Quanto vale uma vida?

Por Antonio Rodríguez*

Quanto vale uma vida?
É uma pergunta complexa
Paira a humanidade
Desde o início dos tempos
Da Grécia Antiga a este poeta em Londrina
Todo dia alguém se pergunta
Quanto vale uma vida?

Do centro de uma aglomeração
O filiado do plano de saúde diz:
A vida é minha
Faço o que quiser dela!
Enquanto são quase visíveis
As partículas do vírus se espalhando

E do alto de seu privilégio
Ele se contenta em saber
Que sua vida vale outras 250 mil vidas.
(E contando)

Chorando nas portas de um hospital
Qualquer um
Desde que seja do SUS

Uma empregada chora a morte da mãe
Dissolve-se em lágrimas
Porque não saiu de casa uma única vez
Mas contaminada foi
Pelo vírus que não vê classe nem cor
Mas mata como a polícia

E essa sim sabe muito bem o que vê
Mas, em cada lágrima vem escrito
“Essa vida…
Não vale uma vala vazia.”

(Agora cheia)

Em uma sala de reuniões
O especialista em logística
Discute avidamente
Com as bochechas vermelhas
E o suor pingando
A mídia cegamente crê
Que se discutem vacinas
Medidas de isolamento
Ou qualquer loucura relacionada à Covid-19
Mas ele se inflama ao saber
Que sua propina será menor esse mês
E “sem querer” troca o envio de vacinas
O especialista em logística
Se regozija em saber que sua vida é única
E não está em jogo
Dentro de uma reunião corrupta.
(Que nem outras tantas milhões)

Derrotado
Cansado e sem esperanças
Confinado a um corpo que não é o seu
Criado por tecidos e máscaras
Um médico chora
Nos seus 15 minutos de descanso
Que passam como segundos
Ele se entrega aos temores humanos
4 pacientes na porta
Outros 40 familiares chorando
Clamando pela vida de seus amados
E mais 15 deitados
Respirando artificialmente
Um nem mesmo respira mais
Mas ninguém conseguiu perceber ainda
E o médico chora
Sabe que sua vida vale pouco
Tanto quanto de outros mortais
Mas que carrega outras tantas em suas mãos
(E elas estão cansadas)

Um vírus
Apenas uma fração ínfima
Daqueles que rodam o globo
Ou o plano como alguns insistem
Corre pelos ares
Flutuando entre becos e vielas
Aos poucos ele tira a vida delas
E pra ele as vidas valem pouco
Nada mais que um DNA
Onde ele poderá reproduzir.
(E assim seguir a vida
Ou morte)

Parece incrível. Não que seja algo espetacular ou digno de nota, e sim como algo inacreditável. Isso mesmo, parece inacreditável que vidas tombem aos milhares há 48 dias e nada se faça para que tudo melhore, ou para que se possa crer que há uma luz no fim do túnel e não apenas mais e mais desse mesmo sádico túnel.
Já diria Emicida:
É o final dos tempos
Salvos mesmo?
Nenhum de nós

*Antonio Rodríguez, 18, estudante e poeta nas horas vagas (e algumas ocupadas também). Apaixonado pela vida, faz o máximo para transformar tudo em poesia. Mantém o Instagram @a.poetizando.me

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