‘Essa época tem sido cruel’

A enfermeira Fátima Hirth Ruiz esteve à frente do Hospital de Retaguarda do HU durante longos meses de pandemia e já tem planos para quando o caos terminar: “vamos merecer um dia de SPA”

Cecília França

O enfrentamento da pandemia do novo coronavírus tem base na força de trabalho das mulheres. Elas representam mais de 65% dos profissionais da saúde do país, nos setores público e privado, e em áreas como a enfermagem esse índice passa dos 80%*. Em Londrina não é diferente. Os holofotes voltados para o Hospital Universitário (HU), referência para o atendimento da covid-19, iluminam rostos femininos como o de Fátima Hirth Ruiz, 52, que esteve na chefia de enfermagem do Hospital de Retaguarda durante longos meses.

Agora, Fátima comanda o setor de Moléstias Infecciosas (MI) e também trabalha no Serviço Móvel de Urgência (SAMU). Ela foi a primeira pessoa vacinada contra a covid-19 na cidade. De muitas formas, está indubitavelmente marcada na história de Londrina.

Em meio à rotina atribulada, ela respondeu às perguntas da nossa reportagem e abre este especial pelo Dia da Mulher.

A pandemia se instalou em Londrina há cerca de 1 ano. Qual foi o impacto imediato na sua rotina?

O impacto inicial na minha rotina não foi imenso devido eu não ter feito o isolamento social tipo home office, já que saia normalmente para o trabalho no HU ou no SAMU. Porém sempre ao chegar em casa, devia cumprir aquele ritual de ir logo para o banho e separar roupas para lavar, antes de qualquer outra coisa.

Houve grandes alterações nas rotinas de trabalho, devido obrigatoriedade de paramentação para nossa proteção. A máscara mais específica, N95, associada ao uso do face shield dá sensação de sufocamento, mas temos consciência da necessidade de uso adequado.

Como trabalhadora da saúde há quase 30 anos, como você descreve seu atual momento profissional?

O atual momento tem sido de extremo desgaste, físico e emocional, por parte de toda equipe diretamente envolvida na assistência. E nas atuais circunstâncias, em que houve aumento de casos e evolução com mais gravidade,

Você acredita que o fato de ser mulher te sobrecarrega ainda mais do que já seria esperado?

Hoje em dia todos os membros da família devem estar envolvidos nas atribuições domésticas e dividir serviços em geral. Porém nós, mulheres, sempre acabamos querendo organizar as coisas ao chegar em casa, mesmo após o expediente de trabalho. Tem os cuidados com os filhos, que sentem a ausência da mãe; o marido que questiona o fato de estarmos ausentes em alguns finais de semana ou feriados…

Você é uma pessoa vaidosa? Tem sentido dificuldade em manter uma rotina de auto cuidado durante esse período?

Somos morada do Espírito Santo de Deus, portanto nosso corpo é sagrado e deve ser cuidado. Não com vaidade absoluta ou por orgulho, mas também para cultivar o amor próprio que é essencial para nossa sobrevivência. Então devemos cuidar do Espírito; da mente; do físico, através de alimentação saudável e prática de atividades físicas, mas também com cuidados pessoais de higiene e beleza.

Infelizmente não tenho tido tempo para praticar muitos exercícios ou para rotinas de beleza. Com a máscara a gente mal passa um batom. Mas não deixo de usar um protetor solar efeito base e eventualmente um rímel nos cílios, já que os olhos ficam mais em evidência.

A depilação também não está exatamente em dia, mas quando tudo isso passar certamente nós mulheres, todas, vamos merecer um dia de SPA.

*Dados do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems)

2 comentários em “‘Essa época tem sido cruel’

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