Caso de mãe que perdeu a guarda do filho no Paraná mobiliza mulheres na rede

Paraguaia, Patrícia Garcia aponta preconceito étnico-religioso no processo; denúncia a acusa de negligência nos cuidados com o bebê

Cecília França

Há quase três meses, a paraguaia Patrícia Garcia, moradora de Foz do Iguaçu (Oeste do Paraná), divulga na internet sua luta para reaver a guarda do filho, retirado dela e entregue para o pai com pouco mais de 1 ano, ainda em fase de amamentação. Em seu perfil no Instagram ela tem mobilizado milhares de pessoas, especialmente mulheres, de várias partes do país em torno do caso. Um abaixo-assinado virtual que pede a reversão da guarda somava ontem 107 mil assinaturas.

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‘Picadeiro virtual’: Festival de Circo de Londrina tem programação inteiramente online

Evento começa hoje e segue até domingo (01) com apresentações de várias partes do mundo e debates sobre a importância social do circo

Cecília França

A arte circense não passou ilesa às demandas impostas pela pandemia da Covid-19 e precisou adequar sua linguagem ao mundo virtual. Por meio de parcerias, integrantes da Associação Londrinense de Circo (ALC) se capacitaram e estão ofertando toda a programação do 16o Festival de Circo de Londrina de forma online. A partir de hoje até domingo (01) serão exibidos, pelo YouTube, espetáculos de artistas de todo o mundo e debates sobre a importância social do circo.

A programação reúne apresentação inédita da troupe Aero Circus, espetáculo de circo feminista, reunião de ex-alunos da Escola de Circo de Londrina, entre outras atrações. Sérgio Oliveira, da ALC, conta que os parceiros do festival – Rede Circo do Mundo Brasil, Pluriverso e Cultivo Comunicação – foram essenciais para viabilizar a realização desta edição.

“Foi um desafio. A gente já tinha tido outras experiências online, mas não com o porte desse festival”, diz ele. “A gente está tendo que aprender a dominar várias tecnologias, coisas do audiovisual, tem feito muitas gravações em vídeo e editado, então é um território que estamos aprendendo ainda”. Por mais um ano, o festival acontece sem patrocínio específico e a ALC precisou fazer acrobacias com recursos de projetos já existentes.

“Isso tem gerado uma maior dificuldade pra gente poder ofertar uma programação de qualidade e até mesmo com uma dimensão maior que a internet propicia”, comenta Oliveira. Na edição passada, o festival envolveu entre 30 e 40 mil pessoas em todos os seus dias de atividades. Na internet, o limite simplesmente deixa de existir.

Confira a programação completa.

Para além das acrobacias

“A educação libertadora do circo” é o tema do debate que abre o festival, hoje, às 16h. A programação segue com uma roda de samba com grupos da Casa Bom Samaritano e Morada de Deus e finaliza às 22h com o Cabaré Virtual de variedades. A programação foi dividida por temas. Com o #CircoemPauta os organizadores pretendem abrir a discussão do circo para além do corpo.

“Ela traz o que algumas pessoas estão chamando de acrobacia mental. Muita gente acha que circo é só corpo, mas é muito mais que isso”, destaca Oliveira. Para ele, a classe artística, de forma geral, minimiza a importância da arte circense ao eleger como prioridade algumas áreas com maior aceitação social. “A gente sabe que existe uma visão distorcida do potencial civilizatório do circo, da capoeira, do hip hop, por exemplo. (Um reflexo disso) mesmo com 15 edições do festival já realizadas a gente não consegue atingir a grande mídia”, lamenta.

Para Oliveira, a pandemia traz a oportunidade de rever políticas públicas voltadas para as periferias, onde a ALC tem grande atuação. Além da Escola de Circo, fundada em 2004 na Zona Norte, a associação mantém projetos em parceria com a Secretaria de Assistência Social em que atende adolescentes, população de rua, idosos e crianças em situação de abrigamento. É a arte do circo ajudando a romper não apenas os limites do corpo, mas também os ciclos de vulnerabilidade.

Auxílio emergencial: antes, agora e depois

Benefício tirou 15 milhões de brasileiros da pobreza, mas redução em setembro e encerramento no fim do ano geram preocupação

Fábio Galão

Em setembro, o governo federal começou os pagamentos da segunda fase do auxílio emergencial, chamado residual, com parcelas no valor de R$ 300. Na primeira fase, quando o benefício era chamado de auxílio emergencial pleno, foram pagas parcelas de R$ 600. Principal medida do governo Jair Bolsonaro para mitigar os estragos econômicos da pandemia de covid-19 no Brasil, o auxílio foi o principal responsável pela melhora na avaliação do presidente e deve impedir que a recessão brasileira seja ainda maior em 2020.

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O ser humano por trás da agressão

José Soriani, filmado sendo expulso com água da frente de um restaurante em Londrina, conta sua história à Lume

Cecília França

José Soriani nos recebeu de forma simpática na mesma calçada em que foi gravado sendo expulso com água da porta de um restaurante em Londrina. Ele não viu o vídeo que tanta reação social causou, contra e a favor da ação do comerciante. “Fiquei sabendo pelo pessoal”, diz, sem pedir para assistir. Parecia bem menos debilitado que na gravação. Os olhos avermelhados estavam vivos, a barba por fazer o incomodava. Faz uma referência rápida ao mau cheiro, teme que nos incomode, mas não reclama. “Eu tô bem, tô sossegado. Tranquilo e elegante”, fala com bom humor.

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Entidade alerta ONU sobre falhas do Brasil no enfrentamento a desaparecimentos forçados

Instituto Vladimir Herzog enviou informes sobre esvaziamento da investigação de crimes da ditadura, celebração do regime militar e interpretação da Lei de Anistia que tem gerado impunidade

Fábio Galão, especial para a Lume

Durante a 45ª Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada virtualmente entre 14 de setembro e a última terça-feira (6), o Instituto Vladimir Herzog (IVH), de São Paulo, enviou informes para contribuir com o Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários e a Relatoria sobre Justiça, Verdade, Reparação e Garantias de Não Repetição do organismo multilateral.

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‘Tais cenas nos obrigam a nos deparar com aqueles demarcados como não humanos’, diz psicóloga

Vídeo de idoso em situação de rua expulso da calçada de um restaurante são metáforas de uma sociedade opressiva salientada pela pandemia, avalia Flávia Carvalhaes

Cecília França

“A Covid- 19 se instaurou sem pedir licença e nos fez deparar com realidades que sempre existiram e que agora se precipitaram”, explica a psicóloga Flávia Fernandes de Carvalhaes, 42, dedicada ao trabalho e estudo com populações vulneráveis em Londrina. Na última década, Carvalhaes atuou junto a adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas e, por um período mais curto de tempo, com a população de rua.

Doutora em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela classifica cenas como a registrada na última semana, em que o proprietário de um restaurante joga água para expulsar um idoso de situação de rua da calçada, como “metáforas” da nossa formação social, pela qual alguns grupos e cidadãos são considerados sujeitos de direitos enquanto outros apresentam-se como inferiores.

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Mortes por covid-19 em setembro superam julho e agosto somados em Londrina

Mesmo com medidas mais restritivas que nos meses anteriores, cidade registrou 4,3 mil casos e 90 óbitos em 30 dias

Adriana Ito, especial para a Lume

No pior mês desde o início da pandemia de covid-19, Londrina lamentou a perda de três vidas por dia em decorrência da doença. De 1º a 30 de setembro, foram registrados 4.296 casos e 90 novas mortes no município.

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‘Espero devolver orgulho ao gueto’

Por meio de ações culturais, como a rede de bibliotecas comunitárias, o rapper Leandro Palmerah transforma realidades no Residencial Vista Bela

Por Mariana Guerin, jornalista e confeiteira em Londrina. Adoça a vida com quitutes e palavras

Um menino preto nascido na periferia, que cresceu na rua, vendo a mãe cuidar do filho do patrão. Um garoto que reprovou na escola e se apegou à música para entender a dura realidade em que vivia. Um homem que se reinventou e decidiu transformar a rotina de muitas crianças pobres por meio da cultura. Essa é a história do rapper, produtor cultural e futuro bibliotecário Leandro Claudino da Silva, o Palmerah.

“Meu apelido vem dos campinhos de futebol. Eu era pequeno quando começaram a me chamar de Palmeirinha por conta do meu time do coração, o Palmeiras. Daí vem o Palmerah”, conta.

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Candidaturas de trans e travestis miram visibilidade

Representantes da população LGBTI+ concorrem a vagas nas próximas eleições municipais para que seja dada voz na vida pública a quem é historicamente silenciado

Fábio Galão, especial para a Lume

Com o início da campanha eleitoral no último domingo (27), os candidatos a prefeito e vereador deram a largada em uma disputa para ver qual voz falará mais alto nas eleições de novembro e na vida pública dos municípios pelos próximos quatro anos. Uma voz historicamente silenciada e perseguida no Brasil tenta se destacar: a da comunidade de transexuais e travestis.

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Ministro da Educação pode responder por declarações homotransfóbicas

Procuradoria-Geral da República sugeriu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que Milton Ribeiro preste depoimento à Polícia Federal; ação atende a pedido de entidades LGBTI+

Da Redação

Foto em destaque: postagem no facebook do grupo Mães pela Diversidade

Declarações dadas pelo ministro da educação Milton Ribeiro ao jornal O Estado de S.Paulo podem levá-lo a responder no Supremo Tribunal Federal (STF) por crime de homotransfobia. A Procuradoria Geral da República acatou pedido de entidades representativas da comunidade LGBTI+ e pediu à Suprema Corte que apure o caso, sugerindo, inicialmente, que o ministro seja ouvido pela Polícia Federal.

Em uma das falas que gerou a reação dos grupos pela diversidade o ministro classificou a homossexualidade como opção – quando o correto seria orientação -, disse que ela seria fruto de “famílias desajustadas” e usou o termo obsoleto “homossexualismo” (o sufixo “ismo” refere-se a doença e a homossexualidade deixou de ser considerada uma patologia pela Organização Mundial da Saúde em 1990).

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