'A Marcha da Fake News' quer levar verdade incômoda para as ruas no Carnaval

Grupo de Londrina abre financiamento coletivo para gravar marchinha que aborda, com ironia, como as notícias falsas moldaram o atual cenário nacional

Cecília França

Quem não recebeu fake news nas últimas eleições brasileiro não é. As notícias falsas tomaram conta da internet durante o pleito, impulsionadas pela instantaneidade dos aplicativos de mensagens, e continuam se alastrando como pólvora. Agora, elas estão prontas para sair das redes sociais para as ruas no Carnaval 2020, com A Marcha da Fake News, composta pelo jornalista e músico Marquinho Gomes, de Londrina. Integrante do grupo de samba Os Beto, Gomes transformou em versos sua inquietação com o cenário nacional e agora busca recursos para gravar a música com seu grupo e a participação da jornalista e cantora Marian Trigueiros.
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Marian é neta de Marinósio Trigueiros Filho, autor da famosa marcha Cachaça, inspiração para os versos iniciais d’A Marcha da Fake News. “Se você pensa que cachaça é água / Cachaça não é água não” viraram “Você pensa que cachaça é água/ Cachaça é água sim”. E continua: “Minhoca é cobra / mugido é Leão / É verdade / vale tudo para levar a eleição”.

Os versos irônicos da música servem como metáfora para absurdos compartilhados (e exaustivamente desmentidos por agências de fact checking) durante as eleições de 2018, como as mamadeiras eróticas distribuídas em pré-escolas.

Gomes destaca que a distribuição de fake news não cessou com o resultado do pleito, pelo contrário, continua, com adesão de figuras importantes da política, incluindo o presidente Jair Bolsonaro. “Eu conheço gente que acredita em terra plana, em mamadeira de ‘piroca’; que Sérgio Moro é um herói da resistência e que Bolsonaro é uma pessoa inteligente e sensível. Isso estava me incomodando”, conta ele, sobre a motivação para criar a música. Cantarolando Cachaça, veio a ideia de inverter a letra e daí nasceu A Marcha da Fake News.

O músico espera que os versos causem reações nas diferentes vertentes de público. “Espero que cause indignação e raiva em quem discorda deles, quero que se sintam incomodados. E quero que as pessoas que concordam que estamos vivendo uma grande falácia nos ajudem a divulgar e debater isto”.

Conheça a letra d’A Marcha da Fake News

Você pensa que cachaça é água
Cachaça é água sim
Minhoca é cobra
mugido é Leão
É verdade
vale tudo para levar a eleição.

Chegou a fake news oh oho
saiu a fakenews saiu
desfilando na avenida Oh OhO
Fake news – fake news sucesso no Brasil
Fake news – fake news é verdade no Brasil

Você pensa que vai dar certo
Vai dar certo sim
lorota é obra
Bengala é avião
É verdade
vale tudo pra levar a eleição

Chegou a fakenews oh oho
saiu a fakenews saiu
desfilando na avenida Oh OhO
Fake news – fake news sucesso no Brasil
Fake news – fake news é verdade no Brasil

Dia Mundial dos Direitos Humanos: entidades divulgam manifesto com críticas ao governo

Grupo vê em medidas do governo Bolsonaro submissão dos direitos sociais a interesses econômicos

Rede Lume de Jornalistas

Mais de 60 entidades ligadas à promoção dos Direitos Humanos no Brasil divulgaram um manifesto conjunto em que criticam medidas do atual governo que, segundo elas, vão na contramão dos direitos sociais das populações. A divulgação do documento marca o Dia Mundial dos Direitos Humanos, celebrado nesta terça-feira (10). Dentre as ações reprovadas pelo grupo estão pontos do Pacote Anticrime, do programa Juntos pela Vida, a extinção ou reformulação de espaços de participação popular – como Conselhos e Comitês – e propostas de desvinculação de receitas para a saúde e educação básicas.

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O guarda da esquina

Por Paula Vicente e Rafael Colli, advogados criminalistas e integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Em 1968, quando o General Costa e Silva decretou o AI-5, ato que deu início ao período
mais violento da ditadura militar, o Vice-Presidente, Pedro Aleixo, foi contra e disse ao
General que o problema não era ele ou os outros comandantes do Brasil, o problema era o
“guarda da esquina”. E assim ocorre, também, com as inflamadas falas do Presidente Jair Bolsonaro e sua política de endurecimento e de opressão.

Vindo do andar de cima a ideia de que é correto matar criminosos e a identificação destes criminosos – jovens, negros, pobres e moradores de regiões periféricas e marginalizadas – os guardas da esquina se liberam das amarras legais, constitucionais e humanas e põem em prática uma verdadeira política de morte e sangue.

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É fake: Cartilha antidrogas da Turma da Mônica não foi criada a pedido de Bolsonaro

Mie Francine Chiba

Lume Rede de Jornalistas

Está circulando pelo WhatsApp uma mensagem dando crédito ao governo Bolsonaro pela criação de um gibi da Turma da Mônica na campanha contra as drogas (veja abaixo).

“QUERIDOS PAPAIS
Bolsonaro pediu e o Governo Federal, através do Presidente do Conselho Nacional antidrogas elaborou um gibizinho para ensinar as crianças a se protegerem das drogas e ajudarem a identificar os colegas que estejam envolvidos a fim de ajudá-los. Em parceria com Maurício de Sousa, que teve o maior prazer em atender ao presidente Bolsonaro, foi elaborado este gibi com a ‘Turma da Mônica’. Recomendo que imprimam e leiam com seus filhos, antes de dormir, e conversem com eles.
Segue…”

Capa do gibi em questão

Quem é fã da Turma sabe que esse gibi foi lançado há anos, bem antes do atual governo, como pode ser visto em notícias datadas de 2012 e 2014.

Além disso, no final do gibi, assinam Alberto Mendes Cardoso, chefe da Casa Militar da Presidência da República, e Presidente do Conselho Nacional Antidrogas, e Wálter Fanganiello Maierovitch, secretário nacional Antidrogas.

Assinaturas no final do gibi

Mendes foi chefe da Casa Militar de 1995-1999, quando Fernando Henrique Cardoso era presidente, e Maierovitch assumiu a Secretaria Nacional Antidrogas em 1998. Está atualmente no hoje intitulado Conselho Nacional de Política sobre Drogas (Conad) Torquato Jardim e na Secretaria Nacional de Política sobre Drogas Luiz Roberto Beggiora.

Portanto, o gibi não foi lançado agora, a pedido do atual presidente, como faz entender a mensagem repassada. No entanto, sua mensagem continua válida e atual.

Referências:

http://g1.globo.com/…/turma-da-monica-lanca-gibi-contra-dro…
http://www.mpgo.mp.br/…/interacao-lancamento-do-gibi-turma-…
http://www.gsi.gov.br/sobre/historico/casa-militar-1
https://www.folhadelondrina.com.br/…/maierovitch-e-demitido…
http://www.justica.gov.br/…/conselho-nacional-de-politicas-…
http://www.justica.gov.br/…/secretaria-nacional-de-politica…