Família apresenta ao MP denúncia contra guardas por agressão a adolescente

Caso já foi denunciado a outros órgãos competentes; corregedoria do município investiga responsabilidades

Cecília França

Foto em destaque: reprodução RPC

A família do adolescente de 17 anos agredido por guardas municipais no último fim de semana em Londrina formalizou ontem denúncia no Ministério Público. O caso foi encaminhado, inicialmente, para a 17ª Promotoria que, após análise, o remeteu à 29ª por se tratar de crime contra adolescente.

A peregrinação da família por órgãos competentes teve início ainda no domingo, quando registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia do Adolescente. No dia seguinte a denúncia foi levada à Corregedoria do Município e à Ouvidoria da Guarda Municipal. A vítima também passou por exame de lesão corporal no Instituto Médico Legal (IML).

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Londrinenses relatam potencial transformador do circo

Artistas formados pela Escola de Circo de Londrina contam como a diversão se tornou profissão e mudou suas vidas

Cecília França

A arte encanta, questiona, mobiliza. A arte assusta, surpreende, emociona. A arte tem o potencial de mudar vidas. Foi por meio da arte circense que Luiz Gustavo Moreira, 30, Karol Queisada, 32, Alisson Almeida, 26, e Nicole Feliz Rodrigues, 28, descobriram uma nova forma de viver. Cada um deles desbravou o próprio caminho, aqui ou no exterior. Em comum, têm a formação pela Escola de Circo de Londrina, por onde já passaram cerca de mil alunos somente no curso profissionalizante.

O que começou como uma diversão de crianças e adolescentes, terminou como carreiras e projetos de vida. Luiz e Karol permaneceram em Londrina, onde atuam como artistas e educadores sociais. Luiz relembra que teve contato com técnicas de circo por meio de um projeto social, na Zona Norte da cidade. Encantado, ele passou a levar a arte a sério e, em 2004, aos 14 anos, foi convidado a frequentar a recém fundada Escola de Circo, na época na Avenida Higienópolis.

“As aulas aconteciam todos os dias. Foi uma época de bastante esforço. Eu tinha, às vezes, que sair aqui da Zona Norte até a região Central a pé. Foram passando os anos, a formação foi ficando mais intensa e, em 2006, com 16 anos, eu já comecei a fazer uns pequenos trabalhos, que, inclusive, ajudavam a bancar o passe para eu ir treinar”, relembra.

No ano seguinte, surgiu o primeiro trabalho internacional, em festivais da Argentina e Paraguai, um marco na vida do jovem. “Foi uma experiência incrível porque, nunca na minha vida eu tive a oportunidade, por exemplo, de ficar hospedado em um hotel. Foi muito gratificante no final da adolescência poder mostrar para a minha família que aquela atividade que eu fazia poderia se tornar meu sustento”.

Luiz aprendeu capoeira, ginástica artística, circo e dança de rua. Em 2013, ingressou no curso de Educação Física na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e seguiu na qualificação como arte educador e formador de educadores, participando de cursos em instituições de referência, como Rede Circo Mundo Brasil e Cirque Du Soleil.

Atualmente, o artista atua como arte educador também em projetos vinculados à Secretaria de Assistência Social, trabalhando em acolhimentos, casas lares e abrigos. “Uma experiência incrível que venho tendo de 2019 pra cá”, define.

Luiz em apresentação em uma comunidade de Cambé. Foto: arquivo pessoal

Artista circense, artesã, mãe. A adolescente Karol Queisada, então moradora da Zona Norte de Londrina, iniciou sua caminhada no circo aos 16 anos sem imaginar que poderia se tornar uma profissão.

“Entrei na Escola de Circo no ano de 2004, logo quando inaugurou, cursei os quatro anos e fui da primeira turma de alunos formados pela escola”, relembra. “O que me motivou foi que sempre gostei dos movimentos de plasticidade e elegância das ginastas e vi que no circo eu poderia aprender um pouco disso como artista circense”.

O que aprendeu Karol mostra nas apresentações da Troupe Aerocircus e também ensina como educadora da Escola de Circo.

“O circo certamente me abriu várias possibilidades e me mostrou um mundo mágico que eu não conhecia. Aprendi muito, não só tecnicamente, mas como pessoa também”, afirma. “Hoje vivo de circo com muito orgulho e amo o que faço”, garante.

Karol Queisada em apresentação. Foto: Ariel Amorin

Artista do Circo dos Sonhos e residente no Rio de Janeiro, o londrinense Alisson Almeida teve seu primeiro contato com o circo ainda menino, aos 11 anos, em um projeto social na Zona Norte. No início era uma brincadeira, um passatempo com amigos, mas o tempo foi passando e o interesse dele aumentando. Depois de dois anos, foi chamado para a Escola de Circo.

“Eu iria treinar duas vezes por semana, logo me interessei e fui. A evolução das aulas foram tão rápidas que já fui chamado para fazer parte do curso profissionalizante da escola, onde eu fiquei por três anos e meio”, relembra. A primeira oportunidade profissional – e, consequentemente, o primeiro salário – veio com a Troupe Aerocircus.

“Assim pude ajudar minha família que no início achou que era apenas uma brincadeira de criança. Foi muito bom porque eu pude comprar meu primeiro celular e com meu próprio dinheiro”, conta. Quando completou 18 anos Alisson recebeu uma bolsa de estudos de circo de quatro anos no Rio de Janeiro. Depois dessa experiência – afirma- viu que o circo era realmente seu sustento e sua arte.

“E não podendo esquecer onde tudo começou em minha vida circense que foi na Escola de Circo de Londrina. A escola foi realmente uma escola para mim, tanto como profissional quanto pessoal. Cada momento e aprendizado vivido ali foi válido para ser o artista e pessoa que sou hoje. Só tenho a agradecer a Deus e depois todos os responsáveis que fizeram parte disso e mudaram a minha e outras vidas”, emociona-se o artista.

Alisson Almeida no Circo dos Sonhos. Foto: Micael Bergamichi

“Começar a fazer circo foi como fazer terapia. Aprendi a me aceitar como pessoa, aumentou a minha autoestima e, em consequência, até o meu andamento escolar melhorou. Aprendi a me relacionar com as outras pessoas, fiz novos amigos, e isso para uma criança ou adolescente são coisas muito importantes”.

O relato é da artista Nicole Felix Rodrigues, formada pela Escola de Circo de Londrina em 2012 e residente hoje na Itália, onde trabalha com três companhias independentes. “Falo cinco línguas, já viajei para muitos lugares no mundo, e vivo do circo desde quando comecei na escola em Londrina”, relembra.

Nicole diz ter dificuldade para expressar em palavras a gratidão que sente pelo período vivido na escola de circo. “Minha vida mudou de verdade completamente depois que passei por ali”. Ela foi uma das participantes do Cabaré dos Ex-alunos, realizado nesta quarta-feira (28) dentro da programação do Festival de Circo de Londrina. “É muita emoção e nostalgia”, declara.

A artista nunca duvidou que era possível viver do circo, mas conta que enfrentou resistência da família. “Hoje entendo que era somente falta de informação. O ‘mercado’ circense é enorme e você pode trabalhar em muitas áreas. É todo um mundo a descobrir”, explica.

Quem se aventura?

Nicole em apresentação com Luca Lugari. Foto: Franco Bertozzi

Caso de mãe que perdeu a guarda do filho no Paraná mobiliza mulheres na rede

Paraguaia, Patrícia Garcia aponta preconceito étnico-religioso no processo; denúncia a acusa de negligência nos cuidados com o bebê

Cecília França

Há quase três meses, a paraguaia Patrícia Garcia, moradora de Foz do Iguaçu (Oeste do Paraná), divulga na internet sua luta para reaver a guarda do filho, retirado dela e entregue para o pai com pouco mais de 1 ano, ainda em fase de amamentação. Em seu perfil no Instagram ela tem mobilizado milhares de pessoas, especialmente mulheres, de várias partes do país em torno do caso. Um abaixo-assinado virtual que pede a reversão da guarda somava ontem 107 mil assinaturas.

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Candidaturas trans batem recorde em 2020

Número de concorrentes no pleito municipal cresce 209% em relação a 2016

Da Redação, com informações da Antra

As eleições municipais de 2020 têm, ao menos 281 candidaturas de pessoas trans em todo o país, de acordo com levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). O número representa um crescimento de 209% em relação a 2016, último pleito municipal, quando foram identificadas 89 candidaturas, com oito eleitos. O levantamento segue em atualização.

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Paraná monitora 25 casos suspeitos de reinfecção pelo novo Coronavírus

Estado aguarda protocolo do Ministério da Saúde enquanto negocia parceria para sequenciamento genético viral de confirmação

Cecília França

*Atualizada em 27/10 às 16h para inclusão de nota do Ministério da Saúde

A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) está acompanhando 25 casos suspeitos de reinfecção pelo novo Coronavírus. O Estado aguarda a definição de um protocolo por parte do Ministério da Saúde que padronize a identificação desses casos. Enquanto isso, negocia parceria entre o Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen) e o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP)/Fiocruz, para a realização do sequenciamento genético do vírus, necessário para confirmar uma possível reinfeccção.

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Auxílio emergencial: antes, agora e depois

Benefício tirou 15 milhões de brasileiros da pobreza, mas redução em setembro e encerramento no fim do ano geram preocupação

Fábio Galão

Em setembro, o governo federal começou os pagamentos da segunda fase do auxílio emergencial, chamado residual, com parcelas no valor de R$ 300. Na primeira fase, quando o benefício era chamado de auxílio emergencial pleno, foram pagas parcelas de R$ 600. Principal medida do governo Jair Bolsonaro para mitigar os estragos econômicos da pandemia de covid-19 no Brasil, o auxílio foi o principal responsável pela melhora na avaliação do presidente e deve impedir que a recessão brasileira seja ainda maior em 2020.

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Outubro Rosa: Saúde libera mais de 2 mil exames de mamografia em Londrina

Outros 3 mil exames preventivos de colo de útero estão disponíveis para mulheres ao longo do mês; agendamento deve ser feito nas Unidades de Saúde

Cecília França

A Secretaria de Saúde de Londrina disponibiliza neste mês 2.510 mamografias para mulheres que se enquadram nos critérios para realização anual do exame. A iniciativa faz parte da campanha Outubro Rosa, período de conscientização sobre a prevenção do câncer de mama, e também pode reverter a queda na realização do procedimento decorrente da pandemia do novo coronavírus. Do início do ano até o mês de setembro, o município havia disponibilizado 1.444 mamografias, das quais pouco mais da metade, 746, foi realizada.

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Média de novos casos de Covid cai 63% em Londrina em duas semanas

Número de internações (64) é o menor desde 24 de agosto

A média móvel diária de novos casos de Covid em Londrina, 47, é a menor desde pelo menos 11 de agosto, quando estava em 54. Ela caiu 63% na comparação com 14 dias atrás (129). A média móvel é a soma dos novos casos nos últimos sete dias dividida por sete.

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Caso Robinho evidencia a moral relativa do futebol

Volta do atacante ao Santos mesmo após condenação por estupro na Itália gera onda de indignação

Fábio Galão, especial para a Lume

O assunto mais comentado no futebol brasileiro desde o último fim de semana não é nenhum golaço ou erro de arbitragem. No último sábado (10), o Santos anunciou o retorno do atacante Robinho, um dos maiores ídolos dentro de campo da história recente do clube. Entretanto, a contratação vem sendo amplamente criticada nas redes sociais, pela imprensa e por grande parte dos torcedores porque o jogador foi condenado em 2017 pela Justiça da Itália a nove anos de prisão por participação em um estupro coletivo em 2013, quando jogava no país europeu pelo Milan. Embora a defesa alegue que foi uma condenação em primeira instância e tenha apresentado recurso, o fato de Robinho ainda ter mercado nos grandes clubes brasileiros criou um debate sobre a moral relativa no mundo do futebol.

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Solidariedade e união garantem festa das crianças na ocupação Marieta

Em meio à crise, moradores contam com doações para uma tarde de guloseimas e alegria

Cecília França

O cheiro de pipoca e cachorro-quente invadia o espaço onde mulheres da ocupação Marieta preparavam, desde cedo, os quitutes da festa do Dia das Crianças, comemorado ontem (12). Um bolo imenso, medindo mais de um metro, coberto com glacê e confeitos coloridos atraia os olhares. Sacolinhas de doces e livros clássicos aguardam em mesinhas para serem entregues às crianças.

Pela primeira vez aquele grupo de mulheres realizou uma festa para os pequenos da ocupação e justamente neste ano atípico, em função da pandemia. Crianças sem escola, muitos adultos sem emprego, receio do que virá com a queda no valor do auxílio emergencial. Doações de um coletivo da sociedade civil – representado na ocasião por Carlos Enrique Santana – e o empenho das mulheres garantiram a comemoração.

“É para a felicidade das crianças e da gente também”, diz a cozinheira Maria Lúcia. Desempregada desde o início da pandemia, Lúcia foi cedo para o fogão. Ela conta que estava prestes a ser registrada no emprego quando o vírus surgiu e veio a demissão. Agora, não tem perspectiva de conseguir uma nova colocação. “Não tem emprego”, afirma. Ela recebeu a doação de três cestas básicas como ajuda nos últimos meses.

Pâmela Aparecida era colega de Lúcia no mesmo restaurante e também foi demitida, um mês após o registro em carteira. Segundo ela, não conseguiu o auxílio emergencial nem o seguro-desemprego. As outras voluntárias, Maria de Fátima, Celma e Célia, também contam histórias de dificuldades. Todas concordam que a pandemia não deve passar tão cedo.

Em frente ao bar improvisado como barraca, as primeiras crianças chegam um pouto tímidas. Aceitam o refrigerante, recusam o cachorro-quente. “Chama todas as crianças lá debaixo”, diz Pâmela. Aos poucos o volume de pessoas aumenta e o clima de confraternização toda conta da rua.

Entre as mães, relatos sobre a falta que faz a escola na rotina dos filhos. Débora Araújo conta que a filha de 4 anos tem estado mais quieta e chorosa. “Ela chora, fala que quer as amiguinhas, a professora. Lá ela brincava, corria, em casa fica mais quieta”, lamenta a mãe. As atividades têm sido enviadas via WhatsApp, mas Débora nem sempre consegue acompanhar.

“Faço quando tenho crédito (no celular). Estamos duas semanas atrasadas”, conta. A filha de 5 anos de Regiane Lima também sente falta da rotina escolar, onde ficava meio período. “Ela sente falta dos amigos”, diz a mãe. A pequena Beatriz confirma: “Sinto falta de brincar”.

Com o filho mais novo, de 2 anos, no colo, Regiane diz que tem conseguido manter as atividades em dia, mesmo não sendo fácil. “Tem esse aqui que também quer atenção, mas estou conseguindo acompanhar”. O menino saboreia um picolé. “Os dentinhos estão nascendo e judiando, tia”, diz ela a mim, encenando uma fala do menino.

Depois da pipoca e do sorvete, uma fila de crianças se forma em frente à barraca para a distribuição do bolo. Os adultos também se deliciam. Na sequência, as voluntárias entregam os presentes: um saquinho de doces e um livro para cada. Na ocupação Marieta, a união deixou mais doce um momento de tantas dificuldades.