Três meses após primeiro caso, Coronavírus avança em toda Londrina

Todos os bairros da cidade registram casos de Covid-19; confirmados chegam a quase 900 e mortes a 51

Prefeitura anuncia multas por desrespeito a normas de distanciamento, mas descarta fechamento do comércio 

Cecília França

Foto em destaque: Isaac Fontana

Em uma mensagem de voz, Maria me diz “Você viu que a coisa ficou feia aqui no Cincão?”. Acostumada com seus relatos de violência no bairro onde vive, na Zona Norte de Londrina, perguntei se tratava-se disso. “Não, é o ‘bichinho’ mesmo. Pegou feio por aqui”. O bichinho é o novo Coronavírus. A sensação relatada pela diarista Maria Loreci Sezinandi encontra justificação nos dados. A Covid-19 já chegou a todos os bairros de Londrina e os infectados passam a ser pessoas conhecidas, não mais apenas números.

“Tem uma senhora de idade que morreu essa semana aqui; uma mulher aqui debaixo também tinha pegado esses tempos, mas sarou”, conta ela. A disseminação do novo Coronavírus teve início nas áreas Central e Sul de Londrina. Assim como aconteceu no País, pessoas de classes mais altas foram as primeiras a contrair o vírus em viagens locais ou internacionais. Passados três meses do primeiro caso registrado na cidade, em 17 de março, o vírus já alcança todas as regiões e chega às periferias.

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Morte de Gabriel Sartori completa três anos e mãe pede resposta da Justiça

Com protesto silencioso, Cristiane Sartori quer evitar que o caso do filho, morto por um policial em 2017, caia no esquecimento

Cecília França

Cristiane Sartori estava no trabalho, por volta das 17h, no dia 15 de junho de 2017, quando recebeu a ligação: “O Gabriel levou um tiro e está agonizando”. Era a cuidadora de sua mãe, desesperada, do outro lado da linha, quem lhe dava a notícia. Cristiane voltou correndo para casa e quando chegou ao local da tragédia viu o filho caído no chão e um tumulto de moradores e policiais.

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A Marcha Antifascista pelas lentes de um humanista

Professor Ivo Ayres registra, em palavras e imagens, a manifestação pacífica contra o fascismo ocorrida ontem em Londrina

Aconteceu ontem a Marcha Antifascista em Londrina, assim como em várias outras cidades do País. Os organizadores estimam que entre 250 e 300 manifestantes participaram do ato, a maior parte usando máscaras, para reforçar a segurança contra a Covid-19, e mantendo, sempre que possível, uma distância segura. O professor Ivo Ayres, que já fotografou várias manifestações populares, esteve no Calçadão e compartilha com a Lume seus registros em texto e fotos.

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Coordenador do ‘Policiais Antifascismo’ no Paraná é alvo da PM

Aposentado aos 29 anos, Martel Alexandre del Colle defende publicamente uma nova forma de agir por parte das forças de segurança

Nelson Bortolin

O jovem curitibano Martel Alexandre del Colle, 29 anos, coordena no Paraná o movimento “Policiais contra o fascismo”. Ele foi aposentado pela Polícia Militar no ano passado, corre o risco de perder o benefício e ainda ser preso, pois é alvo de dois processos abertos pela corporação, um administrativo e um penal. Seu crime: fazer críticas públicas à instituição.

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“O que eu quero é evitar uma tragédia”, diz promotora em apelo contra manifestações

Susana de Lacerda teme que Marcha Antifascista contribua para acelerar contágios por Covid-19 em Londrina

Cecília França

A realização da Marcha Antifascista neste domingo (7) em Londrina é controversa em função da aglomeração, que pode acelerar os contágios pelo novo Coronavírus. A promotora de Saúde, Susana de Lacerda, alerta para o crescimento da curva de contaminação na cidade e o avanço do vírus para as periferias. Desde o início das restrições, Lacerda se posicionou favorável ao isolamento social.

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Grupos de extrema direita convocam para confronto com Marcha Antifascista em Londrina

Mensagens em redes sociais falam em conter antifas e conclamam integrantes do setor Judiciário e da Segurança a comparecerem armados ao ato no próximo domingo

Atualizada em 06/06 para inclusão da nota da CHD/OAB

Cecília França
Nelson Bortolin

Circulam em grupos de WhatsApp ligados à extrema direita em Londrina chamados para confronto com participantes da Marcha Antifascista, marcada para acontecer no próximo domingo (7). As mensagens às quais a Lume teve acesso ainda incitam integrantes a comparecerem armados – são citados, textualmente, juízes, promotores e policiais como potenciais portadores de armas no evento, a fim de conter os antifas, chamados de “galinha pretas”. Em tom fascista, o texto do que seria uma espécie de “convite”, acrescenta: “Não permitiremos nem pichação, a ordem é se identificar e prender em flagrante os desordeiros”.

Mensagem que circula em grupos fascistas de Londrina

A mensagem ainda alerta para a necessidade de manter o chamado em sigilo para “evitar infiltrados”. No início da tarde de ontem, a página Anonymous Londrina no Facebook também revelou prints de conversas de um grupo de WhatsApp intitulado Anti-baderna Londrina. A postagem mostra uma convocação do contato “Prf Santão Facho” para a gravação de um vídeo com o intuito de intimidar os manifestantes antes da Marcha.

“Vamos convocar os lutadores, jiujiteiros, policiais, empresários, todo mundo!!!!!”, diz a mensagem. Os interlocutores ainda discutem o ponto de encontro para a gravação do vídeo e o grito de guerra que seria usado. “O grito de guerra pode ser: esperamos vocês aqui!!! Brasil!!! Não recuaremos nem um passo!!!”, sugere o “Prf…”.

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Cara gente branca

por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Em nossa última coluna abordamos a necropolítica do Estado, que mata os corpos indesejáveis e busca uma limpeza étnica e estética. Dissemos, quando Ághata foi assassinada em 2019 pela mesma polícia que assassinou João Pedro no mês passado, que tais mortes são fruto do racismo estrutural que permeia nossa sociedade e, sobretudo, o Estado.

Mas não é apenas o Brasil que sofre cotidianamente com o racismo. No último dia 25, um homem preto foi fria e violentamente assassinado por uma policial branco nos EUA. George Floyd foi sufocado até a morte diante das câmeras. Sua morte causou uma reação não vista desde o assassinato de Martin Luther King Jr., em 1968. Protestos eclodiram pelo país e pelo mundo, em um grito contra a violência policial e contra o racismo.

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‘Exposed Londrina’ evidencia imensa subnotificação de crimes sexuais

Encorajadas por movimento nas redes sociais, jovens e adolescentes falam pela primeira vez sobre violências sofridas

Cecília França

Na última semana, relatos de violência sexual contra mulheres de Londrina inundaram a rede social Twitter. Usando a #ExposedLondrina, adolescentes e jovens expuseram casos de estupro, assédio, importunação sexual e pornografia de vingança, quase sempre de forma anônima. O movimento, que, no Paraná, começou por Curitiba e já alcançou cidades do interior, evidencia a imensa subnotificação dos casos de crimes sexuais.

Até ontem a hashtag já havia sido usado mais de 20 mil vezes no Twitter. No Instagram, a conta de mesmo nome, mas sem ligação com a original, acumulava quase 10 mil seguidores em apenas quatro dias. Tanto a Delegacia da Mulher de Londrina quanto o Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes) compartilharam postagens em que utilizam a hashtag.

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Covid-19: HU de Londrina integra pesquisa que pode encerrar dúvidas sobre a eficácia (ou não) da hidroxicloroquina

Hospital participa de estudo liderado por grandes instituições de saúde do País; resultados prometem encerrar debate sobre o uso da medicação

Cecília França

O Hospital Universitário (HU) de Londrina integra uma pesquisa nacional que pode encerrar as dúvidas sobre a eficácia ou não da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. O estudo é uma iniciativa do grupo Coalizão Covid Brasil, que recrutou cerca de 60 instituições hospitalares pelo País em tempo recorde. No HU, os processos de adesão e tratamento levaram apenas dois meses e os dez pacientes participantes já receberam alta.

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Coronavírus: brasileiros relatam experiências com a pandemia no exterior – Yona Ribeiro, Arábia Saudita

Brasileira relata rotina de distanciamento social na universidade Kaust, uma pequena comunidade de 7 mil pessoas à beira do Mar Vermelho

Cecília França

O Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos, terminou no último domingo de uma forma diferente na Arábia Saudita. Para evitar aglomerações e conter a proliferação do novo Coronavírus a monarquia saudita determinou lockdown de 24 horas no feriado, conhecido como Eid al-Fitr. A brasileira Yona Ribeiro, 36, acompanha tudo de Thuwal, cidade próxima a Jeddah, onde vive há pouco mais de um ano com o marido e a filha de quatro anos.

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