Na falta de argumentos, quebre o vidro e despeje ofensas

Por Paula Vicente e Rafael Colli, advogados criminalistas e membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Há uma evolução natural da consciência humana, do racional das pessoas. Da doce dependência da infância, ao turbilhão da adolescência, ao florescer da juventude. Uma linha tortuosa, porém virada para a evolução pessoal, na qual o ser se transforma, efetivamente, em humano, com racionalidade, compaixão, empatia. Apesar da beleza desta alegoria, o meio do caminho é um verdadeiro inferno: a passagem da infância para a adolescência. Caracterizada pela figura da 5ª série – à nossa época os anos escolares eram contados assim -, onde pequenos humanos com inteligência e percepção já formados, porém com o caráter ainda em construção, disputam entre si os holofotes, por meio de ofensas, atos agressivos e, não raramente, violência física.

Sim, amigos, a quinta série é um antro de pequenos psicopatas, com tendência à racionalização e à humanização – a passos lentos, entretanto.

Esta fase passa, contudo. Certo? Bom, para alguns, não. Algumas pessoas finalizam ali sua caminhada rumo à evolução do ser ao ser humano. Assim ocorreu com o mandatário da República. Jair Bolsonaro, 38º Presidente da República Federativa do Brasil, é, ainda, um estudante da 5ª série, com parcial formação da razão, mas que ainda não tem condições cognoscentes de argumentar ou expor ideias, mas o tem para atacar, ferozmente, qualquer um que discorde dele minimamente, despejando-lhe, ao berros, impropérios e ofensas, apenas e tão somente para “ganhar a discussão” e conquistar seu lugar no centro da classe.

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‘Fake News’: pesquisadoras apontam formas de combater processo de desinformação

Em evento do Pint Of Science, doutoras da Universidade Estadual de Londrina falam sobre notícias falsas e suas consequências sociais

Cecília França
Lume Rede de Jornalistas

Quem atua no jornalismo ou no direito certamente conhece o Caso Escola Base, ocorrido na década de 1990, em São Paulo. Denúncias de abuso sexual praticados contra crianças de quatro anos nesta escola infantil foram amplamente divulgadas pela imprensa, sem qualquer prova, inflamando a opinião pública. Na época, notícias falsas sobre o suposto crime estampavam capas de jornais diariamente e destruíram a vida de ao menos seis acusados.

Este grande exemplo de fake news da era analógica poderia ter causado estrago ainda maior na era digital em que vivemos. Se antes o receptor da informação era passivo – ou seja, apenas recebia conteúdo dos meios de comunicação tradicionais, como televisão e rádio – com a internet ele se torna ativo e passa a replicar aquilo que lhe interessa. O problema é que nem sempre a razão determina estas escolhas, e sim, a emoção, que tende a prevalecer sobre a lógica.

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Lume nasce do anseio por combater ‘fake news’

por Equipe Lume

Ainda durante as eleições de 2018 o altíssimo volume de notícias falsas (fake news) compartilhadas nas redes sociais, especialmente via WhatsApp, chamou a atenção de jornalistas em todo o País, inclusive de um grupo de londrinenses preocupados com o descrédito da notícia real.

Este grupo agora se reúne na Lume-Rede de Jornalistas Independentes, dedicada a jogar luz sobre o tema, esclarecer sobre os critérios de apuração da mídia tradicional, fazer checagens e contribuir para o entendimento do atual cenário nacional.

O fenômeno das fake news está longe de ser exclusividade do Brasil. O mesmo ocorreu nas eleições de 2016 no Estados Unidos e na votação do Brexit, no Reino Unido, com impactos provados nos resultados das urnas.

Mesmo antes das últimas eleições o fenômeno já impactava no mercado jornalístico brasileiro, que viu surgir as agências de fact-checking, como Lupa e Aos Fatos. Veículos já sedimentados também inauguraram editorias dedicadas à checagem de informações, como Estadão Verificada e Fato ou Fake (G1, do grupo Globo).

Os jornalistas da Lume não pretendem se dedicar ao fact-checking – embora não o exclua – esperam contribuir para o debate e identificação das notícias falsas, tão nocivas ao jornalismo profissional, à sociedade e à democracia.

Por isso, daremos luz ao conceito de Pós-verdade, “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais” (Oxford Dictionaries).

Também este não se trata de um fenômeno exclusivamente nacional. Por meio de entrevistas, pesquisas e reportagens a Lume se dedicará a entender este comportamento e buscará mostrar o quão nocivo ele pode ser para o conjunto da sociedade.

Na editoria Direitos Humanos, a Lume se debruçará sobre este tema tão mal entendido e, por vezes, depreciado, ao ponto de ser tratado como o inverso do que realmente é. Reportagens e entrevistas buscarão revelar a verdadeira natureza das organizações de DH e suas ações efetivas em prol das minorias e da parcela mais vulnerável da população.

É fake: Cartilha antidrogas da Turma da Mônica não foi criada a pedido de Bolsonaro

Mie Francine Chiba

Lume Rede de Jornalistas

Está circulando pelo WhatsApp uma mensagem dando crédito ao governo Bolsonaro pela criação de um gibi da Turma da Mônica na campanha contra as drogas (veja abaixo).

“QUERIDOS PAPAIS
Bolsonaro pediu e o Governo Federal, através do Presidente do Conselho Nacional antidrogas elaborou um gibizinho para ensinar as crianças a se protegerem das drogas e ajudarem a identificar os colegas que estejam envolvidos a fim de ajudá-los. Em parceria com Maurício de Sousa, que teve o maior prazer em atender ao presidente Bolsonaro, foi elaborado este gibi com a ‘Turma da Mônica’. Recomendo que imprimam e leiam com seus filhos, antes de dormir, e conversem com eles.
Segue…”

Capa do gibi em questão

Quem é fã da Turma sabe que esse gibi foi lançado há anos, bem antes do atual governo, como pode ser visto em notícias datadas de 2012 e 2014.

Além disso, no final do gibi, assinam Alberto Mendes Cardoso, chefe da Casa Militar da Presidência da República, e Presidente do Conselho Nacional Antidrogas, e Wálter Fanganiello Maierovitch, secretário nacional Antidrogas.

Assinaturas no final do gibi

Mendes foi chefe da Casa Militar de 1995-1999, quando Fernando Henrique Cardoso era presidente, e Maierovitch assumiu a Secretaria Nacional Antidrogas em 1998. Está atualmente no hoje intitulado Conselho Nacional de Política sobre Drogas (Conad) Torquato Jardim e na Secretaria Nacional de Política sobre Drogas Luiz Roberto Beggiora.

Portanto, o gibi não foi lançado agora, a pedido do atual presidente, como faz entender a mensagem repassada. No entanto, sua mensagem continua válida e atual.

Referências:

http://g1.globo.com/…/turma-da-monica-lanca-gibi-contra-dro…
http://www.mpgo.mp.br/…/interacao-lancamento-do-gibi-turma-…
http://www.gsi.gov.br/sobre/historico/casa-militar-1
https://www.folhadelondrina.com.br/…/maierovitch-e-demitido…
http://www.justica.gov.br/…/conselho-nacional-de-politicas-…
http://www.justica.gov.br/…/secretaria-nacional-de-politica…

É fake: Boechat não fez ‘chacota’ de Jesus um dia antes do acidente

Cecília França

Lume Rede de Jornalistas

Após a morte trágica do jornalista Ricardo Boechat passou a circular nos grupos de Whatsapp um vídeo dele no programa do apresentador Danilo Gentili fazendo o que a mensagem compartilhada classifica como “chacota” com a volta de Jesus. A mensagem ainda diz que o episódio teria acontecido “um dia antes de cair o avião”.

Print na mensagem que circula por whatsapp

No vídeo, Boechat narra o dia do Apocalipse, claramente lendo um roteiro:

“E atenção: Jesus acaba de voltar à Terra. Segundo especialistas, esta é a segunda vez que o fenômeno acontece”, inicia.

O jornalista segue narrando as recomendações de médicos e do Vaticano para o dia do “juízo final” e conclui:

“O Vaticano pede que todos mantenham a calma e informou que os lugares perto do palco já estão esgotados. Boa sorte, e salve-se quem puder.”

Não é difícil notar que o texto lido por Boechat no vídeo trata-se de um roteiro preparado pela produção do programa. Entre uma pausa na fala, quando a plateia ri, Gentili diz: “Pode ler”.

Também não é verdade que o episódio aconteceu um dia antes do acidente que vitimou Boechat. Isto porque o programa “Agora é tarde” foi apresentado por Gentili na Band até 2013. Desde então o apresentador transferiu-se para o SBT, mantendo o tom humorístico do seu talk show.

Uma simples busca no Google revela que Boechat esteve no programa de Gentili em 2011. Portanto, a mensagem é fake.