Cara gente branca

por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Em nossa última coluna abordamos a necropolítica do Estado, que mata os corpos indesejáveis e busca uma limpeza étnica e estética. Dissemos, quando Ághata foi assassinada em 2019 pela mesma polícia que assassinou João Pedro no mês passado, que tais mortes são fruto do racismo estrutural que permeia nossa sociedade e, sobretudo, o Estado.

Mas não é apenas o Brasil que sofre cotidianamente com o racismo. No último dia 25, um homem preto foi fria e violentamente assassinado por uma policial branco nos EUA. George Floyd foi sufocado até a morte diante das câmeras. Sua morte causou uma reação não vista desde o assassinato de Martin Luther King Jr., em 1968. Protestos eclodiram pelo país e pelo mundo, em um grito contra a violência policial e contra o racismo.

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A política da morte não para, nem mesmo diante da morte

por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

“GENTE PELO AMOR DE DEUS ME AJUDEM ESSE É O MEU PRIMO JOÃO PEDRO MATOS PINTO TEM 14 ANOS E ESTAVA HOJE POR VOLTA DAS 16h EM CASA NA (PRAIA DA LUZ) SÃO GONÇALO RJ EM UMA OPERAÇÃO DA POLÍCIA OS TRAFICANTES ENTRARAM NA CASA E OS POLICIAIS SAÍRAM ATIRANDO E ATINGIU ELE NA BARRIGA” (sic).

No dia 18 de maio de 2020, segunda-feira, o Brasil registrou a triste marca de 1179 mortes por Covid-19. Enquanto isso, o Presidente fazia live com piadinhas e o Congresso articulava a votação do adiamento do Enem, já que o Governo Federal parece que não se importa com os efeitos nefastos da crise da pandemia do coronavírus.

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Lá vem o Brasil descendo a ladeira

Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Nada mais atual e real que o saudoso Moraes Moreira e sua icônica composição “Lá vem o Brasil descendo a ladeira”.

Como nada é tão ruim que não possa piorar, a nossa ladeira é longa e íngreme e o fim parece não chegar nunca. Por mais baixo que desçamos, sempre tem mais um pouquinho para afundar. As últimas semanas nos mostraram o caos em que estamos inseridos, a ameaça que nossa democracia enfrenta, o autoritarismo que corre nas veias de nossos governantes e a histeria e o ódio coletivos de nossa sociedade doente.

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Testes para a elite, um sinal de emergência

por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

O assunto por aqui continua sendo o Coronavírus, infelizmente não conseguiremos abordar qualquer outra coisa enquanto ameaça tão iminente paira sobre nossas cabeças.

Nesses tempos de pandemia os absurdos ocorridos nesta República de bananas são inúmeros, os últimos ataques ao Estado Democrático de Direito são gritantes e vexatórios e a inércia das instituições, um sinal sintomático da fragilidade de nossa Democracia. O líder da nação, que se vê como Luís XIV, aquele que dizia ser o “Estado”, desrespeita as recomendações da OMS, utiliza a pandemia para jogos políticos, desrespeita os familiares dos milhares acometidos pelo Covid-19 e se une a negacionistas conspiratórios em manifestações de claro caráter autoritário e ditatorial, e, como resposta, notas de repúdio!

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Renda Básica de Cidadania: foi necessária uma pandemia?

por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Ao contrário do que fora ventilado nos últimos dias, o auxílio de R$ 600,00 a trabalhadores informais e autônomos não é nenhuma novidade e, muito menos, foi criado pelo governo genocida de Bolsonaro.

Primeiro, precisamos de um apanhado histórico para entendermos como chegamos até aqui. A renda básica de cidadania remonta do séc. XVI, quando foi ventilada pela primeira vez, de lá pra cá foi defendida por vários estudiosos, inclusive ganhadores do prêmio Nobel de Economia. A Renda Básica, neste viés, se mostra como uma importante ferramenta de desenvolvimento humano e diminuição de desigualdades sociais com efetiva distribuição de renda pelos governos.

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Coronavírus e a distopia da vitória do mercado

Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Em meio à pandemia, ao anunciar do caos e do desespero, nossas mentes inquietas tentaram trazer a vocês, caros leitores, um pouco de esperança e alívio. Mas não deu. Ao invés disso, nossa distopia, nossa pequena imagem de onde estes tempos podem nos levar.

O séc. XX colocou em xeque as ideias capitalistas mais primitivas. A batalha entre “Ocidente” e “Oriente” trouxe ao mundo questionamentos ainda sem respostas certas: A tal liberdade do capitalismo é mesmo livre? Ou será que estamos acorrentados por todos os lados, fadados a sermos uma pequena peça na engrenagem das estruturas sociais? Por outro lado, a socialização do Governo – com ou sem extinção do Estado – nos leva ao patamar desejado de igualdade e liberdade?

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Terezas, Dandaras, Pagus, Zuzus, Marias da Penha, Marielles…

Por Paula Vicente, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Nesta semana em que se marca o Dia Internacional da Mulher, peço licença ao meu parceiro Rafael para escrever, do alto do meu local de fala, sobre o que é ser mulher e, principalmente, o que significa o 8M.

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O mar das violações e o samba da esperança

por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Acabou mais um carnaval, a festa de Momo foi intensa como sempre, e agora precisamos nos atualizar sobre os acontecimentos recentes, pensar para onde nossa democracia anda para, finalmente, iniciarmos o ano.

O Presidente da república, mais uma vez, ofendeu gravemente todas as mulheres deste país, por meio de um discurso de ódio que causa inveja ao mais primitivo machista; por outro lado, um grupo de milicianos tentou tomar o Poder da PM do Ceará paralisando o serviço de segurança do Estado e acabou baleando um Senador da república; e, claro, o carnaval e suas lutas em prol dos Direitos Humanos. Muito aconteceu desde nossa última coluna, então preparem-se que temos muito a comentar.
Queremos também, ainda em intróito, nos escusar pela demora no lançamento deste texto. Também somos filhos deste país e bons carnavalescos.

Pois bem, ao trabalho.

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A dupla crueldade do estupro corretivo

Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OSB/Londrina

Na última coluna de 2019 escrevemos sobre machismo e cultura do estupro. O assunto, entretanto, nunca se esvai e devemos tratar sobre ele sempre, afinal, queremos acabar com essa violência diária que todas nós mulheres sofremos.

Esse é mais um caso dentre milhares de casos de estupro corretivo, muito mais comum do que se imagina. 

Esta semana, mais precisamente no dia 03/02/2020, foi noticiado em veículo local que uma mulher tinha sido estuprada pelo vizinho, que conhecia há anos, na cidade de Cambé. Segundo relata a vítima, o seu algoz teria justificado a atitude pelo fato de ela ser uma mulher lésbica, dizendo que assim ela passaria a gostar de homens.

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Feliz Ano Velho

Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB

Pedimos licença a Marcelo Rubens Paiva, para utilizarmos como título da primeira coluna do ano o título do seu livro mais famoso, mas não há nada que se encaixe mais ao momento que vivemos. 

Já se passaram 23 dias do novo ano e, toda aquela euforia da virada, a esperança de que esse ano será melhor do que aquele que passou, foram por água abaixo. 2019 foi um ano a ser esquecido em todos os sentidos, mas, principalmente no que tange à luta por direitos e os direitos humanos. Foram inúmeros os absurdos e violações cometidos, e, pelo visto, 2020 será uma segunda temporada dessa série de mau gosto na qual estamos inseridos.

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