Possibilidade de demissão em massa leva trabalhadores a protestarem na Vikstar

Rede Lume ouviu ex-funcionários da contact center que relatam desrespeito a normas trabalhistas e sanitárias durante a pandemia

Murilo Pajolla

Foto em destaque: Bruno Mazzoni

Submetidos a atraso de salários e intensa pressão no cotidiano, os mais de mil funcionários da Vikstar de Londrina convivem, no Dia do Trabalho, com o medo do desemprego. Quase 20 dias após o anúncio do encerramento do contrato com a Vivo, única cliente da contact center, a categoria ainda não recebeu respostas concretas.

Com o mote “Comida no Prato e Vacina no Braço”, trabalhadores marcaram um protesto em frente à empresa neste 1º de Maio, às 12h. “São 1.200 famílias que ficarão desamparadas com o fechamento da empresa, uma vez que a previsão é de demissão em massa”, alerta a ex-funcionária Andressa Stefani, uma das organizadoras da manifestação.

Continuar lendo “Possibilidade de demissão em massa leva trabalhadores a protestarem na Vikstar”

Vocês aguentariam?

Por Antonio Rodríguez*

Os preto é foda!
E vocês amam os pretos
Amam nossa cultura
E nem escondem isso
Tá em todo canto
Tudo que vocês roubaram.

É o sonho de vocês
Ter essa cor que fascina
A beleza da melanina
A pele que o sol ilumina
A grandiosidade da Terra divina.

Continuar lendo “Vocês aguentariam?”

Londrina ganha Observatório de Feminicídios

Organização, cujo nome homenageia uma sobrevivente de feminicídio, busca monitorar e prevenir a forma mais vil de violência contra mulheres

Cecília França

A mobilização de um grupo de mulheres por justiça para Cidnéia Aparecido Mariano da Costa, vítima de feminicídio tentado em Londrina, repercutiu por toda a sociedade em janeiro deste ano e se tornou semente para a criação do Néias – Observatório de Feminicídios Londrina, lançado hoje. Por meio de site próprio, redes sociais e ações de mobilização, o observatório pretende sistematizar, analisar e dar visibilidade a dados sobre feminicídios ocorridos no município, produzindo conhecimentos que subsidiem estratégias de monitoramento e de prevenção da violência feminicida. Também será feito um acompanhamento de processos e audiências judiciais e a publicização do fluxo de atendimento para as mulheres e familiares atingidos por práticas de violência feminicida.

Continuar lendo “Londrina ganha Observatório de Feminicídios”

Acordos para redução de jornada e salário terão menor abrangência em 2021

Medida Provisória publicada hoje prevê flexibilizações temporárias nas leis trabalhistas para retomada da economia durante a pandemia, mas ainda é paliativa

Mariana Guerin

Foto em destaque: Marcelo Casal/Agência Brasil

Foi publicada nesta quarta (28/4), no Diário Oficial da União, a Medida Provisória 1.046/2021, a qual estabelece flexibilizações temporárias na legislação trabalhista que poderão ser adotadas pelos empregadores por até 120 dias. A medida foi assinada pelo presidente Jair Bolsonaro na terça-feira, quando também anunciou a retomada do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego (BEm), o qual permite às empresas a realização de acordos para redução de jornada e salário de funcionários ou a suspensão dos contratos de trabalho. Por meio da edição da MP 1.045/2021, o BEm também entra em vigor de forma imediata e terá duração inicial de 120 dias.

Continuar lendo “Acordos para redução de jornada e salário terão menor abrangência em 2021”

Movimento quer câmeras nos uniformes dos PMs em Londrina

Entidades também articulam a criação de um órgão que se dedique a atender vítimas de violência policial e familiares

Nelson Bortolin e Cecília França

O uso de câmeras acopladas aos uniformes dos policiais é uma reivindicação de familiares de mortos em confrontos com a Polícia e de representantes de movimentos de direitos humanos de Londrina. E ganhou força após a morte do jovem Cristiano Rodrigues de Jesus, de 20 anos, dia 11 de abril, no Jardim Califórnia (zona leste), e dos protestos de moradores realizados nos dias seguintes.

Continuar lendo “Movimento quer câmeras nos uniformes dos PMs em Londrina”

A despedida tem trilha sonora?

Por Carlos Monteiro*

“La poesia tiene una comunicación secreta con los sufrimientos del hombre. Amar es breve, olvidar lleva tempo.” – Pablo Neruda

Fico imaginando a despedida com uma trilha sonora. Aquela sensação de falha, de perda. A impressão de já ir tarde ou de que não devia ter vindo. Prenúncio de Odete Lara, de tristeza e falta inevitável e inefável.

Alguns poetas descreveram, musicalmente, esta vereda desarmoniosa. São canções que, em algum momento, “ouvimos” num background imaginário, junto com a lágrima fugidia que disfarçadamente enxugamos, mas que insistiu em permanecer marejando sofridamente nosso olhar.

Continuar lendo “A despedida tem trilha sonora?”

‘Enquanto eu tiver forças, continuarei lutando’

Atuando na acusação de crimes contra mulheres ou cometidos por policiais, a advogada londrinense Nayara Vieira vê no direito a ferramenta para criar uma sociedade mais justa

Por Mariana Guerin*

“Adolescente, eu era muito encrenqueira, gostava de resolver o problema alheio. Talvez aí já me via meio advogada.” Revisitando sua juventude, a londrinense Nayara Larissa de Andrade Vieira, 28 anos, define como se deu sua escolha profissional. Atendendo clientes em penitenciárias e cadeias e assistindo na acusação de crimes contra mulheres, a advogada representa o frescor que as causas humanitárias precisam para driblar o sistema.

Continuar lendo “‘Enquanto eu tiver forças, continuarei lutando’”

Primeiros passos

Por Antonio Rodriguez*

Completamos 521 anos ontem
Não sei se comemoramos
Não existem motivos sinceros
Nada real para ser comemorado.
Mas vocês ainda são brancos.

Se vocês não podem comemorar
Eu sequer consigo existir
Sobreviver diariamente
Sem temer a minha morte
E isso não tem a ver com pandemias.

Genocídio já não é uma pandemia
Nem uma epidemia
Sequer o apocalipse
É a nossa rotina.

Ver tantos corpos negros
Preenchendo mais covas do que existem
E os jornais sequer nos expõem
Nem sequer em notas de rodapé
Se dignam a escrever nossos nomes.

Com síndrome de vira-latas
Nos vimos tão felizes em comemorar a condenação
De um porco que já devia estar morto.

Parece tão importante
Tão relevante ver apodrecer
Detrás das grades que tantos de nós
Que foram injustamente condenados
Apodreceram também.

Mas se lembrar
Que apenas 1 hora antes de lágrimas de alegria rolarem
Muitas mais lágrimas de tristeza caíram
Mancharam o solo da nossa mãe Terra
Como ácido caindo de nossos olhos
Completamente fermentados de ódio.

E uma semana
E um mês antes
E um ano antes
E uma década antes
E um século antes
E meio milênio antes.

Porque nós choramos há 500 anos.

E depois de 521 anos de história
Nós ainda estamos dando os primeiros passos
Aqui, nos EUA e por todo o globo
Os brancos ainda estão dando os primeiros passos.

E eu antes de dar meus primeiros passos
Já carregava o RG no bolso
Já sabia responder a polícia
E já tinha noção da violência que permearia minha vida.
Antes dos primeiros passos.

A branquitude dá os primeiros passos ainda, e por isso eu tive que aprender
desde cedo que eu não ia poder dar os meus passos.
São tantos primeiros passos que se acostumaram a pisar em corpos e não
escorregar em tanto sangue que eles já derramaram.
Sangue que mancha mãos e gerações, mas vocês juram que não é culpa sua,
mesmo eu sabendo que enquanto eu escrevia essa coluna e você estava
lendo, mais dois corpos pretos preencheram covas e nós nem sequer
saberemos seus nomes.

*Antonio Rodríguez,18, estudante e poeta nas horas vagas (e algumas ocupadas também). Apaixonado pela vida, faz o máximo para transformar tudo em poesia. Mantém o Instagram @a.poetizando.me

Falas machistas de professor motivam criação de coletivo feminista em universidade

Coletivo Carolina Maria de Jesus nasce com intuito de politizar e ser rede de apoio a mulheres no ambiente acadêmico

Cecília França

Foto em destaque: Perfil do CMJ no Instagram

No início desta semana, viralizaram trechos de uma aula do curso de Direito de uma universidade do interior paulista em que o professor dá exemplos machistas sobre casos de estupro e violência doméstica. As cenas ganharam a internet e mobilizaram estudantes da universidade a reagir com a criação do Coletivo Feminista Carolina Maria de Jesus (CMJ). O episódio também levou o Centro Universitário de Ourinhos (Unifio) a afastar o docente Fábio Alonso de suas funções.

A paranaense M.P., estudante da universidade, foi aluno de Alonso e afirma já ter presenciado falas machistas do professor em outras oportunidades. Para ela, o afastamento promovido pela universidade não é o suficiente, mas apenas “uma conquista dentro dessa batalha”. “Pelo menos respostas do mínimo, conseguimos. Mas o ideal é a demissão. Apoiaríamos o simples afastamento no caso de uma devida retratação em tempo, com pedido de desculpas e anseio de melhorar e se desconstruir junto com os alunos. O que não ocorreu”, declara.

Continuar lendo “Falas machistas de professor motivam criação de coletivo feminista em universidade”

Mobilização nacional contra taxação do livro

Viradão da Leitura propõe 24 horas de leitura nas redes sociais

23 de abril é um dia muito importante para a área do livro e da leitura, pois é quando comemoramos o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor. Por isso, a data foi escolhida pelo “povo do livro” para uma mobilização de 24 horas de leitura nas redes sociais.

O objetivo é mostrar que nós, brasileiros de diferentes regiões e classes sociais, lemos e precisamos de mais investimentos do poder público para a área. Trata-se de uma mobilização nacional, um posicionamento da sociedade civil contra a proposta de reforma tributária do ministro Paulo Guedes, que prevê uma alíquota de 12% sobre os livros.

Na justificativa, o governo diz que o livro é um produto de elite, e que essas pessoas podem pagar mais caro. No entanto, como mostra a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, a classe C, além de leitora, é também consumidora de livros. Para se ter uma ideia, 27 milhões de brasileiros enquadrados nesse estrato social se declaram leitores.

A ideia do Viradão da Leitura surgiu em uma conversa entre a escritora e idealizadora do Projeto Kombina, Christina Dias, e o escritor e idealizador do Instituto de Leitura Quindim, Volnei Canônica. Já a identidade visual da mobilização e a frase “TODOS os brasileiros querem ler” foram criadas pela premiada ilustradora Mariana Massarani.

Clique aqui para ver o passso a passo de como participar do Viradão da Leitura: