Polícia apresenta homem que confessou ter matado o jovem Hannan

Delegado-chefe da Polícia Civil não descarta homofobia como motivação para assassinatos

Foram duas mortes por enforcamento com cordão em menos de dez dias

Coletivo Movimento Construção e Mães pela Diversidade divulgam notas de pesar

Nelson Bortolin

Será apresentado nesta quarta-feira, às 9 horas, na sede da 10ª Subdivisão Policial, o homem que confessou ter matado o jovem Hannan Silva, 21 anos, cujo corpo foi encontrado nesta terça-feira (22), por volta das 13 horas, na Praça Rocha Pombo, no centro da cidade.

Ele foi morto enforcado por um cordão, da mesma forma que Fábio Abila, 49 anos, encontrado morto no Bosque Central, segunda-feira passada, dia 14. Abila foi visto pela última vez na Parada LGBT, realizada em Londrina, na véspera.

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“A criminalização é um avanço, o difícil é a pessoa chegar a fazer a denúncia”, diz psicólogo doutor em violência de gênero

Para Alex Gallo, existe uma correlação entre o caminho trilhado pela violência contra a mulher até a provação da Lei Maria da Penha e o que se busca agora com a LGBTfobia

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

Integrantes da comunidade LGBT vítimas de violência não denunciam as agressões nem procuram ajuda, algo muito semelhante ao que acontecia – e, em muitos casos, ainda acontece – com mulheres agredidas antes da aprovação da Lei Maria da Penha, 13 anos atrás. A constatação é do psicólogo Alex Gallo, especialista em violência de gênero e professor do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desde 2010. Ele é o terceiro entrevistado do nosso Especial LGBTfobia.

Gallo acredita que a criminalização da LGBTfobia pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pode colaborar para uma mudança neste cenário, porque dá respaldo para as denúncias, embora ele tema uma dificuldade justamente na porta de entrada. Novamente, ele se baseia no que ocorre com as mulheres. Mesmo com uma lei as amparando, e o visível avanço, as dificuldades para denunciar persistem.

“Já ouvi vários relatos em que a mulher ouve, na própria Delegacia da Mulher, ‘Mas tem certeza que você quer fazer a denúncia, você vai prejudicar muito ele’, e ela acaba desistindo. Fazendo um paralelo, a criminalização (da LGBTfobia) é um avanço, dá a ideia de que a pessoa pode registrar uma ocorrência de um crime, mas o difícil é a pessoa chegar a fazer a denúncia”, pondera.

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“Eu posso sair de casa de mãos dadas com alguém, mas na rua tenho que soltar”, diz Luana Cossentini sobre LGBTfobia

Idealizadora da Parada LGBT de Londrina comemora a criminalização pelo STF, mas teme retrocesso social

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

Quando cursava o mestrado em Londrina, a biomédica Luana Aparecida Cossentini, 27, procurou o serviço de saúde da universidade para uma consulta de rotina com um ginecologista. Ao entrar no consultório, relatou ao médico que se relacionava com mulheres. Foi o suficiente para que a consulta terminasse.

“Ele ficou comigo duas horas tentando mudar minha orientação sexual e, na época, eu só achei que ele era louco. Hoje olho para trás e penso quanto coisa eu poderia ter feito e não fiz por não saber que era crime ou não pensar em como poderia me influenciar no futuro”, contou ela à Lume, na segunda entrevista do nosso Especial LGBTfobia.

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O nome dela é Afrodite

Nelson Bortolin
Matéria originalmente publicada na Revista Carga Pesada

Nunca é tarde para mudar. A caminhoneira Afrodite, de 69 anos, só foi assumir sua transexualidade aos 66. Por realizar atividade dominada por homens, campo fértil para o machismo, ela vem ganhando visibilidade. Já estrelou peça publicitária da Shell Rimula, deu entrevistas à imprensa e foi homenageada em junho numa audiência pública em alusão ao Dia do Orgulho LGBT, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em Cuiabá, onde mora.

“Eu não sou caminhoneiro que virou caminhoneira. Sou caminhoneira que estava presa no corpo de um homem”, disse ela à Revista Carga Pesada. Desde pequena, Afrodite – registrada como Heraldo de Oliveira Araújo – estranhava seu corpo. Queria ser igual às meninas. “Conforme fui crescendo, ficou pior. Não podia deixar o cabelo crescer, não podia usar isso nem aquilo”, lembra.

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