18

Por Antonio Rodríguez*

19 de Fevereiro de 2003
18 anos atrás
Tanto e tão pouco tempo
Mas já faz tudo isso
Ou só isso que eu nasci.

Em quantos versos se definem 18 anos?
Com quantas estrofes se faz uma vida?
Eu que me defino em poesia
Não posso escrever minha vida em uma.

6570 dias
Eu não vivi nenhum deles
Eu sobrevivi a todos eles
Nem todos foram difíceis
Não se resume somente a lutas impossíveis
Mas eu com certeza não saí inteiro de todas elas.

Mas convenhamos,
Alguém chegou aos 18 inteiro?
Sem cicatrizes, marcas ou traumas?
Tão ingênuo quanto recém-nascido?

Então porque sonhamos em chegar assim?
Em algum momento
Os 18 pareceram tão importantes
Quase como um estágio divinamente inalcançável
E hoje eu daria de tudo para voltar nessa época.

Tudo era simples
Ou eu era apenas ignorante demais
Pra saber que a simplicidade era ilusória
Felicidade a venda
Ao custo de uma quantia irrisória
Não sob as prestações e cotações atuais
Que são mais que desleais.

Sério mesmo
Era para eu ter alguma certeza?
Alguma convicção inabalável?
Ou até mesmo uma noção do futuro?

Será que alguém se sentiu pronto?
Sério mesmo
Porque parece que eu já devia ter conquistado o mundo
E eu tô em casa sem saber muito o que fazer.

É impressionante
Eu nunca me senti tão recém-nascido
Nunca me senti tão despreparadamente preparado.

Chegar aos 18
É admirar o horizonte
E saber que ainda se tem muito pra viver
Mesmo assim
É difícil admitir que o tempo não volta
Que não existe um viratempo
Ou qualquer coisa que me permita viver tudo de novo.

Não é como se eu estivesse abandonando algo
Ou mesmo deixando tudo para trás
Mas é uma importância em cima desse número
Até ontem eu era uma criança
Hoje eu acordei “diferente”
Como um adulto!
Ou eles dizem que é assim
Porque eu me sinto o mesmo
Talvez com mais medo do futuro.

Alguém me explica em qual linha do contrato social
Constava este exato momento
Com a explicação de tudo que aconteceria…

Porque eu queria não assinar
Ou sei lá
Adicionar uma cláusula nova
Ou mesmo só uma observação:

“Viva tudo em dobro
Porque um dia
Tudo vai parecer só a metade
E só ela não bastará.”

A chegada dos 18 anos.
Talvez um dia ela tenha sido mais especial, ou até mesmo mais aguardada. Mas dentro de uma pandemia (que me roubou os 17 anos) os 18 se tornaram apenas um número e o aniversário só mais um dia (um pouco menos chato) dos outros 365 do ano. Mas como poeta é inevitável, a melancolia me atinge e me obriga a degustar 734638436 sensações diferentes. Cada cicatriz conta uma história e eu poderia escrever 20 poesias para cada uma delas, mesmo assim tentei resumir 18 anos em uma poesia só. Vai entender…

*Antonio Rodríguez, (agora) 18, estudante e poeta nas horas vagas (e algumas ocupadas também). Apaixonado pela vida, faz o máximo para transformar tudo em poesia. Mantém o Instagram @a.poetizando.me

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