Quando a arte é a própria vida

A documentarista Coraci Ruiz captou o processo de transição de gênero do filho Noah no filme “Limiar”, uma aula de diálogo e acolhimento ao diferente

Por Mariana Guerin*

Fotos: Arquivo Pessoal

Ela cresceu num ambiente de contracultura onde muitos comportamentos eram naturalizados e quando se tornou mãe, viu seu mundo ser virado do avesso pela geração do filho mais velho, que veio para quebrar paradigmas e teve a coragem de assumir sua identidade não-binária aos 16 anos. Esta é a história da doutora em Multimeios pela Unicamp Coraci Ruiz, 43 anos, fundadora da produtora audiovisual Laboratório Cisco, sediada em Barão Geraldo, em Campinas.

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‘Sem cultura, as pessoas são como vírus soltos no mundo’

Aposentada, a técnica em química Silvia Borba realiza o sonho de se tornar cantora e realiza lives para captar recursos para gravar seu primeiro CD

Por Mariana Guerin*

Ouvir Silvia Borba cantar é reconhecer em si uma humanidade guardada a sete chaves. É desnudar lembranças e ressignificar tristezas do passado pela melodia. Não à toa, suas interpretações de clássicos do cancioneiro nacional nos fazem parar e admirar. Estar presente para refletir e só depois retomar a dura rotina.

Viúva, mãe de três filhos, um deles morto aos 19 anos, Silvia Borba cresceu em Recife há 58 anos, em uma família de muitos filhos: ela tem três irmãos por parte do pai e sete por parte da mãe. “Minha infância foi muito sofrida, de muitas privações e muita necessidade”, lembra a técnica em química, que sempre viveu no bairro Mangueira, na periferia da capital pernambucana.

Por conta da dureza da realidade, o relacionamento familiar nunca foi muito bom. E hoje, morando em Londrina, ela se vê ainda mais afastada dos irmãos depois da morte da mãe. “Meus irmãos não falam comigo porque minha mãe escolheu vir morrer comigo”, confessa.

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‘Só vou ficar bem se ajudar’

Ser mãe e pai é a herança familiar da rapper Rita de Cássia Lemos Barbosa, a MC Potyra, que canta a luta das mulheres amigas do Vista Bela em suas letras

Por Mariana Guerin*

Mãe de cinco, avó aos 34 anos, “mãe” dos gatinhos Polaca e Khal-El e do cãozinho Jughead. Voluntária que ajuda incansavelmente 40 famílias carentes do Residencial Vista Bela, em Londrina, mesmo com as dores constantes no corpo, resultado da fibromialgia. Rapper, pregadora, meio indígena, meio cigana. E dorameira nas madrugadas. Esta é Rita de Cássia Lemos Barbosa, a MC Potyra, de 38 anos.

Sua história em terras paranaenses começou aos nove anos, após a separação dos pais, que moravam em Salto, no interior paulista. “Foi uma mudança brusca. Viemos morar na casa da minha vó materna, eu, minha mãe e meus três irmãos. Meu irmão mais novo tinha apenas quatro anos”, lembra Rita, que estranhou o clima, o sotaque e a nova escola.

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Oscar espelha os reflexos da pandemia na indústria cinematográfica

Salas vazias, crescimento dos serviços de streaming, diversidade retratada nas telas: o modo de consumir cinema mudou e a forma de fazer também

Mariana Guerin

Tivemos no último domingo (25/4), na edição de número 93 do Oscar, principal premiação do cinema mundial, a segunda mulher a vencer a categoria de Melhor Direção na história de Hollywood. Chloé Zhao, chinesa nascida em Pequim em 1982, surpreendeu a academia com seu Nomadland.

O longa, inspirado num livro-reportagem sobre idosos que vivem em automóveis nos Estados Unidos, tem Frances McDormand – vencedora na categoria Melhor Atriz – atuando ao lado de não-atores que interpretam a si mesmos. Com trajes um tanto informais para a ocasião, pouca maquiagem e cabelos naturalmente penteados, a duas vencedoras fizeram discursos suscintos para uma plateia espaçada, num ambiente típico de um momento pandêmico. Mas a mensagem delas já havia sido transmitida no filme: como a precarização do trabalho se aproveita das pessoas, especialmente dos idosos.

Se no ano passado, a cerimônia foi restrita localmente a poucos e bons, com muitos artistas desfilando seus figurinos glamurosos nos quintais de suas casas porque os Estados Unidos viviam o auge da propagação do novo coronavírus, este ano a Academia investiu um pouco mais na festa. E resolveu premiar a diversidade. Nunca se viu tantas pautas humanitárias serem indicadas num único Oscar. E muitas delas vencedoras. Talvez porque a debandada do público dos cinemas tenha proporcionado um novo olhar para produções antes ignoradas pelos grandes estúdios.

Os maiores vencedores do Oscar 2021 foram Netflix, com sete estatuetas, Searchlight, com três, Warner, 3, Amazon Studios, 2, Disney Pixar, 2, Sony Pictures Classics, 2, Focus Features, 1, e A24, 1. Só isso já mostra a força do conforto do sofá versus o escurinho das salas de cinema, mesmo que tudo mude após a vacinação em massa proporcionar aos cinéfilos a volta à programação normal de telão e pipoca.

Para a cineasta paulista Marina Stuchi, 38, doutora em estudos literários, as indicações deste ano foram bastante ecléticas. “Novos conteúdos e maneiras diferentes de se pensar o audiovisual estão presentes nos filmes indicados. Em muitos deles, as minorias são representadas, mas a partir de uma nova perspectiva, com um olhar mais apurado e menos tendencioso. Acredito que a pandemia influenciou diretamente a premiação, uma vez que a maioria dos filmes concorrentes foram lançados em serviços de streaming, já que os cinemas estavam fechados no mundo todo”, comenta.

Ela reforça o fortalecimento do streaming, “como é o caso da Netflix, líder absoluta no Oscar, com 35 indicações”. “Acredito que a grande indústria não desapareceu, apenas se modificou. O olhar mais inclusivo se dá devido ao contexto sócio-histórico no qual estamos vivendo e à demanda de se olhar para o outro, de buscar entender as mudanças que estão ocorrendo no mundo, de buscar novas perspectivas e olhares”, declara.

Segundo Marina, a pandemia também teve outro efeito para o Oscar. “Com a ausência de produções dos grandes estúdios, abriu-se espaço para produções mais independentes, que tornaram a lista de indicados uma das mais diversas da história. Ainda não tenho uma opinião formada de como será o futuro do audiovisual, mas acredito que estamos aprendendo novas formas de produzir neste setor”, completa.

Ela lembra que na história do Oscar, apenas cinco mulheres foram indicadas a Melhor Direção: Lina Wertmüller, por Pasqualino Sete Belezas (1977); Jane Campion, por O Piano(1994); Sofia Coppola, por Encontros e Desencontros (2003); Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror (2010); e Greta Gerwig, por Lady Bird (2018). Somente Bigelow levou a estatueta. “As mulheres ainda precisam batalhar por espaço em todos os setores, então a indicação de duas mulheres e a vitória de uma delas é algo bastante emblemático, mas não podemos perder de vista que ainda as mulheres devem ocupar mais espaço na sociedade, principalmente na política”, diz.

“O fato de Chloé ser mulher e de ascendência chinesa é ainda mais relevante por dois motivos: é a primeira asiática a ganhar o prêmio, sendo reconhecida mundialmente por sua obra, menos em seu país de origem. Todas as publicações recentes com o seu nome e menções a Nomadland desapareceram da rede social Weibo, o Twitter chinês, ao meio-dia de segunda, pós premiação. A imprensa chinesa também mantém o silêncio sobre a vitória”, destaca Marina.

De acordo com a cineasta, na categoria de Melhor Filme, entre os oito indicados, três têm protagonistas não branco: Judas e o Messias Negro, Minari e O Som do Silêncio, e dois são protagonizados por mulheres: Nomadland e Bela Vingança, sendo que boa parte deles lida com a experiência de minorias étnicas e de gênero nos Estados Unidos.

“Pela primeira vez duas mulheres foram indicadas no mesmo ano na categoria Melhor Direção: Chloé Zhao (Nomadland) e Emerald Fennell (Bela Vingança). Zhao também foi a primeira mulher não branca a ser indicada na categoria em 93 anos de premiação, e a primeira mulher a receber quatro indicações no mesmo ano, por direção, montagem, roteiro adaptado e melhor filme. E Fennel é a primeira mulher estreante a entrar na lista de direção. Ainda assim, a lista da Academia foi menos diversa que a dos Globos de Ouro, que também indicou Regina King, por Uma Noite em Miami”, resume Marina.

Para ela, “as indicações e a premiação de modo geral refletem o momento em que estamos vivendo e apontam novas diretrizes para o cinema, abrindo espaço para novas estéticas, novos olhares sobre o mundo e maneiras diversas de se pensar e produzir audiovisual”.

Atualidade e perspicácia

“O cinema da Chloé Zhao já havia mostrado sua excelência, atualidade e perspicácia com o Songs My Brothers Taught Me, de 2015. O tema do filme vencedor desse ano, Nomadland, fora levantado anteriormente pelo excelente documentário do italiano Gianfranco Rosi, Below Sea Level, em 2008. Zhao, na sua condição de ‘quase estrangeira’, percebe muito bem os mecanismos existentes com relação às minorias na sociedade americana”, reflete o cineasta carioca radicado em São Paulo, Carlos Ebert, 75 anos.

Para ele, que iniciou sua carreira no cinema nos anos 1960 como fotógrafo e operador de câmera e depois como diretor de fotografia, a tendência a ter a diversidade da sociedade representada na cinematografia já vem acontecendo há alguns anos e parece inevitável. “O cinema vive do seu público e não teria sentido deixar porções significativas desse público de fora das audiências. A pandemia vem acelerando muitas tendências na sociedade que já vinham se manifestando, como o home office, o home entertainment etc.”, diz.

Segundo Ebert, a única certeza do setor é que nada será como antes. “O cinema existe pela empatia que consegue estabelecer com seu público. Sempre terá que espelhar o social em suas obras. Observo que no meu tempo de vida, os ideais de mudança social que eram amplos e buscavam estar acima de ideias e categorias como raça, etnias, gêneros etc. foram explodidos e atomizados. As políticas identitárias, com seu pertencimento compelido por aspectos de identidade (gênero, raça, orientação sexual etc.), conseguiram o que o capitalismo monopolista não havia conseguido por mais que tentasse: anularam os ideais coletivos de justiça e liberdade. Virou um ‘todos contra todos’, no qual quem lucra é justamente o inimigo comum.”

Ele mesmo não viu todos os filmes concorrentes ao Oscar, até porque muitos não foram lançados ou não estavam acessíveis por aqui. Entretanto, destaca a indiscutível atuação de Anthony Hopkins, que venceu como Melhor Ator, por Meu Pai, e a montagem e a cinematografia de Mank. “Minha linguagem é a da objetividade para contar a história que está no roteiro que estou filmando no momento. Acredito na universalidade das artes, acho que a música é ‘a arte das artes’, mas não tenho bons prognósticos para a nossa espécie – nem a médio prazo, mas seguirei filmando porque é o que gosto de fazer. Quero fazer cinema até onde for possível.”

Lado B

A jornalista e fotógrafa londrinense Renata Cabrera, 31, mestre em comunicação e formada em direção cinematográfica pela Fundação Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro, vai na contramão dos colegas cinéfilos quando o assunto é Oscar. “Eu acredito que o Oscar está aí para legitimar e é maravilhoso você pensar que nomes de mulheres estão ali. Mas a minha revelia é pensar que a gente precisa do Oscar para que cineastas como a Chloé, por exemplo, sejam reconhecidas. E estou falando no lugar de alguém que acredita num cinema que não necessariamente precisa ganhar o Oscar. Acho que o grandioso é fazer cinema.”

Para Renata, que inicia sua caminhada na produção cinematográfica nacional, mas estuda o tema há três anos, o fechamento dos cinemas por conta da pandemia influencia diretamente na bilheteria dos grandes estúdios e, consequentemente, no movimento da indústria. “Não teve público e os filmes que prometiam trazer um lucro para a Academia recuperar a bilheteria perdida não conseguiram isso. Vivemos um ano muito complexo e as pessoas realmente não foram ao cinema. Mas, no fundo, quem foi prejudicado mesmo foram os realizadores de cinema independente porque os festivais não aconteceram.”

“O Oscar deu um jeito de continuar acontecendo, mas a falta de editais, de não abrir festivais presenciais, isso desestimula as pessoas. Se falar de Brasil, então, a gente não tem muita visibilidade para o cinema autoral, o cinema que depende muito mais de recursos e que não tem um produtor executivo ricaço por trás. Esse cinema do realizar independente é muito mais prejudicado pela pandemia”, avalia Renata.

Para ela, o momento é de ruptura. “É muito desafiador, mas a gente já vem se adaptando, principalmente às plataformas de streaming, que são acessíveis. As grandes produções continuam atraindo mais público para o cinema e vão continuar porque o próprio fazer cinema vai se renovando. O cinema é muito vivo. E essa possibilidade de fazer filmes para o streaming também vai acordar o cinema, pois se as pessoas consomem mais esse cinema em série, talvez o cinema possa repensar isso”, diz a jornalista, alertando que o alto nível de representatividade garantido por uma premiação no Oscar não coloca quem filme de maneira independente numa posição inferior.

“A própria experiência de ir ao cinema mudou. Tem gente vendo filmes no celular dentro do ônibus. Talvez as pessoas não valorizem tanto essa experiência do cinema ou até a experiência da arte em si. Eu gosto muito de sentir, então ir ao cinema nunca será substituído por uma tela de celular. Eu tenho que acreditar nisso também. Mas passar um filme na telona, para a gente que está começando a fazer cinema, é muito distante. Então tem maneiras de fazer com que o filme chegue, nem que seja na tela do celular.”

Para Renata, ver uma mulher ganhando o Oscar serve de espelho para muita gente que não faz ideia como é produzir cinema enquanto mulher, trans, homossexual. “As pessoas acabam olhando. E isso é muito legal. O contraponto disso é que o mundo mudou muito e se a Academia não mudasse também ia parecer retrógrada. Então, ter a presença de negros e mulheres, de gays e trans recebendo prêmios força a mudança na própria formação de júri desses prêmios. É uma demanda. E reverbera. Mas o cinema americano ainda é muito masculino. A ideia de ter esse prêmio ainda é muito masculinizada. Bom mesmo vai ser quando tivermos uma premiação alternativa, que vai deixar os homens espantados porque não vão conseguir entrar”, brinca.

Vencedores

Melhor roteiro original – Bela vingança

Melhor roteiro adaptado – Meu pai

Melhor filme – Nomadland

Melhor direção – Chloé Zhao – Nomadland

Melhor atriz – Frances McDormand – Nomadland

Melhor atriz coadjuvante – Yuh-Jung Youn – Minari

Melhor ator – Anthony Hopkins – Meu pai

Melhor ator coadjuvante – Daniel Kaluuya – Judas e o messias negro

Melhor filme internacional – Druk – Another round (Dinamarca)

Melhor curta-metragem em live action – Two distant strangers

Melhor curta de animação – If anything happens I love you

Melhor animação – Soul

Melhor documentário de curta-metragem – Collete

Melhor documentário – O professor polvo

Maquiagem e cabelo – A voz suprema do blues

Melhor figurino – A voz suprema do blues

Melhor som – O som do silêncio

Efeitos visuais – Tenet

Melhor design de produção – Mank

Melhor fotografia – Mank

Melhor edição – O som do silêncio

Melhor trilha sonora – Soul

Canção original – Fight for you – Judas e o messias negro

‘Enquanto eu tiver forças, continuarei lutando’

Atuando na acusação de crimes contra mulheres ou cometidos por policiais, a advogada londrinense Nayara Vieira vê no direito a ferramenta para criar uma sociedade mais justa

Por Mariana Guerin*

“Adolescente, eu era muito encrenqueira, gostava de resolver o problema alheio. Talvez aí já me via meio advogada.” Revisitando sua juventude, a londrinense Nayara Larissa de Andrade Vieira, 28 anos, define como se deu sua escolha profissional. Atendendo clientes em penitenciárias e cadeias e assistindo na acusação de crimes contra mulheres, a advogada representa o frescor que as causas humanitárias precisam para driblar o sistema.

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‘O espontâneo é a minha linguagem’

A maternidade levou a jornalista e fotógrafa Fernanda Bressan a trocar os textos pelas imagens para seguir contando histórias reais

Por Mariana Guerin*

Fotografar crianças sorrindo espontaneamente é muito mais do que um trabalho para a brasiliense radicada em Londrina Fernanda Bressan, 41 anos, mestre em comunicação visual. Com um olhar apurado pela maternidade, que lhe trouxe a filha Laís há sete anos, ela trocou o jornalismo diário pela fotografia e hoje é responsável por construir memórias de dezenas de famílias londrinenses.

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‘A pandemia vai passar, mas mudança climática é permanente’

Coordenadora do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, a mineira Ludmila Siqueira tem como missão tornar a agenda ambiental mais inclusiva e equitativa

Por Mariana Guerin*

A oportunidade de viver por dois anos numa vila na Amazônia durante a infância foi determinante para que a mineira Ludmila Pugliese de Siqueira, 44 anos, nascida em São João del Rei, escolhesse o curso de biologia quando chegou a hora do vestibular. E depois de anos de dedicação à profissão, um casamento, dois filhos e um cachorro, hoje ela coordena o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, lançado pela iniciativa privada em 2009 e que já cadastrou mais de 86,3 mil hectares em áreas restauradas no Brasil. A meta do pacto, que possui 18 unidades em dez estados brasileiros, é viabilizar a recuperação de 15 milhões de hectares até o ano de 2050, mas com metas e monitoramento dos resultados anuais.

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‘Hoje posso ser quem sou’

Designer de moda, o paranaense César Scolari lavou pratos para sobreviver e revelou-se um talentoso cozinheiro ao disputar a final do Top Chef Brasil

Por Mariana Guerin*

Tudo o que o chef de cozinha paranaense César Scolari, 40 anos, mostrou em 2020, quando foi um dos finalistas do Top Chef Brasil, exibido pela Rede Record, é exatamente ele, sem tirar nem por. Inclusive o amor por sabores, cores, formas, pessoas e pela Maria Bethânia. 

Nascido em Alvorada do Sul, filho de mãe italiana, César tem Pedroso no sobrenome, mas adotou Scolari em homenagem à avó materna, sua maior incentivadora na cozinha. Cresceu com as irmãs mais velhas na cidadezinha do interior paranaense, “brincando nos quintais, nos pomares e na roça”, lembra.

Muito estudioso, passou a adolescência imerso nos livros: cursava magistério pela manhã e contabilidade à noite. Às tardes, estudava espanhol, pintura e desenho. “Era aquele CDF enturmado e comunicativo, mas não namorador.”

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Desmistificar para transformar

Estudantes londrinenses criam projeto de comunicação que derruba o mito da doutrinação dentro das escolas

Por Mariana Guerin*

Um grupo de estudantes do Instituto Federal do Paraná em Londrina teve uma ideia inusitada em 2020, em pleno confinamento: propagar para a comunidade local as pesquisas realizadas pelos alunos e deixar mais acessíveis ao corpo estudantil os editais publicados pela direção do colégio. E nada mais inteligente do que apostar no uso das diferentes redes sociais como aplicativos de fotos, vídeos e música para conquistar o público e disseminar informação em tempos de pós-verdade.

O Projeto DesmistIFica surgiu em uma reunião do grêmio estudantil do IF e conta com 264 seguidores no Instagram e 37 inscritos no canal do Youtube. “A ideia era fazer um telejornal no Youtube”, cita o coordenador de Divulgação Científica do projeto, Randher Orlando. Segundo ele, participam da produção 18 alunos, que se dividem em ações de coordenação, comunicação, divulgação científica, feira de profissões, notícias, esportes e o espaço “Crer para Todos”.

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Há um ano…

Números disparam, a indiferença dos poderosos grita; só não mudam as angústias dos que seguem isolados

Por Mariana Guerin*

Eu me pego pensando no futuro sempre que me distraio. E para não enlouquecer, ligo a tevê. Num programa bem idiota para não pensar. Normalmente é uma receita, uma reforma, uma comédia romântica que faz meu coração palpitar. Mas quando acaba, eu penso. E não quero pensar.

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