Quarto do pânico

Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Os últimos dias foram extremamente agitados no campo político da América Latina, o que nos fez refletir e, claro, ter vontade de escrever sobre Constituição, democracia e cláusulas pétreas. Então, caro leitor: “ Senta que lá vem história!”.


O primeiro grande acontecimento dos últimos dias foi o julgamento no STF das Ações Declaratórias de Constitucionalidade que versavam sobre a prisão apenas após o trânsito em julgado da sentença condenatória, ou seja, a pessoa poder recorrer em liberdade até a última instância. 

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Ira dos conservadores se volta contra o Colégio Hugo Simas

Mãe de aluna reclama de “bando de vagabundos” que apresentou a “porcaria de uma palestra”; na verdade, era peça do FILO

Nelson Bortolin

Em 2016, a peça ‘O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu’, que retratava a história de Jesus como uma transexual, virou escândalo em Londrina. Era a estreia nacional do espetáculo no festival internacional de teatro, o FILO. Na edição de 2017 do evento, uma performance em que o ator aparecia nu dentro de uma bolha de plástico terminou na delegacia, após denúncia feita pela população.

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Cinquenta famílias rurais são despejadas de fazenda do grupo Atalla em Alvorada do Sul

Apesar de ser considerada improdutiva pelo Incra, área não foi destinada para a Reforma Agrária

Cecília França, com informações da assessoria do MST

Cerca de 200 policiais, 60 viaturas e integrantes da Tropa de Choque realizaram, na última quinta-feira, o despejo das famílias do acampamento Ester Fernandes, em Alvorada do Sul. Elas ocupavam a Fazenda Palheta, de posse do grupo Atalla, há 10 anos e agora estão alojadas, provisoriamente, no assentamento Iraci Salete, também em Alvorada.

A área de 692 hectares foi declarada como grande latifúndio improdutivo pelo Incra em 2008 e ocupada pelas famílias de trabalhadores rurais sem terra em 2009. O MST argumenta que, além da improdutividade, o grupo Atalla, proprietário da Usina Central do Paraná, deve cerca de R$ 650,2 milhões para a União e foi flagrado com trabalhadores em situação análoga à escravidão, a partir de investigação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego, do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal.

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Sangue negro

*Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Na coluna passada, falamos sobre crise climática. E faz todo sentido, pois um meio ambiente equilibrado é um direito humano, essencial para nossa existência. Infelizmente, precisamos retomar o assunto em razão da tragédia ambiental que nos assola.

Há algumas semanas, os jornais brasileiros têm acompanhado um derramamento de petróleo cru nos mares do Nordeste. Todos os estados nordestinos foram afetados. Os danos, ainda, são desconhecidos – ou pouco calculados.

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Mais de 50 famílias do MST resistem a despejo em fazenda do grupo Atalla, em Alvorada do Sul

Ocupação existe desde 2009 em área considerada improdutiva pelo Incra; ação de reintegração de posse pode ser executada a qualquer momento

Cecília França – com informações da assessoria do MST

*atualizada em 24/10 às 16h

Mais de 50 famílias de trabalhadores rurais resistem à ameaça de despejo em área do grupo Atalla, em Alvorada do Sul, região metropolitana de Londrina. A Fazenda Palheta, de 692 hectares, foi declarada pelo Incra como grande latifúndio improdutivo em 2008. No ano seguinte nasceu a ocupação Ester Fernandes, onde vivem, atualmente, 150 pessoas.

A ameaça de despejo começou na última segunda-feira, quando cerca de 10 viaturas do 15º Batalhão da Polícia Militar e um ônibus do próprio grupo Atalla foram até a entrada da comunidade para realizar o despejo, no entanto, a chuva forte que atingiu a região impediu a execução. As famílias permanecem na comunidade para resistir ao despejo.

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Polícia apresenta homem que confessou ter matado o jovem Hannan

Delegado-chefe da Polícia Civil não descarta homofobia como motivação para assassinatos

Foram duas mortes por enforcamento com cordão em menos de dez dias

Coletivo Movimento Construção e Mães pela Diversidade divulgam notas de pesar

Nelson Bortolin

Será apresentado nesta quarta-feira, às 9 horas, na sede da 10ª Subdivisão Policial, o homem que confessou ter matado o jovem Hannan Silva, 21 anos, cujo corpo foi encontrado nesta terça-feira (22), por volta das 13 horas, na Praça Rocha Pombo, no centro da cidade.

Ele foi morto enforcado por um cordão, da mesma forma que Fábio Abila, 49 anos, encontrado morto no Bosque Central, segunda-feira passada, dia 14. Abila foi visto pela última vez na Parada LGBT, realizada em Londrina, na véspera.

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Número de mortes em confronto com a Polícia é o dobro do registrado em 2018

De janeiro a setembro, foram 35 casos contra 17 no mesmo período do ano passado

Nelson Bortolin

O número de mortes violentas na cidade caiu 13% de janeiro a setembro deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 68 em 2018 e 59 em 2019. São casos de assassinatos, lesões corporais seguidas de morte, latrocínio, e confrontos com a Polícia. Isoladamente, o número de mortes nos confrontos com a Polícia dobrou de 17 para 35, no mesmo período.

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Apocalipse

Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Greta Thunberg, uma jovem de 16 anos, chamou atenção do mundo inteiro para a catástrofe climática que se aproxima. Mais do que chamar a atenção do mundo, a adolescente despertou a ira de líderes mundiais que insistem em negar aquilo que ela e cientistas do mundo inteiro anunciam a plenos pulmões.

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Precariedade dos serviços públicos e desejo de mudar de vida estão no cotidiano das pessoas em situação de rua

Pesquisa POP Rua, realizada em Londrina, traz dados importantes sobre esta população e será apresentada nesta segunda (14) em Curitiba

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

O município de Londrina carecia de dados consistentes sobre sua população em situação de rua. Afinal, quantas pessoas compõem este grupo na cidade? Onde se acomodam? Que apoio recebem do poder público? Sem estas respostas a formulação de políticas públicas parecia inócua. Para levantar estes dados foi realizada a Pesquisa POP Rua, com a participação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), do Ministério Público de Londrina, da Defensoria Pública, do Centro Pop (Secretaria Municipal de Assistência), do Movimento Nacional dos Moradores de Rua e da Unopar. Os resultados foram apresentados localmente no final do mês de abril e hoje parte dos pesquisadores os apresentam em Curitiba, na sede do Ministério Público do Estado do Paraná (MPE).

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A carne mais barata do mercado

*Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

“Nossas crianças sonha que quando crescer vai ter cabelo liso / Sem debater fatos, que a fama da minha cor fecha mais portas que zelador de orfanato” (Emicida)

Agatha tinha 8 anos, falava inglês, fazia balé e gostava das sextas-feiras – era o dia que seu pai lhe dava dinheiro para comprar lanche na escola. Agatha era uma menina feliz, como relataram seus pais e avô na última semana. Agatha não tinha consciência que nada disso importava, pois sua cor era um fator impeditivo, um fator socialmente negativo, o motivo que lhe tiraria a vida. Agatha foi covardemente assassinada pela PM do Rio de Janeiro, numa sexta-feira – o dia que tanto gostava. Ela voltava pra casa com a mãe.

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