A dramática relação entre abuso sexual infantil e suicídio

Pesquisas comprovam maior ocorrência de comportamentos autodestrutivos entre vítimas de violência, uma realidade dolorosa que precisa ser enfrentada

Cecília França

No dia 7 de setembro, a psiquiatra forense Mariana Almeida fez uma postagem em seu Instagram intitulada “Violência sexual na infância e suicídio: qual a relação?”. A postagem ocorre no Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre o suicídio, e une duas temáticas extremamente sensíveis. No texto, a profissional cita duas pesquisas que comprovam esta triste relação. Uma delas mostra um acréscimo de 67% no risco de tentativas de suicídio entre as vítimas de abuso na infância.

“Os maus tratos na infância, incluindo o abuso sexual, configuram um importante fator de risco para transtornos mentais, como a depressão maior, transtorno de estresse pós-traumático, transtornos de ansiedade e transtornos relacionais a abuso de álcool e drogas. Consequentemente, o índice de suicídio aumenta”, diz a postagem da psiquiatra. Este estudo, intitulado Adverse Childhood Experiences (Experiências Adversas na Infância), de 1998, é considerado robusto, envolvendo mais de 13 mil participantes.

Em entrevista à Lume, Mariana explica que outro estudo coloca o abuso sexual infantil como fator de maior risco para suicídio que o histórico familiar. O artigo, publicado em 2019, é intitulado Differential impact of child sexual abuse and family history of suicidal behavior (Impacto diferencial do abuso sexual infantil e histórico familiar de comportamento suicida em pacientes suicidas de alto risco).

Perita oficial do estado do Rio Grande do Sul, Mariana detalha quais impactos os abusos podem causar no cérebro de crianças e adolescente. “Pesquisas mostram que acontecem mudanças neste cérebro em formação. Quando forem adultos eles vão entender qualquer estímulo diferente como nocivo, vão ficar na defensiva. Se não for feito um trabalho, se passar batido na época, há muita mais propensão a ter quadro de ansiedade, a ter ações suicidas já adultos, ficam mais vulneráveis a ter transtornos mentais…”, relaciona.

Em seus atendimentos, Mariana recebe casos de violência em geral, mas 90% se referem a abusos sexuais. Nas conversas aparecem os relatos de autoviolência. “É muito comum relatos de automutilação. Entra a questão do abuso e, às vezes, entra outros aspectos porque eles estão numa situação de desamparo muito grande. Já peguei casos de adolescentes dizendo que tinham pensado em suicídio, alguns que tinham cometido tentativas”, relata.

“A gente nota esse sofrimento muito intenso e muitas vezes a fala é ‘Queria dar um jeito de acabar com aquilo’.”

Mariana Almeida, psiquiatra

Como normalmente os abusos vêm acompanhados de ameaças, muitas vítimas acabam por não relatar as violências na época. A profissional defende que pais ou responsáveis mantenham um diálogo aberto com os filhos e estejam atentos a quaisquer mudanças de comportamento.

“As mudanças podem ser sutis e as pessoas podem atribuir a outras coisas. A criança ou adolescente começa a ficar mais irritado, mais arredio, às vezes mais sensível, choroso. Na escola começa a ficar com dificuldade de relacionamento com colegas e professores; podem aparecer brincadeiras mais sexualizadas, começar a fazer xixi ou cocô nas calças. São mudanças que podem sinalizar qualquer tipo de maus tratos, porque, infelizmente, não tem um quadro específico de abuso”, orienta.

Para a perita, as escolas são um espaço propício para se ensinar às crianças defesa corporal e como identificar abusos, encorajando-as a relatar a pais e responsáveis. Sobre a idade apropriada para se ter esta conversa, ela defende: “Não tem idade, mas linguagem adequada. Ensinar que o corpo não deve ser mexido, que não é qualquer tipo de carinho que é bem vindo, acho que tem como adequar para crianças pequenas, mesmo porque elas são vítimas também”.

Superação da dor

Em sua experiência clínica, o psicanalista Sylvio do Amaral Schreiner, de Londrina, vê o reflexo da violência sexual na infância destruir a vida de vítimas já adultas. “A gente vê que todas as pessoas que foram sexualmente abusadas têm comportamentos autodestrutivos, pode ser o suicídio, mas também pode ser de outras formas; a pessoa vai tendo uma insatisfação na vida. Ela pode fazer escolhas que vão fazer com que ela se sinta sempre para baixo, inadequada, inapropriada. Ela pode ter comportamentos compulsivos, como vício por álcool e drogas. Elas não estão mais vivendo. Apesar de hoje já não serem mais abusadas, estão se autodestruindo”, explica.

O psicanalista explica como uma criança, sendo um ser em formação, absorve um abuso. “Nossa mente não funciona de maneira lógica. Uma criança abusada não vai entender racionalmente que aquilo é um abuso, mas vai sentir na pele, vai ficar assustada, e geralmente o abusador vai ameaçá-la com frases como “Ninguém vai acreditar em você, ninguém liga para você”. E a criança vai acreditando que não vale nada e todas as ações dela no futuro serão para dizer ‘eu sou assim’. Para ela sair dessa posição ela precisa começar a ter uma nova identificação, encontrar pessoas que a tratem com respeito. Uma criança que foi abusada não foi tratada com respeito e a gente só aprende o que nos foi dado”.

“Tem que ser tratado. Essa marca tem que ser tirada dela. Uma ferida tratada logo vai se curar muito mais rápido do que uma que você deixa gangrenar”

Sylvio Schreiner, psicanalista

O fato de muitas vítimas esconderem os abusos por anos a fio se justifica como um mecanismo de defesa. No entanto, quanto mais cedo o fato for encarado, tratado e superado, maiores as chances da vítima reconstruir sua vida de forma digna. “Se for tratado ainda quando criança a reação dela vai ser muito mais rápida e eficiente. A criança vai entender que aquilo foi algo alheio a ela, que ela tem que se desapegar disso, com uma pessoa competente, que saiba ouvi-la, ela vai ter muito mais chance de carregar esse fardo por menor tempo”, finaliza.

Aos 30 anos, Código do Consumidor precisa entrar na era digital

Especialistas apontam que inserção de itens específicos sobre compras online é maior necessidade de atualização da norma

Fábio Galão, especial para a Lume

Norma que revolucionou a relação entre quem oferece e quem compra produtos e serviços no Brasil, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) completa 30 anos com o desafio de entrar na era digital. Especialistas são unânimes em apontar como principal demanda a inclusão de itens específicos sobre o e-commerce, modalidade de varejo que não existia em 11 de setembro de 1990.

Um estudo do Movimento Compre&Confie em parceria com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) mostrou que o faturamento do comércio online cresceu 56,8% de janeiro a agosto deste ano no Brasil na comparação com o mesmo período em 2019 e chegou a R$ 41,92 bilhões, reflexo direto da pandemia de covid-19.

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Média móvel de novos casos de Covid cai 28% desde 7 de setembro

Secretário da Saúde diz que só poderá afirmar se pandemia está arrefecendo em Londrina após reunião nesta terça-feira (22)

Nelson Bortolin

Londrina registrou 118 novos casos de Covid-19 e três mortes nesta segunda-feira (21). A média móvel diária de novos casos ficou em 116, número 28% menor que o de 14 dias atrás, no feriado de 7 de setembro, quando a média era de 162 novos casos diários.

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Alternativa para a atuação parlamentar, mandatos coletivos estão em alta

Modelo em que decisões são tomadas em grupo tiveram salto de sete para 98 candidaturas nas últimas eleições legislativas

Fábio Galão

As eleições municipais de novembro podem marcar o aprofundamento de um fenômeno político em alta: os mandatos coletivos e compartilhados. Trata-se de uma modalidade de atuação parlamentar em que o nome de um candidato aparece na urna eletrônica e na Justiça Eleitoral (que só permite registros individuais de candidatura), mas as decisões do mandato, como votos em comissões e em plenário e apresentação de projetos de lei, são tomadas por um grupo.

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Motoristas de aplicativos recebem alerta para evitar ‘favelas’ após morte de policial

Depois de circulação de áudio alertando para diligências da polícia, muitos profissionais preferiram não rodar esta noite

Cecília França

Após a execução de um policial militar na noite de ontem (14), na Zona Norte de Londrina, muitos motoristas de aplicativos decidiram evitar a periferia da cidade com receio de um enfrentamento entre criminosos e policiais. Durante o dia, circulou nos grupos de WhatsApp um áudio que alertava para a ação de policiais nas “favelas” e muitos motoristas preferiram não rodar na noite desta terça-feira. Com a escassez de carros, os preços da Uber chegaram a aumentar em quatro vezes, conforme prints enviados à reportagem.

Print enviado à reportagem mostra aumento nos preços das tarifas da Uber
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Londrina tem 5 mortes por Covid em 24 horas

O número de novos casos foi de 166, segundo boletim divulgado nesta terça-feira (15)

Nelson Bortolin

Depois de dois dias apresentando números baixos de óbitos e de novos casos, o boletim epidemiológico da Prefeitura de Londrina desta terça-feira (15) voltou a mostrar a gravidade da pandemia na cidade. Morreram mais 5 pessoas e foram registrados 166 novos casos. Os óbitos são de dois homens, de 47 e 81 anos, e de três mulheres, com 68, 79 e 82 anos. Segundo a Secretaria de Saúde, todos tinham comorbidades.

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Presos de Cambé mostram, em vídeo, superlotação da cadeia

Com capacidade para 32 presos, prédio abriga cerca de 180 pessoas

Cecília França

Oito meses após divulgarem um vídeo denunciando a situação precária da Cadeia Pública de Cambé, presos fazem nova filmagem de celas e pátio lotados. No vídeo, gravado no dia 11 de setembro, um dos presos narra a situação e pede a atenção da mídia e da sociedade: “Questão da superlotação: a unidade tem capacidade para 32 presos mas nós estamos em quase 180, aglomerados no pátio. Isso aqui é uma cadeia adaptada, não dá suporte odontológico, jurídico, médico, educacional, isso impossibilita total a ressocialização de uma forma adequada pra gente”, diz.

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Desemprego e pandemia: Londrina fecha mais de 7 mil postos de trabalho

Outros 37 mil trabalhadores tiveram contratos suspensos ou reduções de jornadas e salários

Cecília França

Desde o início da pandemia, no mês de março, até o final de julho, Londrina fechou 7.021 vagas de emprego com carteira assinada. Os dados são os mais recentes do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Comércio e serviços foram os setores mais afetados. O grande número de desligamentos se concentra no mês de abril, com saldo negativo de 3.867 vagas. O período coincide com o primeiro fechamento do setor produtivo, decretado pela prefeitura entre 20 de março e 20 de abril, em função da pandemia do novo Coronavírus. O primeiro caso na cidade foi confirmado em 17 de março.

De março a julho foram 18.573 admissões e 25.594 demissões na cidade. Apenas a agropecuária manteve saldo positivo de 17 vagas; todos os outros setores fecharam com queda (veja abaixo). Serviços teve o saldo mais negativo: 3.739 vagas a menos, com grande concentração nos segmentos de alojamento e alimentação (-1.415), entre os mais afetados pelo isolamento social decorrente da pandemia. Na sequência, aparece o setor comercial com a maior perda de vagas: -2.077.

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AML pede aos médicos para alertarem sobre o pior momento da pandemia em Londrina

Em comunicado, entidade diz que isolamento social foi de apenas 35% na cidade na primeira semana de setembro

Da redação

Com apenas 35% de isolamento social na semana de 1 a 7 de setembro, Londrina vive o pior momento da pandemia do novo coronavírus. São 211 óbitos e 7.829 infectados até o momento. Pessoas com idade entre 20 e 39 anos representam 43% da população de infectados na cidade. Preocupada com dados como esses, a Associação Médica de Londrina (AML) divulgou um alerta aos associados neste domingo (13) intitulado “O alerta vermelho para a pandemia em Londrina”.

“A AML solicita o apoio de médicos associados para que compartilhem com familiares, conhecidos, pacientes e a comunidade em geral, informações e dados da Secretaria Municipal da Saúde, assim como avaliações e ponderações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (Coesp), sobre o período crítico da pandemia na cidade e a importância em respeitar as medidas sanitárias municipais que visam manter as condições para internamentos (em número de profissionais e de leitos disponíveis para atendimentos), e que também buscam inibir aglomerações e o aumento do contágio principalmente na faixa etária que apresenta, desde o início, o maior número de contaminados – pessoas com idade entre 20 e 39 anos, que representam 43% da população de infectados em Londrina”, diz o documento.

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‘Uma árvore tropical debaixo de um metro de neve’

Com seu ‘Mundo Sonoro’, a jornalista Janaína Ávila traz ao mundo o que sabe fazer de melhor: espalhar amor por meio da música

Por Mariana Guerin, jornalista e confeiteira em Londrina. Adoça a vida com quitutes e palavras

Sabe aquela amiga da amiga que fica sua amiga e você não sabe como nem quando se tornaram amigas mas têm a sensação de se conhecerem a vida inteira? Com a jornalista Janaína Liborio de Ávila, 44 anos, é assim. Ela abre um sorrisão quando te vê e te abraça forte, te fazendo sentir a pessoa mais especial do mundo naquele momento.E você sente um quentinho no coração que deixa seu dia mais feliz. “Sou meio passional por dentro”, se auto-define.

Além de distribuir carinho em forma de abraço ou postando fotos do céu de Londrina,  das plantinhas que embelezam seu apartamento na Avenida Paraná ou das peripécias da cachorrinha Odara, Janaína aproxima diferentes pessoas e culturas por meio da música. Ela apresenta toda sexta-feira, às três da tarde, o programa Mundo Sonoro, na Rádio UEL, desde os anos 2000 e este ano foi convidada a participar do Transglobal World Music Chart.

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