Família apresenta ao MP denúncia contra guardas por agressão a adolescente

Caso já foi denunciado a outros órgãos competentes; corregedoria do município investiga responsabilidades

Cecília França

Foto em destaque: reprodução RPC

A família do adolescente de 17 anos agredido por guardas municipais no último fim de semana em Londrina formalizou ontem denúncia no Ministério Público. O caso foi encaminhado, inicialmente, para a 17ª Promotoria que, após análise, o remeteu à 29ª por se tratar de crime contra adolescente.

A peregrinação da família por órgãos competentes teve início ainda no domingo, quando registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia do Adolescente. No dia seguinte a denúncia foi levada à Corregedoria do Município e à Ouvidoria da Guarda Municipal. A vítima também passou por exame de lesão corporal no Instituto Médico Legal (IML).

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‘Foi um prazer poder cantar para vocês hoje’

Da roça para o The Voice Brasil: Vinícius Zanin combina sua criatividade multiprofissional e sua voz para espalhar otimismo por meio da música nas redes sociais durante a pandemia

Por Mariana Guerin, jornalista e confeiteira em Londrina. Adoça a vida com quitutes e palavras

“A arte sempre foi a minha âncora maior. O que me prende é a beleza e o caos que a arte pode gerar nas nossas mentes, corações e almas.” Quem conhece o cantor paranaense Vinícius Zanin, 37 anos, sabe que essa frase define exatamente o que ele veio fazer neste planeta: nos presentear com seu talento, não só nos momentos felizes mas, principalmente, nas tristezas, quando sua voz doce acalenta os corações ao som do blues.

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Casos de Covid-19 em Londrina se aproximam da média nacional

São 21.892 doentes por um milhão de habitantes, ou 84% do indicador nacional

Nelson Bortolin

Levantamento feito pela Lume mostra o quanto a pandemia do novo coronavírus demorou para chegar em Londrina. E que, neste momento, a desaceleração dos casos de Covid-19 é menor na cidade que na média brasileira.

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Londrinenses relatam potencial transformador do circo

Artistas formados pela Escola de Circo de Londrina contam como a diversão se tornou profissão e mudou suas vidas

Cecília França

A arte encanta, questiona, mobiliza. A arte assusta, surpreende, emociona. A arte tem o potencial de mudar vidas. Foi por meio da arte circense que Luiz Gustavo Moreira, 30, Karol Queisada, 32, Alisson Almeida, 26, e Nicole Feliz Rodrigues, 28, descobriram uma nova forma de viver. Cada um deles desbravou o próprio caminho, aqui ou no exterior. Em comum, têm a formação pela Escola de Circo de Londrina, por onde já passaram cerca de mil alunos somente no curso profissionalizante.

O que começou como uma diversão de crianças e adolescentes, terminou como carreiras e projetos de vida. Luiz e Karol permaneceram em Londrina, onde atuam como artistas e educadores sociais. Luiz relembra que teve contato com técnicas de circo por meio de um projeto social, na Zona Norte da cidade. Encantado, ele passou a levar a arte a sério e, em 2004, aos 14 anos, foi convidado a frequentar a recém fundada Escola de Circo, na época na Avenida Higienópolis.

“As aulas aconteciam todos os dias. Foi uma época de bastante esforço. Eu tinha, às vezes, que sair aqui da Zona Norte até a região Central a pé. Foram passando os anos, a formação foi ficando mais intensa e, em 2006, com 16 anos, eu já comecei a fazer uns pequenos trabalhos, que, inclusive, ajudavam a bancar o passe para eu ir treinar”, relembra.

No ano seguinte, surgiu o primeiro trabalho internacional, em festivais da Argentina e Paraguai, um marco na vida do jovem. “Foi uma experiência incrível porque, nunca na minha vida eu tive a oportunidade, por exemplo, de ficar hospedado em um hotel. Foi muito gratificante no final da adolescência poder mostrar para a minha família que aquela atividade que eu fazia poderia se tornar meu sustento”.

Luiz aprendeu capoeira, ginástica artística, circo e dança de rua. Em 2013, ingressou no curso de Educação Física na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e seguiu na qualificação como arte educador e formador de educadores, participando de cursos em instituições de referência, como Rede Circo Mundo Brasil e Cirque Du Soleil.

Atualmente, o artista atua como arte educador também em projetos vinculados à Secretaria de Assistência Social, trabalhando em acolhimentos, casas lares e abrigos. “Uma experiência incrível que venho tendo de 2019 pra cá”, define.

Luiz em apresentação em uma comunidade de Cambé. Foto: arquivo pessoal

Artista circense, artesã, mãe. A adolescente Karol Queisada, então moradora da Zona Norte de Londrina, iniciou sua caminhada no circo aos 16 anos sem imaginar que poderia se tornar uma profissão.

“Entrei na Escola de Circo no ano de 2004, logo quando inaugurou, cursei os quatro anos e fui da primeira turma de alunos formados pela escola”, relembra. “O que me motivou foi que sempre gostei dos movimentos de plasticidade e elegância das ginastas e vi que no circo eu poderia aprender um pouco disso como artista circense”.

O que aprendeu Karol mostra nas apresentações da Troupe Aerocircus e também ensina como educadora da Escola de Circo.

“O circo certamente me abriu várias possibilidades e me mostrou um mundo mágico que eu não conhecia. Aprendi muito, não só tecnicamente, mas como pessoa também”, afirma. “Hoje vivo de circo com muito orgulho e amo o que faço”, garante.

Karol Queisada em apresentação. Foto: Ariel Amorin

Artista do Circo dos Sonhos e residente no Rio de Janeiro, o londrinense Alisson Almeida teve seu primeiro contato com o circo ainda menino, aos 11 anos, em um projeto social na Zona Norte. No início era uma brincadeira, um passatempo com amigos, mas o tempo foi passando e o interesse dele aumentando. Depois de dois anos, foi chamado para a Escola de Circo.

“Eu iria treinar duas vezes por semana, logo me interessei e fui. A evolução das aulas foram tão rápidas que já fui chamado para fazer parte do curso profissionalizante da escola, onde eu fiquei por três anos e meio”, relembra. A primeira oportunidade profissional – e, consequentemente, o primeiro salário – veio com a Troupe Aerocircus.

“Assim pude ajudar minha família que no início achou que era apenas uma brincadeira de criança. Foi muito bom porque eu pude comprar meu primeiro celular e com meu próprio dinheiro”, conta. Quando completou 18 anos Alisson recebeu uma bolsa de estudos de circo de quatro anos no Rio de Janeiro. Depois dessa experiência – afirma- viu que o circo era realmente seu sustento e sua arte.

“E não podendo esquecer onde tudo começou em minha vida circense que foi na Escola de Circo de Londrina. A escola foi realmente uma escola para mim, tanto como profissional quanto pessoal. Cada momento e aprendizado vivido ali foi válido para ser o artista e pessoa que sou hoje. Só tenho a agradecer a Deus e depois todos os responsáveis que fizeram parte disso e mudaram a minha e outras vidas”, emociona-se o artista.

Alisson Almeida no Circo dos Sonhos. Foto: Micael Bergamichi

“Começar a fazer circo foi como fazer terapia. Aprendi a me aceitar como pessoa, aumentou a minha autoestima e, em consequência, até o meu andamento escolar melhorou. Aprendi a me relacionar com as outras pessoas, fiz novos amigos, e isso para uma criança ou adolescente são coisas muito importantes”.

O relato é da artista Nicole Felix Rodrigues, formada pela Escola de Circo de Londrina em 2012 e residente hoje na Itália, onde trabalha com três companhias independentes. “Falo cinco línguas, já viajei para muitos lugares no mundo, e vivo do circo desde quando comecei na escola em Londrina”, relembra.

Nicole diz ter dificuldade para expressar em palavras a gratidão que sente pelo período vivido na escola de circo. “Minha vida mudou de verdade completamente depois que passei por ali”. Ela foi uma das participantes do Cabaré dos Ex-alunos, realizado nesta quarta-feira (28) dentro da programação do Festival de Circo de Londrina. “É muita emoção e nostalgia”, declara.

A artista nunca duvidou que era possível viver do circo, mas conta que enfrentou resistência da família. “Hoje entendo que era somente falta de informação. O ‘mercado’ circense é enorme e você pode trabalhar em muitas áreas. É todo um mundo a descobrir”, explica.

Quem se aventura?

Nicole em apresentação com Luca Lugari. Foto: Franco Bertozzi

‘Picadeiro virtual’: Festival de Circo de Londrina tem programação inteiramente online

Evento começa hoje e segue até domingo (01) com apresentações de várias partes do mundo e debates sobre a importância social do circo

Cecília França

A arte circense não passou ilesa às demandas impostas pela pandemia da Covid-19 e precisou adequar sua linguagem ao mundo virtual. Por meio de parcerias, integrantes da Associação Londrinense de Circo (ALC) se capacitaram e estão ofertando toda a programação do 16o Festival de Circo de Londrina de forma online. A partir de hoje até domingo (01) serão exibidos, pelo YouTube, espetáculos de artistas de todo o mundo e debates sobre a importância social do circo.

A programação reúne apresentação inédita da troupe Aero Circus, espetáculo de circo feminista, reunião de ex-alunos da Escola de Circo de Londrina, entre outras atrações. Sérgio Oliveira, da ALC, conta que os parceiros do festival – Rede Circo do Mundo Brasil, Pluriverso e Cultivo Comunicação – foram essenciais para viabilizar a realização desta edição.

“Foi um desafio. A gente já tinha tido outras experiências online, mas não com o porte desse festival”, diz ele. “A gente está tendo que aprender a dominar várias tecnologias, coisas do audiovisual, tem feito muitas gravações em vídeo e editado, então é um território que estamos aprendendo ainda”. Por mais um ano, o festival acontece sem patrocínio específico e a ALC precisou fazer acrobacias com recursos de projetos já existentes.

“Isso tem gerado uma maior dificuldade pra gente poder ofertar uma programação de qualidade e até mesmo com uma dimensão maior que a internet propicia”, comenta Oliveira. Na edição passada, o festival envolveu entre 30 e 40 mil pessoas em todos os seus dias de atividades. Na internet, o limite simplesmente deixa de existir.

Confira a programação completa.

Para além das acrobacias

“A educação libertadora do circo” é o tema do debate que abre o festival, hoje, às 16h. A programação segue com uma roda de samba com grupos da Casa Bom Samaritano e Morada de Deus e finaliza às 22h com o Cabaré Virtual de variedades. A programação foi dividida por temas. Com o #CircoemPauta os organizadores pretendem abrir a discussão do circo para além do corpo.

“Ela traz o que algumas pessoas estão chamando de acrobacia mental. Muita gente acha que circo é só corpo, mas é muito mais que isso”, destaca Oliveira. Para ele, a classe artística, de forma geral, minimiza a importância da arte circense ao eleger como prioridade algumas áreas com maior aceitação social. “A gente sabe que existe uma visão distorcida do potencial civilizatório do circo, da capoeira, do hip hop, por exemplo. (Um reflexo disso) mesmo com 15 edições do festival já realizadas a gente não consegue atingir a grande mídia”, lamenta.

Para Oliveira, a pandemia traz a oportunidade de rever políticas públicas voltadas para as periferias, onde a ALC tem grande atuação. Além da Escola de Circo, fundada em 2004 na Zona Norte, a associação mantém projetos em parceria com a Secretaria de Assistência Social em que atende adolescentes, população de rua, idosos e crianças em situação de abrigamento. É a arte do circo ajudando a romper não apenas os limites do corpo, mas também os ciclos de vulnerabilidade.

‘Eu, sem cores, nada seria’

Socióloga usa o olhar colorido com que encara a história de luta de sua própria família para retratar em fotos o cotidiano de mulheres trabalhadoras

Por Mariana Guerin, jornalista e confeiteira em Londrina. Adoça a vida com quitutes e palavras

Uma mulher criada sozinha pela mãe e que se tornou a primeira da família a concluir a universidade. Uma garota que ousou não frequentar as aulas de religião, mas que resgata animais. Uma menina que foi abandonada pelo pai mas que escolheu fotografar o colorido das diferentes realidades das mulheres pobres trabalhadoras braçais. Com apenas 22 anos, Kimberly Nobille tem muita história para contar. E muito exemplo para dar.

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Outubro Rosa: Saúde libera mais de 2 mil exames de mamografia em Londrina

Outros 3 mil exames preventivos de colo de útero estão disponíveis para mulheres ao longo do mês; agendamento deve ser feito nas Unidades de Saúde

Cecília França

A Secretaria de Saúde de Londrina disponibiliza neste mês 2.510 mamografias para mulheres que se enquadram nos critérios para realização anual do exame. A iniciativa faz parte da campanha Outubro Rosa, período de conscientização sobre a prevenção do câncer de mama, e também pode reverter a queda na realização do procedimento decorrente da pandemia do novo coronavírus. Do início do ano até o mês de setembro, o município havia disponibilizado 1.444 mamografias, das quais pouco mais da metade, 746, foi realizada.

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OGPL e Conselho de Transparência vão ajudar eleitores a identificar fake news

Órgãos iniciam hoje, em suas redes sociais, postagem de conteúdos sobre a nocividade das notícias falsas para o processo democrático

Da Redação, com informações da assessoria do OGPL

Combater notícias falsas – as conhecidas fake news – é contribuir para o processo democrático. Com esse entendimento, o Observatório de Gestão Pública de Londrina (OGPL) e o Conselho Municipal de Transparência e Controle Social lançam hoje (15) a ação Desvendando as fake news: uma campanha para combater as notícias falsas. Por meio das redes sociais, as duas entidades vão compartilhar conteúdos informativos voltados tanto para a população em geral quanto para os candidatos.

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Construir conhecimento demanda esforço coletivo

Para a professora Márcia Chiréia, educação é a redenção de um povo e deve ser realizada em conjunto pelo governo, sociedade, escola e família

Por Mariana Guerin, jornalista e confeiteira em Londrina. Adoça a vida com quitutes e palavras

Somos os resultados de nossas escolhas. Mas é possível mesmo escolher se vivemos uma realidade desigual em que poucos têm muitas oportunidades e muitos não têm sequer uma? “Meritocracia em um país desigual é piada. Sou completamente a favor da meritocracia se houve equidade”, declara a educadora Márcia Chiréia, que atua como orientadora de estudos num cursinho pré-vestibular de Londrina. Nesse 15 de outubro, Dia dos Professores, Márcia explica como o estudo e a dedicação dos docentes pode transformar o indivíduo e, por que não, a realidade das famílias brasileiras. Mas a luta é difícil e longa.

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Solidariedade e união garantem festa das crianças na ocupação Marieta

Em meio à crise, moradores contam com doações para uma tarde de guloseimas e alegria

Cecília França

O cheiro de pipoca e cachorro-quente invadia o espaço onde mulheres da ocupação Marieta preparavam, desde cedo, os quitutes da festa do Dia das Crianças, comemorado ontem (12). Um bolo imenso, medindo mais de um metro, coberto com glacê e confeitos coloridos atraia os olhares. Sacolinhas de doces e livros clássicos aguardam em mesinhas para serem entregues às crianças.

Pela primeira vez aquele grupo de mulheres realizou uma festa para os pequenos da ocupação e justamente neste ano atípico, em função da pandemia. Crianças sem escola, muitos adultos sem emprego, receio do que virá com a queda no valor do auxílio emergencial. Doações de um coletivo da sociedade civil – representado na ocasião por Carlos Enrique Santana – e o empenho das mulheres garantiram a comemoração.

“É para a felicidade das crianças e da gente também”, diz a cozinheira Maria Lúcia. Desempregada desde o início da pandemia, Lúcia foi cedo para o fogão. Ela conta que estava prestes a ser registrada no emprego quando o vírus surgiu e veio a demissão. Agora, não tem perspectiva de conseguir uma nova colocação. “Não tem emprego”, afirma. Ela recebeu a doação de três cestas básicas como ajuda nos últimos meses.

Pâmela Aparecida era colega de Lúcia no mesmo restaurante e também foi demitida, um mês após o registro em carteira. Segundo ela, não conseguiu o auxílio emergencial nem o seguro-desemprego. As outras voluntárias, Maria de Fátima, Celma e Célia, também contam histórias de dificuldades. Todas concordam que a pandemia não deve passar tão cedo.

Em frente ao bar improvisado como barraca, as primeiras crianças chegam um pouto tímidas. Aceitam o refrigerante, recusam o cachorro-quente. “Chama todas as crianças lá debaixo”, diz Pâmela. Aos poucos o volume de pessoas aumenta e o clima de confraternização toda conta da rua.

Entre as mães, relatos sobre a falta que faz a escola na rotina dos filhos. Débora Araújo conta que a filha de 4 anos tem estado mais quieta e chorosa. “Ela chora, fala que quer as amiguinhas, a professora. Lá ela brincava, corria, em casa fica mais quieta”, lamenta a mãe. As atividades têm sido enviadas via WhatsApp, mas Débora nem sempre consegue acompanhar.

“Faço quando tenho crédito (no celular). Estamos duas semanas atrasadas”, conta. A filha de 5 anos de Regiane Lima também sente falta da rotina escolar, onde ficava meio período. “Ela sente falta dos amigos”, diz a mãe. A pequena Beatriz confirma: “Sinto falta de brincar”.

Com o filho mais novo, de 2 anos, no colo, Regiane diz que tem conseguido manter as atividades em dia, mesmo não sendo fácil. “Tem esse aqui que também quer atenção, mas estou conseguindo acompanhar”. O menino saboreia um picolé. “Os dentinhos estão nascendo e judiando, tia”, diz ela a mim, encenando uma fala do menino.

Depois da pipoca e do sorvete, uma fila de crianças se forma em frente à barraca para a distribuição do bolo. Os adultos também se deliciam. Na sequência, as voluntárias entregam os presentes: um saquinho de doces e um livro para cada. Na ocupação Marieta, a união deixou mais doce um momento de tantas dificuldades.