‘O espontâneo é a minha linguagem’

A maternidade levou a jornalista e fotógrafa Fernanda Bressan a trocar os textos pelas imagens para seguir contando histórias reais

Por Mariana Guerin*

Fotografar crianças sorrindo espontaneamente é muito mais do que um trabalho para a brasiliense radicada em Londrina Fernanda Bressan, 41 anos, mestre em comunicação visual. Com um olhar apurado pela maternidade, que lhe trouxe a filha Laís há sete anos, ela trocou o jornalismo diário pela fotografia e hoje é responsável por construir memórias de dezenas de famílias londrinenses.

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Aleluiah

Por Carlos Monteiro*

Malhar o Judas – são muitos necessários atualmente, em todas as esferas – era uma diversão sem fim na minha adolescência. Passávamos a quinta-feira, no subúrbio carioca do Engenho de Dentro, Zona Norte da cidade, onde moravam meus avós, juntando trapos, calças velhas, sacos de estopa e aninhagem, material para enchimento e tudo mais que rendesse um bom boneco-representante de algum “desafeto”.

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Respeitem meus cabelos, Brancos!

Por Antonio Rodríguez*

Nossos cabelos são coroas
Nascidas de nosso sangue real
Que corre nas veias da África
Que são as nossas veias.

É fácil falar isso
Encarar nossos crespos no espelho
Amar-se e amá-los
Dedicar a atravessar o garfo entre os fios
E ver o poder crescendo
Junto com o volume que nos encanta.

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Do queer ao cu: uma deculonialidade necessária

Por Régis Moreira*

As questões da sexualidade e gênero são éticas e políticas. É do campo do direito ao existir e resistir à lógica sistêmica capitalística e patriarcal de negação dos direitos sobre os corpos, sobre as vidas, das maquinarias reprodutivas de controle das dominações e do poder, em lógicas normativas que julgam certas vidas valerem menos que outras, que se enquadram nas normas capitalistas, neoliberais, religiosas e morais. As vidas que fogem a esses encaixotamentos, são estigmatizadas e consideradas menos, descartáveis, sem direitos, imprestáveis, monstruosas, defeituosas. Considerados diz-sonantes, assim são considerados pela boca do outro, do colonizador, que verticalmente determina e valida a valoração das existências.

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Gentileza gera mais amor, por favor

Por Carlos Monteiro*

O Profeta Gentileza e sua delicadeza em flores astrais, físicas e espirituais, distribuídas e semeadas, ao longo de anos, pela Cidade Maravilhosa e em terras de Araribóia, foi telúrico, metafórico e visceral. Mostrou ao Rio de Janeiro que, se quisermos “Celacanto não provoca maremoto”, não provoca sismos, não provoca guerras. Muito pelo contrário, a gentileza é agente provocadora de paz e gratidão… era José Agradecido e enobrecido, pura ternura.

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Os sons do silêncio, um amigo que nunca trai

Por Carlos Monteiro*

Antes da proliferação do ‘home office’, que, ao que tudo indica, veio para ficar, os sons nossos de cada dia se limitavam ao liquidificador-triturador, poderoso, da vizinha do terceiro andar. Moça faceira, extremamente simpática e gentil, daquelas que vai para academia diariamente, anda de ‘bike’ e é chegada a uma comida natureba, leia-se vegetariana saudável. Pontualmente às 6h, como um marcador de tempo compassado de amor, lá vinha o som. Com certo ritmo, tinha até uma melodia. Era, como me confessou um dia, o seu “detox matinal”, tomado em jejum. Uma ‘mistureba’ de ingredientes, alguns impronunciáveis, cuja receita fez questão de me ofertar, indicando uma vida mais saudável.

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O aniversário da Terra

Por Régis Moreira*

Que a raiva marrete as pedras transformando-as em poesia. Só ela destrói os brutos. Eles tremem diante da arte, do amor, do sexo e do gozo. Eles se derretem diante da pulsão de possibilidades que o belo abre, conecta, faz viver intensamente, vibra ♡

Hoje é aniversário da Terra! Pela vida que insiste e gira ♡ certeza de que tudo roda, ciranda e muda… escutemos o som da Terra, sente que é noite e depois dia novamente. Órbita dos planetas.

Hoje nos despedimos de Peixes e amanhã já estaremos em Áries. A Terra é de Áries. Não sei o que isso significa, mas tem uma luz dourada indicando que amanhã é outono e o verão ficará nas lembranças e nas fotos das retinas.

Tudo passa e eles passarão todos, um a um, e nós, passarinhes, como já disse certa vez o poeta no masculino…

*Régis Moreira, Comunicólogo Social e Gerontólogo, doutor pela ECA (USP) em Ciências da Comunicação, docente do Depto de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde atua como pesquisador na área de comunicação, envelhecimento e gênero. Pesquisador do Observatório Nacional de Políticas Públicas e Educação em Saúde.