Evento da UEL aborda perspectiva decolonial da comunicação

1° Encontro de Estudos sobre Orientalismos e Colonialismos na Comunicação e no Audiovisual (OCCA) é promovido pelo Mestrado em Comunicação e busca visibilizar a autorrepresentação negra e indígena

Cecília França

Quais conhecimentos moldaram sua forma de ver o mundo? Quais artistas, autores, cineastas te apresentaram ao modo de vida dos negros e dos povos indígenas? Muito do que nos foi ensinado parte de uma perspectiva colonial e eurocêntrica limitadora que cientistas da área da comunicação têm buscado superar. Para contribuir com esse debate começa amanhã e segue até sexta-feira (5) o 1° Encontro de Estudos sobre Orientalismos e Colonialismos na Comunicação e no Audiovisual (OCCA), promovido pelo Mestrado em Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

O evento busca desnaturalizar preconceitos derivados da nossa colonialidade e dar visibilidade a movimentos de autorrepresentação de negros indígenas. “Por mais que a gente estude muito na universidade, a gente não superou muitas cosias da colonialidade. E a comunicação faz muito parte disso, propaga estereótipos, preconceitos”, declara a coordenadora-geral do evento e professora do Departamento de Comunicação (CECA) da UEL, Mônica Panis Kaseker.

Ela conta que a ideia do encontro surgiu a partir de um projeto contra o racismo desenvolvido dentro da universidade. “No ano passado a gente se engajou numa campanha da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) de combate ao racismo na universidade. A gente fez uma programação de dois meses e pensou em criar uma campanha permanente, onde todos os centros e departamentos tenham contribuição. No departamento de comunicação surgiu a ideia de criarmos a discussão sobre a comunicação decolonial”, detalha.

Mônica ressalta que o modo de olhar os povos indígenas remonta aos primeiros retratos produzidos à época do descobrimento, quando do primeiro encontro entre os povos originários e os europeus. Em relação aos negros, eles tiveram suas histórias apagadas e resumidas à escravização.

“Tem sempre uma visão oficial que é balizada pelos governantes e isso vai se reproduzindo até os dias de hoje, inclusive na nossa mente, que é colonizada. Nossa ciência é colonizada. Eu sou uma mulher hétero, branca, mas eu tenho que olhar para mim e ver que ciência eu estou fazendo. O evento é para tirar nós mesmos desse lugar de conforto”, afirma a professora. “Há um apagamento cultural e isso interessa ao poder hegemônico”, completa.

Integrante da Comissão Universidade para os Índios (CUIA-UEL), Mônica comenta que a universidade pode ser um espaço de incentivo à autorrepresentação dos povos indígenas e negros e exemplifica com uma ação já existente: “Já fizemos uma série de documentários sobre educação escolar indígena e as autobiografias dos estudantes indígenas que entram na UEL. É interessante porque apresenta os estudantes para a comunidade acadêmica, mas valorizando a trajetória deles, da comunidade deles”, explica.

Pesquisadores e cineastas negros e indígenas estão confirmados na programação do 1° OCCA. O evento também conta com o Grupo de Trabalho “Orientalismos, Colonialismos e Decolonialidade na Comunicação e no Audiovisual”. A coordenação científica é da professora Márcia Neme Buzalaf. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até a meia-noite de hoje (1). O evento será todo transmitido online pelo canal do Youtube UEL Oficial e pela página do evento no Facebook.

Serviço

1° Encontro de Estudos sobre Orientalismos e Colonialismos na Comunicação e no Audiovisual (OCCA)
Quando: 2 a 5 de março de 2021
Inscrições: gratuitas pelo site encurtador.com.br/grxCL

Programação:

02/03 – 19 horas – Roda de conversa “A autorrepresentação indígena no audiovisual, com Isael Maxacali e Takumã Kuikuro
03/03 – 19 horas – Roda de conversa “A autorrepresentação negra no audiovisual, com Day Rodrigues e Carol Mendes
04/03 – 14 horas – Grupo de Trabalho “Orientalismos, colonialismos e decolonialidade na Comunicação e no Audiovisual”
19 horas – Roda de conversa “Produções interculturais”, com Bruno Vilela, Mônica Kaseker, Débora Eulália da Silva e Tiago Pyn Tánh de Almeida
05/03 – 19 horas – Mesa de Encerramento – Representação de si e representação do outro: produções e epistemologias descolonizadores.

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