Do queer ao cu: uma deculonialidade necessária

Por Régis Moreira*

As questões da sexualidade e gênero são éticas e políticas. É do campo do direito ao existir e resistir à lógica sistêmica capitalística e patriarcal de negação dos direitos sobre os corpos, sobre as vidas, das maquinarias reprodutivas de controle das dominações e do poder, em lógicas normativas que julgam certas vidas valerem menos que outras, que se enquadram nas normas capitalistas, neoliberais, religiosas e morais. As vidas que fogem a esses encaixotamentos, são estigmatizadas e consideradas menos, descartáveis, sem direitos, imprestáveis, monstruosas, defeituosas. Considerados diz-sonantes, assim são considerados pela boca do outro, do colonizador, que verticalmente determina e valida a valoração das existências.

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O aniversário da Terra

Por Régis Moreira*

Que a raiva marrete as pedras transformando-as em poesia. Só ela destrói os brutos. Eles tremem diante da arte, do amor, do sexo e do gozo. Eles se derretem diante da pulsão de possibilidades que o belo abre, conecta, faz viver intensamente, vibra ♡

Hoje é aniversário da Terra! Pela vida que insiste e gira ♡ certeza de que tudo roda, ciranda e muda… escutemos o som da Terra, sente que é noite e depois dia novamente. Órbita dos planetas.

Hoje nos despedimos de Peixes e amanhã já estaremos em Áries. A Terra é de Áries. Não sei o que isso significa, mas tem uma luz dourada indicando que amanhã é outono e o verão ficará nas lembranças e nas fotos das retinas.

Tudo passa e eles passarão todos, um a um, e nós, passarinhes, como já disse certa vez o poeta no masculino…

*Régis Moreira, Comunicólogo Social e Gerontólogo, doutor pela ECA (USP) em Ciências da Comunicação, docente do Depto de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde atua como pesquisador na área de comunicação, envelhecimento e gênero. Pesquisador do Observatório Nacional de Políticas Públicas e Educação em Saúde.

O horizonte inalcançável da comunicação diante da supervalorização da idiotia

Por Régis Moreira*

O homem é um animal social e para o filósofo, Vilém Flusser, ele consegue se libertar de sua idiotia (privatperson) a partir dos relacionamentos que estabelece com os outros e com o mundo (zoon politikon).  Para ele, o homem é um “idiota (na origem da palavra, uma pessoa privada) caso não tenha aprendido a se servir dos instrumentos de comunicação, como, por exemplo, a língua.  “A idiotia, o ser homem imperfeito, é falta de arte”. A comunicação humana não é natural, é uma construção artificial e codificada, que pressupõe compartilhamento de códigos e os símbolos, em contextos e culturas específicas. Nada tem sentido a priori, mas o sentido é dado às coisas pelos sistemas de codificação do mundo, a partir das abstrações desenvolvidas pelos próprios humanos.

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Vingamos 2020 para um 2021 que medre!

Por Régis Moreira*

Quem de nós, em nossos piores pesadelos, poderia imaginar um 2020 com toda sua complexidade?!?! Usei a palavra complexidade para não explicitar o terror necropolítico em que fomos enfiados e vamos sendo empurrados ladeira abaixo pelos desgovernos da morte. O preço que todos pagamos é alto, as vidas que perdemos diante de respostas relapsas de quem dá ombros pro que há de mais raro, que é a vida, e pelos que deveriam zelar por ela, nas condições de representação que lhes foram outorgadas, porém tivemos que conviver com os duros golpes diários de um descuido constante.

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Jesus: um perseguido político e filho de uma família nada tradicional

Por Régis Moreira*

Eu queria escrever sobre tantas coisas nesta semana. Pensei em escrever sobre a linguagem neutra e a tentativa de sua proibição. Quis escrever sobre os descalábrios e desgovernos que parecem aliados ao coronavírus, politizando e dificultando as imunizações vindouras, com as vacinas que batem à porta. Pensei em escrever sobre o tal termo de responsabilidade anunciado, sobre angústia, ansiedade… Pensei em escrever sobre os mortos vítima da Covid-19. Quis escrever sobre lgbtqia+fobia, sobre gordofobia ou sobre o desmonte dos cuidados em saúde mental, as ameaças de extinção do SUS. Quis falar do Beto, da Emilly, da Rebecca, do Raul, dos indígenas ameaçados… sobre os genocídios, os golpes, os toma lá dá cá, os feminicídios, as queimadas de nossas florestas, as ameaças de morte, os desmontes das políticas públicas, os fascismos, os neoliberalismos… tudo tão duro, tudo tão pesado pra essa data em que nos encontramos há uma semana do Natal. Para os cristãos e não cristãos, dezembro é um mês em que nos colocamos em revisão, em avaliação, fazendo um  balanço de como foi o nosso ano e criando as mais nobres intenções para o ano que se iniciará… Uma espécie de sentimento vai tomando conta da gente, uma solidariedade, um desejo de bem querer, de estar junto dos que amamos, de confraternizarmos mais um ciclo vencido. E esse ano, as festas e manifestações de natal serão tão diferentes… nossa maneira de demonstrar afeto será tão determinada pelos cuidados que o coronavírus implica. Abraçar, dará lugar pro namastê. Aglomerar, dará lugar pra reuniões em vídeo. Estar junto terá outras configurações não presenciais e tecnológicas, que não significarão abandono, nem desamor, mas pelo contrário, incidirá em cuidado e demonstração do mais sincero amor pela vida. A sua vida e a dos outros. E mesmo nas pequenas reuniões, o cuidado constante, para que possamos comemorar outros natais, nos próximos anos, daquela maneira que bem gostamos, abraçados e tudo mundo junto e misturado. Mas por enquanto o momento exige cuidados especiais.

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