpos indesejáveis e busca uma limpeza étnica e estética. Dissemos, quando Ághata foi assassinada em 2019 pela mesma polícia que assassinou João Pedro no mês passado, que tais mortes são fruto do racismo estrutural que permeia nossa sociedade e, sobretudo, o Estado.

Mas não é apenas o Brasil que sofre cotidianamente com o racismo. No último dia 25, um homem preto foi fria e violentamente assassinado por uma policial branco nos EUA. George Floyd foi sufocado até a morte diante das câmeras. Sua morte causou uma reação não vista desde o assassinato de Martin Luther King Jr., em 1968. Protestos eclodiram pelo país e pelo mundo, em um grito contra a violência policial e contra o racismo.

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A carne mais barata do mercado

*Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

“Nossas crianças sonha que quando crescer vai ter cabelo liso / Sem debater fatos, que a fama da minha cor fecha mais portas que zelador de orfanato” (Emicida)

Agatha tinha 8 anos, falava inglês, fazia balé e gostava das sextas-feiras – era o dia que seu pai lhe dava dinheiro para comprar lanche na escola. Agatha era uma menina feliz, como relataram seus pais e avô na última semana. Agatha não tinha consciência que nada disso importava, pois sua cor era um fator impeditivo, um fator socialmente negativo, o motivo que lhe tiraria a vida. Agatha foi covardemente assassinada pela PM do Rio de Janeiro, numa sexta-feira – o dia que tanto gostava. Ela voltava pra casa com a mãe.

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