O ser humano por trás da agressão

José Soriani, filmado sendo expulso com água da frente de um restaurante em Londrina, conta sua história à Lume

Cecília França

José Soriani nos recebeu de forma simpática na mesma calçada em que foi gravado sendo expulso com água da porta de um restaurante em Londrina. Ele não viu o vídeo que tanta reação social causou, contra e a favor da ação do comerciante. “Fiquei sabendo pelo pessoal”, diz, sem pedir para assistir. Parecia bem menos debilitado que na gravação. Os olhos avermelhados estavam vivos, a barba por fazer o incomodava. Faz uma referência rápida ao mau cheiro, teme que nos incomode, mas não reclama. “Eu tô bem, tô sossegado. Tranquilo e elegante”, fala com bom humor.

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Opinião: Ódio ao padre Júlio Lancellotti é ódio à população de rua

Por Cecília França, editora da Rede Lume de Jornalistas

Foto em destaque: Bruno Mazzoni

O padre Júlio Lancellotti, apoiador da população de rua em São Paulo há décadas, foi alvo de uma campanha de ódio iniciada por um pré-candidato à prefeitura da capital paulista na última semana. Em uma postagem, Arthur do Val o classificou como “cafetão da miséria” e deu a entender que teria um dossiê contra o sacerdote. Após a ameaça virtual, veio a real: um homem de moto passou na rua em que o padre presta atendimento aos moradores de rua e o xingou de “filho da p…” e “defensor de nóia”. Afinal, o que leva alguém a odiar o Padre Júlio Lancellotti?

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As muitas faces da população de rua

Em ato do MNPR em Londrina, pessoas em situação de rua mostram seus talentos, suas tristezas, desafios e necessidades

Cecília França

Ao microfone, Marciano fala: “Nós não temos oportunidade. Se tirar nós da Concha, nós vamos pra rodoviária; se tirar da rodoviária, nós vamos pra outro lugar. Não é desrespeito a autoridade, não é desrespeito a ninguém. A gente merece oportunidade, vamos lutar até o fim”. Roberson completa: “Faz uma casa popular por menos de 100 reais, eu pago. Eu sou morador de rua porque eu não tenho casa pra morar”.

Em alto e bom som Andrezza reivindica melhorias para as mulheres: “A gente tá entrando seis e meia da tarde (nos abrigos), saindo, seis, sete horas da manhã, pode estar chovendo ou sol. Pros homens tem integral, tem atividade dos abrigos, a gente tem que ficar na rua”. Emileide solta a voz com o hino gospel “Recomeçar”: “Preciso da tua mão, vem me levantar/ Faz-me teu servo Senhor, me livra do mal/ Quero sentir o teu sangue curar-me/ Agora, meu Senhor, vem restaurar-me“.

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Pessoas em situação de rua são tiradas de terreno para início da construção do SAMU

Em condições extremamente precárias, posto desativado abrigava pessoas há vários anos

Cecília França

Foto: Emerson Dias/NCom

O prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, anunciou na última segunda-feira (27) o início das obras da nova sede do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). O local, onde aconteceu a cerimônia – um antigo posto desativado na Avenida Dez de Dezembro – até poucas horas antes servia de abrigo para pessoas em situação de rua. As condições eram de altíssima insalubridade e vulnerabilidade.

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Mortes violentas de pessoas em situação de rua preocupam Movimento: “Crimes de ódio”

Em pouco mais de um mês, três homens foram encontrados carbonizados: dois no Paraná e um em São Paulo

Cecília França

No dia 14 de junho, o corpo de um homem de 60 anos foi encontrado carbonizado embaixo de um viaduto no Bairro Boqueirão, em Curitiba. Conhecido como Edivaldo, ele estava em situação de rua. Anteontem, em Foz do Iguaçu, outro homem, ainda não identificado, foi assassinado em frente a um mototáxi onde costumava dormir. Um suspeito foi preso por atear fogo nele. Outro caso semelhante ocorreu no fim de semana em São Paulo.

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Moradores denunciam retirada de pertences em operação na rodoviária

Cecília França

Pessoas em situação de rua que ocupavam o Terminal Rodoviário de Londrina reclamam que pertences pessoais foram levados durante a operação realizada no local na última quinta-feira. De acordo com os relatos, um caminhão da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) retirou o que havia ficado no saguão após a saída das Kombis com os que foram destinados ao abrigo. Eles reclamam do extravio de roupas, cobertores, colchões e até documentos pessoais.

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Operação na rodoviária mostra que não há solução simples para situação de rua

Dentre as 20 pessoas que foram encaminhadas para abrigos, nove já desistiram; quem não foi segue na rua e tenta reaver pertences levados na operação

Cecília França

Na manhã da última quinta-feira (2), pessoas em situação de rua foram retiradas do espaço onde se abrigavam no Terminal Rodoviário de Londrina em uma operação integrada das Secretarias Municipais de Saúde e Assistência Social. Dentre os que estavam no local no momento da abordagem, cerca de 20 aceitaram vagas em abrigos e os outros, não. Quem não estava presente no momento teve colchões, cobertores e roupas levados por um caminhão da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e busca reaver seus pertences.

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Coronavírus: isolamento é desafio necessário para proteger população de rua

Com saúde debilitada, reação deles à Covid-19 preocupa; Movimento avalia como positiva estratégia de abrigo do município

Cecília França

Levando-se em conta apenas o fator idade, pessoas em situação de rua em Londrina não seriam consideradas de risco para a Covid-19. A maioria tem entre 25 e 50 anos, de acordo com a pesquisa Pop Rua, divulgada no fim do ano passado, que identificou 930 pessoas nesta situação na cidade. No entanto, as condições de vida e de saúde a que estão submetidas preocupa órgãos públicos e representantes. Por isso, o município ampliou o número de vagas para isolamento, em parceria com a Arquidiocese, como forma de protegê-los.

A estratégia é considerada positiva por André Luís Barbosa, coordenador municipal do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR). “Se a nossa sociedade se precaver o vírus vai chegar menor à população de rua. Agora, se um ou dois tiverem contato, a gente não sabe como vai ser, porque eles não se alimentam bem, muitos fazem uso de drogas, têm problemas de bronquite, então, o sistema imunológico está debilitado. Com a sociedade se isolando, e eles também, um protege o outro”, avalia.

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Precariedade dos serviços públicos e desejo de mudar de vida estão no cotidiano das pessoas em situação de rua

Pesquisa POP Rua, realizada em Londrina, traz dados importantes sobre esta população e será apresentada nesta segunda (14) em Curitiba

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

O município de Londrina carecia de dados consistentes sobre sua população em situação de rua. Afinal, quantas pessoas compõem este grupo na cidade? Onde se acomodam? Que apoio recebem do poder público? Sem estas respostas a formulação de políticas públicas parecia inócua. Para levantar estes dados foi realizada a Pesquisa POP Rua, com a participação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), do Ministério Público de Londrina, da Defensoria Pública, do Centro Pop (Secretaria Municipal de Assistência), do Movimento Nacional dos Moradores de Rua e da Unopar. Os resultados foram apresentados localmente no final do mês de abril e hoje parte dos pesquisadores os apresentam em Curitiba, na sede do Ministério Público do Estado do Paraná (MPE).

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