Surtos e aglomerações consolidaram cenário de aumento de casos, diz integrante do Grupo de Trabalho Covid-19

Para profissional, medidas mais restritivas, como as anunciadas ontem pela Prefeitura de Londrina, deveriam ter sido tomadas em agosto

Cecília França
Nelson Bortolin

Foto em destaque: Prefeitura de Londrina

Semanalmente, há quase seis meses, um grupo de catorze profissionais de diversas áreas se reúne para avaliar os dados relativos à pandemia em Londrina. Eles formam o Grupo de Trabalho Covid-19 e seus relatórios baseiam as orientações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (Coesp). Em agosto o grupo visualizou um aumento acentuado de casos na cidade e passou a classificação de risco de moderado para alto, o que sugeriria novas medidas restritivas. O Coesp sugeriu a bandeira vermelha, mas a Prefeitura não acatou.

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Média móvel de mortes pela Covid-19 atinge novo pico em Londrina

Nos últimos 7 dias, são 26 óbitos, o que representa média móvel diária de 3,7

Nelson Bortolin

Com mais quatro casos confirmados nesta terça-feira (8), Londrina bate novo recorde na média móvel de mortes por Covid-19. Nos últimos sete dias, foram 26 óbitos, o que dá uma média móvel diária de 3,7.

O recorde anterior foi em 18 de julho, quando a cidade acumulava 17 mortes em sete dias, ou seja, 2,43 mortes por dia.

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Pandemia agrava sentimento de solidão materna

Inseridas em um contexto social que define a mulher como cuidadora principal dos filhos, mulheres se veem exaustas com acréscimo de demandas decorrentes do isolamento social

Cecília França

“Está bem difícil pra mim não poder contar com ninguém e ser a única responsável pelo bem-estar, educação e felicidade dos meus filhos”. Quando recebi esta mensagem de uma amiga começou a nascer essa matéria. Enxerguei a necessidade de ouvir mães sobre o sentimento de solidão que parece permear a maternidade e, logo nas primeiras conversas – e levando em conta minha experiência pessoal de mãe de dois bebês – notei o quanto falar sobre isso era necessário, especialmente neste longo período de isolamento decorrente da pandemia do novo Coronavírus.

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Destaque

Londrina vive o pior momento da pandemia

Cidade tem recorde de médias móveis de mortes e de novos casos

Nelson Bortolin

Foto em destaque: Isaac Fontana

Enquanto o Brasil registra queda no número de mortes e de novos casos de Covid-19, Londrina vive seu pior momento da pandemia. Neste sábado (5), a cidade atingiu as médias móveis de 3,29 mortes diárias e de 148 novos casos diários. São os índices mais altos desde o começo da crise.

A média móvel é a soma do número de mortes ou de novos casos nos últimos sete dias dividida por sete. A média de mortes vem crescendo sem parar na cidade desde o dia 24 de agosto, quando foi de 0,71/dia. Anteriormente, havia atingido seu pico no dia 18 de agosto: 2,43. Na última semana a cidade também ultrapassou, pela primeira vez, o índice de 80% de ocupação de leitos de UTI Covid.

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‘Eu quero é sossego’

Mudanças, perdas, aprendizados: a empreendedora Mirta Franz Lucchetta aposta na fé e na justiça para tirar sempre o que de melhor a vida pode oferecer

Por Mariana Guerin, jornalista e confeiteira em Londrina. Adoça a vida com quitutes e palavras

“Pô, Mirta, você tá em todas.” “Vem comigo que você aparece também.” “Ah, mas tem que trabalhar muito.” “Então, fofo….” Filha, irmã, esposa, mãe, tia, farmacêutica, motociclista, presidente do Contur, ministra da Eucaristia, artesã, sobrevivente. Essas são algumas das facetas da pedrinhense Mirta Franz Lucchetta, 55 anos, que hoje administra, ao lado da filha e da sobrinha, a farmácia fundada pelos pais, em 1961, numa colônia italiana no interior de São Paulo. Um balcão bem feminista e feminino.

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Rumo a Gilead

Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Há algumas semanas, o tema do aborto legal tomou conta do país, em decorrência da grande repercussão do caso da menina de 10 anos estuprada e engravidada pelo tio no Espírito Santo, que, após todos os anos de violência e sofrimento que vivenciou, teve seu direito ao aborto legal dificultado, além de sofrer violência psicológica por parte de fundamentalistas que ilegalmente divulgaram seu nome e dados e tentaram impedir a realização do procedimento aos berros de ofensas à criança.

O que observamos no caso repercutido nacionalmente, infelizmente, é regra no Brasil. As mulheres que têm direito ao aborto legal veem esse direito ser dificultado e, por muitas vezes negado.

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As muitas faces da população de rua

Em ato do MNPR em Londrina, pessoas em situação de rua mostram seus talentos, suas tristezas, desafios e necessidades

Cecília França

Ao microfone, Marciano fala: “Nós não temos oportunidade. Se tirar nós da Concha, nós vamos pra rodoviária; se tirar da rodoviária, nós vamos pra outro lugar. Não é desrespeito a autoridade, não é desrespeito a ninguém. A gente merece oportunidade, vamos lutar até o fim”. Roberson completa: “Faz uma casa popular por menos de 100 reais, eu pago. Eu sou morador de rua porque eu não tenho casa pra morar”.

Em alto e bom som Andrezza reivindica melhorias para as mulheres: “A gente tá entrando seis e meia da tarde (nos abrigos), saindo, seis, sete horas da manhã, pode estar chovendo ou sol. Pros homens tem integral, tem atividade dos abrigos, a gente tem que ficar na rua”. Emileide solta a voz com o hino gospel “Recomeçar”: “Preciso da tua mão, vem me levantar/ Faz-me teu servo Senhor, me livra do mal/ Quero sentir o teu sangue curar-me/ Agora, meu Senhor, vem restaurar-me“.

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Me chame de Orfeu Negro ou Leão de Tsavo

Com dois heterônimos, Antonio Rodríguez, de 17 anos, denuncia racismo na poesia e escreve romance sobre adolescentes

Nelson Bortolin

O Antonio Rodríguez morreu. Agora me chame de Orfeu Negro, pois na veia corre sangue escravo. Aliás, me chame Leão do Tsavo porque valho bem mais que um centavo”. Com esses versos, o jovem Antonio Rodríguez, de 17 anos, apresenta suas duas personas poéticas. “O Leão do Tsavo traz toda a questão política, o racismo. Já com Orfeu Negro eu vou mais pela questão romântica, mais emocional, menos crítica”, conta ele referindo-se aos heterônimos que utiliza.

A cadência da maior parte das poesias, que podem ser lidas no perfil do Instagram a.poetizando.me., é a do rap. Mas Antonio, que é morador de Londrina, se aventura por outros estilos e, inclusive, está escrevendo um romance.

Além dos rappers como Emicida, suas influências são as mais diversas, incluindo Carlos Drummond de Andrade e Pablo Neruda.

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Destaque

Deputadas feministas buscam anular portaria do governo que muda regras para aborto legal

PDL 381/2020 ganha apoio de coletivos e frentes feministas de todo o país

Atualizado em 13/09 às 14h30

Cecília França

A temática do aborto legal voltou à cena no país após o caso da menina de 10 anos grávida em decorrência de um estupro, no Espírito Santo. Mesmo tendo direito à interrupção da gravidez, ela precisou viajar mais de 2 mil quilômetros para realizar o procedimento e ainda se deparou com a fúria de grupos religiosos antiaborto que vociferavam à porta do hospital. Cerca de dez dias depois do fato, o Ministério da Saúde publicou portaria com mudanças nas regras para acesso ao aborto legal em casos de estupro. A nova regra determina que médicos denunciem a violência à polícia antes do procedimento e prevê a oferta de exame de ultrassom para que a vítima visualize o feto.

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‘Mulher é desdobrável. Eu sou’

Ana Paula Minari instiga mulheres de todas as idades a redescobrirem seus corpos e elevarem sua autoestima em aulas de dança flamenca

Por Mariana Guerin, jornalista e confeiteira em Londrina. Adoça a vida com quitutes e palavras

Dançar é uma maneira de exercer uma liberdade individual até então desconhecida. É se deixar levar pela melodia e mexer o corpo sem pensar muito. É simplesmente viver o momento como se fosse único. Aprender a dançar pode ser difícil quando pensamos mais em nossas limitações do que em nossas capacidades. Já ensinar a dançar requer um amor maior pela dança em si e pelo outro que nem todo mundo é capaz de compreender ou colocar em prática. A bailaora e professora de dança flamenca em Londrina Ana Paula Minari o faz com maestria.

“Tem duas frases que gosto muito e que mudaram meu jeito de pensar a vida. Uma é um trecho de uma canção da cantora espanhola Maria Toledo que diz ‘La vida és un regalo de Dios’ e outra é da escritora Adélia Prado, no poema Com Licença Poética, ‘Mulher é desdobrável. Eu sou’. Acho que essas frases me definem hoje em dia.”

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