“Nossa sociedade é estruturalmente monosexista, portanto, a bissexualidade fica invisibilizada”, diz londrinense

Victor Reale acredita que estrutura social e falta de informação impedem bissexuais de exercerem plenamente sua sexualidade

Cecília França – Rede Lume de Jornalistas

Não se trata de uma fase, não se trata de sem-vergonhice nem de um processo de transição para a homossexualidade. A bissexualidade é uma identidade plena, mas há uma dificuldade imensa em exercê-la de fato na nossa sociedade. Quem visse Victor Reale, 29, no dia da nossa entrevista diria se tratar de um homem cisgênero e, muito provavelmente, heterossexual. No entanto, o servidor público não se identifica com uma classificação nem com a outra.

Reale entendeu-se bissexual há poucos anos, depois de longa crise de identidade, comum entre a comunidade LGBT. Chegou a transicionar para o feminino por um ano, até entender que este papel não lhe cabia. Hoje, militante do movimento, entende que a estrutura social oprime os bissexuais, negando-lhes referências e acessos.

“Nossa sociedade é constituída para ser monosexista, portanto, a bissexualidade fica invisibilizada. Nós não temos referências de figuras públicas, de heróis, personagens da nossa cultura mesmo, que sejam bissexuais”, explica. Reale é o quarto entrevistado do nosso Especial LGBTfobia.

Continuar lendo ““Nossa sociedade é estruturalmente monosexista, portanto, a bissexualidade fica invisibilizada”, diz londrinense”

Cárcere, a morte da civilização

Por Paula Vicente e Rafael Colli, advogados criminalistas e integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Na última quarta-feira, 28 de agosto, recebemos a notícia de que havia acontecido uma fuga na cadeia de Ibiporã (PR). O fato não nos surpreendeu, não foram poucas as denúncias de violação de Direitos Humanos naquele local. O principal problema relatado era, e continua sendo, a superlotação.

Em nossa última vistoria, 200 pessoas estavam encarceradas na Cadeia Pública, que tem capacidade para abrigar tão somente 34 pessoas em privação de liberdade.

Continuar lendo “Cárcere, a morte da civilização”

Comandante do 5º Batalhão avalia relação da PM com a comunidade

Major Nelson Villa se nega a estigmatizar bairros pobres e aponta motivos para má imagem da polícia nesses locais

Nelson Bortolin (colaborou Cecília França)
Rede Lume de Jornalistas

“Não existe nenhuma incompatibilidade entre Direitos Humanos e Polícia. As organizações de Direitos Humanos são essenciais para o exercício da democracia”. Numa época em que o presidente da República defende torturadores e o armamento indiscriminado da população, é difícil imaginar que as frases acima tenham sido pronunciadas por um policial. Mas foi o Major Nelson Villa, comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina, quem as pronunciou.

Na PM desde 1991, Villa assumiu o comando do 5º BPM no final de julho, após passagem pelo comando da 4ª Companhia Independente – responsável pelo policiamento na Zona Norte da cidade. A Lume foi até a sede da PM no dia 22 de agosto ouvir o comandante sobre a relação da Polícia com a sociedade. Por que os moradores das periferias têm uma imagem tão ruim da instituição? Direitos Humanos e política de segurança pública são conciliáveis? Qual o efeito que as declarações agressivas de Jair Bolsonaro têm sobre os policiais?

Continuar lendo “Comandante do 5º Batalhão avalia relação da PM com a comunidade”

Mortes em confronto com a Polícia crescem mais de 100% em Londrina

OAB pede explicações às autoridades; comandante da PM diz à Lume que número de operações aumentou em resposta à criminalidade

Cecília França e Nelson Bortolin
Rede Lume de Jornalistas

Foto: Divulgação PM

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção Londrina, apurou que em todo o ano passado houve 23 mortes em confronto com agentes de segurança na cidade (22 com PMs e uma com Guarda Municipal). Em 2019, somente até julho, já foram 24. Segundo a presidente da comissão, Paula Vicente, a OAB está buscando respostas que expliquem este aumento de óbitos.

Continuar lendo “Mortes em confronto com a Polícia crescem mais de 100% em Londrina”

Feira da Jornada de Agroecologia reúne 100 grupos produtores em Curitiba

Evento conta com shows gratuitos de Odair José, Lirinha e Tulipa Ruiz

Rede Lume de Jornalistas (com informações da assessoria do MST)

Alimentos vindos de Cooperativas da Reforma Agrária, produção orgânica, produtos da Economia Solidária, livros, sementes e mudas crioulas, pratos típicos do Paraná. Esta diversidade de produções fará parte da Feira da Agrobiodiversidade Camponesa e Popular e Culinária da Terra, que vai ocupar toda a extensão da Praça Santos Andrade, Centro de Curitiba, entre amanhã (29) e 1º de setembro.

A atividade faz parte da 18ª edição da Jornada de Agroecologia, um dos maiores eventos de fomento a práticas agroecológicas do Brasil, realizado pelo segundo ano consecutivo na capital do Paraná. Cerca de 70 entidades participam da organização do evento, entre elas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), setores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a Terra de Direitos e Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria).

Continuar lendo “Feira da Jornada de Agroecologia reúne 100 grupos produtores em Curitiba”

“A criminalização é um avanço, o difícil é a pessoa chegar a fazer a denúncia”, diz psicólogo doutor em violência de gênero

Para Alex Gallo, existe uma correlação entre o caminho trilhado pela violência contra a mulher até a provação da Lei Maria da Penha e o que se busca agora com a LGBTfobia

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

Integrantes da comunidade LGBT vítimas de violência não denunciam as agressões nem procuram ajuda, algo muito semelhante ao que acontecia – e, em muitos casos, ainda acontece – com mulheres agredidas antes da aprovação da Lei Maria da Penha, 13 anos atrás. A constatação é do psicólogo Alex Gallo, especialista em violência de gênero e professor do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desde 2010. Ele é o terceiro entrevistado do nosso Especial LGBTfobia.

Gallo acredita que a criminalização da LGBTfobia pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pode colaborar para uma mudança neste cenário, porque dá respaldo para as denúncias, embora ele tema uma dificuldade justamente na porta de entrada. Novamente, ele se baseia no que ocorre com as mulheres. Mesmo com uma lei as amparando, e o visível avanço, as dificuldades para denunciar persistem.

“Já ouvi vários relatos em que a mulher ouve, na própria Delegacia da Mulher, ‘Mas tem certeza que você quer fazer a denúncia, você vai prejudicar muito ele’, e ela acaba desistindo. Fazendo um paralelo, a criminalização (da LGBTfobia) é um avanço, dá a ideia de que a pessoa pode registrar uma ocorrência de um crime, mas o difícil é a pessoa chegar a fazer a denúncia”, pondera.

Continuar lendo ““A criminalização é um avanço, o difícil é a pessoa chegar a fazer a denúncia”, diz psicólogo doutor em violência de gênero”

O guarda da esquina

Por Paula Vicente e Rafael Colli, advogados criminalistas e integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Em 1968, quando o General Costa e Silva decretou o AI-5, ato que deu início ao período
mais violento da ditadura militar, o Vice-Presidente, Pedro Aleixo, foi contra e disse ao
General que o problema não era ele ou os outros comandantes do Brasil, o problema era o
“guarda da esquina”. E assim ocorre, também, com as inflamadas falas do Presidente Jair Bolsonaro e sua política de endurecimento e de opressão.

Vindo do andar de cima a ideia de que é correto matar criminosos e a identificação destes criminosos – jovens, negros, pobres e moradores de regiões periféricas e marginalizadas – os guardas da esquina se liberam das amarras legais, constitucionais e humanas e põem em prática uma verdadeira política de morte e sangue.

Continuar lendo “O guarda da esquina”

Na falta de argumentos, quebre o vidro e despeje ofensas

Por Paula Vicente e Rafael Colli, advogados criminalistas e membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Há uma evolução natural da consciência humana, do racional das pessoas. Da doce dependência da infância, ao turbilhão da adolescência, ao florescer da juventude. Uma linha tortuosa, porém virada para a evolução pessoal, na qual o ser se transforma, efetivamente, em humano, com racionalidade, compaixão, empatia. Apesar da beleza desta alegoria, o meio do caminho é um verdadeiro inferno: a passagem da infância para a adolescência. Caracterizada pela figura da 5ª série – à nossa época os anos escolares eram contados assim -, onde pequenos humanos com inteligência e percepção já formados, porém com o caráter ainda em construção, disputam entre si os holofotes, por meio de ofensas, atos agressivos e, não raramente, violência física.

Sim, amigos, a quinta série é um antro de pequenos psicopatas, com tendência à racionalização e à humanização – a passos lentos, entretanto.

Esta fase passa, contudo. Certo? Bom, para alguns, não. Algumas pessoas finalizam ali sua caminhada rumo à evolução do ser ao ser humano. Assim ocorreu com o mandatário da República. Jair Bolsonaro, 38º Presidente da República Federativa do Brasil, é, ainda, um estudante da 5ª série, com parcial formação da razão, mas que ainda não tem condições cognoscentes de argumentar ou expor ideias, mas o tem para atacar, ferozmente, qualquer um que discorde dele minimamente, despejando-lhe, ao berros, impropérios e ofensas, apenas e tão somente para “ganhar a discussão” e conquistar seu lugar no centro da classe.

Continuar lendo “Na falta de argumentos, quebre o vidro e despeje ofensas”

Sem certezas sobre o futuro, famílias despejadas de fazenda em Lerroville iniciam reconstrução de barracos

Cerca de 500 pessoas do acampamento Quilombo de Palmares estão abrigadas no Centro Social do assentamento Eli Vive e precisam de doações

Cecília França – Rede Lume de Jornalistas

*Atualizada em 02/08 para inclusão da nota da CNBB

As últimas dez famílias que ocupavam uma propriedade em Lerroville, distrito rural de Londrina, deixaram hoje as terras, após ação de reintegração de posse executada pela Polícia Militar na última terça-feira (30). A fazenda, pertencente à família do ex-deputado José Janene, já falecido, estava ocupada desde 2015 por 166 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Continuar lendo “Sem certezas sobre o futuro, famílias despejadas de fazenda em Lerroville iniciam reconstrução de barracos”

“Eu posso sair de casa de mãos dadas com alguém, mas na rua tenho que soltar”, diz Luana Cossentini sobre LGBTfobia

Idealizadora da Parada LGBT de Londrina comemora a criminalização pelo STF, mas teme retrocesso social

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

Quando cursava o mestrado em Londrina, a biomédica Luana Aparecida Cossentini, 27, procurou o serviço de saúde da universidade para uma consulta de rotina com um ginecologista. Ao entrar no consultório, relatou ao médico que se relacionava com mulheres. Foi o suficiente para que a consulta terminasse.

“Ele ficou comigo duas horas tentando mudar minha orientação sexual e, na época, eu só achei que ele era louco. Hoje olho para trás e penso quanto coisa eu poderia ter feito e não fiz por não saber que era crime ou não pensar em como poderia me influenciar no futuro”, contou ela à Lume, na segunda entrevista do nosso Especial LGBTfobia.

Continuar lendo ““Eu posso sair de casa de mãos dadas com alguém, mas na rua tenho que soltar”, diz Luana Cossentini sobre LGBTfobia”