Na falta de argumentos, quebre o vidro e despeje ofensas

Por Paula Vicente e Rafael Colli, advogados criminalistas e membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Há uma evolução natural da consciência humana, do racional das pessoas. Da doce dependência da infância, ao turbilhão da adolescência, ao florescer da juventude. Uma linha tortuosa, porém virada para a evolução pessoal, na qual o ser se transforma, efetivamente, em humano, com racionalidade, compaixão, empatia. Apesar da beleza desta alegoria, o meio do caminho é um verdadeiro inferno: a passagem da infância para a adolescência. Caracterizada pela figura da 5ª série – à nossa época os anos escolares eram contados assim -, onde pequenos humanos com inteligência e percepção já formados, porém com o caráter ainda em construção, disputam entre si os holofotes, por meio de ofensas, atos agressivos e, não raramente, violência física.

Sim, amigos, a quinta série é um antro de pequenos psicopatas, com tendência à racionalização e à humanização – a passos lentos, entretanto.

Esta fase passa, contudo. Certo? Bom, para alguns, não. Algumas pessoas finalizam ali sua caminhada rumo à evolução do ser ao ser humano. Assim ocorreu com o mandatário da República. Jair Bolsonaro, 38º Presidente da República Federativa do Brasil, é, ainda, um estudante da 5ª série, com parcial formação da razão, mas que ainda não tem condições cognoscentes de argumentar ou expor ideias, mas o tem para atacar, ferozmente, qualquer um que discorde dele minimamente, despejando-lhe, ao berros, impropérios e ofensas, apenas e tão somente para “ganhar a discussão” e conquistar seu lugar no centro da classe.

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É fake: Cartilha antidrogas da Turma da Mônica não foi criada a pedido de Bolsonaro

Mie Francine Chiba

Lume Rede de Jornalistas

Está circulando pelo WhatsApp uma mensagem dando crédito ao governo Bolsonaro pela criação de um gibi da Turma da Mônica na campanha contra as drogas (veja abaixo).

“QUERIDOS PAPAIS
Bolsonaro pediu e o Governo Federal, através do Presidente do Conselho Nacional antidrogas elaborou um gibizinho para ensinar as crianças a se protegerem das drogas e ajudarem a identificar os colegas que estejam envolvidos a fim de ajudá-los. Em parceria com Maurício de Sousa, que teve o maior prazer em atender ao presidente Bolsonaro, foi elaborado este gibi com a ‘Turma da Mônica’. Recomendo que imprimam e leiam com seus filhos, antes de dormir, e conversem com eles.
Segue…”

Capa do gibi em questão

Quem é fã da Turma sabe que esse gibi foi lançado há anos, bem antes do atual governo, como pode ser visto em notícias datadas de 2012 e 2014.

Além disso, no final do gibi, assinam Alberto Mendes Cardoso, chefe da Casa Militar da Presidência da República, e Presidente do Conselho Nacional Antidrogas, e Wálter Fanganiello Maierovitch, secretário nacional Antidrogas.

Assinaturas no final do gibi

Mendes foi chefe da Casa Militar de 1995-1999, quando Fernando Henrique Cardoso era presidente, e Maierovitch assumiu a Secretaria Nacional Antidrogas em 1998. Está atualmente no hoje intitulado Conselho Nacional de Política sobre Drogas (Conad) Torquato Jardim e na Secretaria Nacional de Política sobre Drogas Luiz Roberto Beggiora.

Portanto, o gibi não foi lançado agora, a pedido do atual presidente, como faz entender a mensagem repassada. No entanto, sua mensagem continua válida e atual.

Referências:

http://g1.globo.com/…/turma-da-monica-lanca-gibi-contra-dro…
http://www.mpgo.mp.br/…/interacao-lancamento-do-gibi-turma-…
http://www.gsi.gov.br/sobre/historico/casa-militar-1
https://www.folhadelondrina.com.br/…/maierovitch-e-demitido…
http://www.justica.gov.br/…/conselho-nacional-de-politicas-…
http://www.justica.gov.br/…/secretaria-nacional-de-politica…