Após manutenção de prova para professores PSS, APP estuda greve geral

Secretaria de Educação do Paraná confirma seleção no dia 13 de dezembro; professores têm assembleia na próxima quinta (26)

Cecília França

Foto em destaque: Divulgação

Desde a última semana, professores estão mobilizados em todo o Paraná pela revogação do Edital 47/2020, que prevê prova para a contratação de professores por Processo Seletivo Simplificado (PSS). Em Curitiba, cerca de 20 educadores seguem em greve de fome, desde a última sexta-feira, alojados na marquise no Palácio Iguaçu. A Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (Seed) confirmou a realização da prova no dia 13 de dezembro. Mais de 47 mil educadores se inscreveram.

Atualmente, o Paraná tem cerca de 47 mil professores concursados e outros 20 mil PSS. O processo para contratação temporária prevê, há 15 anos, análise de currículo e experiência. Inédita, a prova expõe os profissionais a risco durante a pandemia e traz incertezas quanto ao futuro, conforme relataram professores à Lume.

Para o dirigente da APP-Sindicato em Londrina, Márcio Ribeiro, a manutenção da prova mostra falta de respeito do governo para com a categoria.

“Eles não abrem diálogo. Não houve nenhum tipo de reunião, apenas um comunicado confirmando (a prova), por meio da agência de notícias, para o dia 13. Isso só reafirma a falta de respeito com que o governador Ratinho Jr. vem nos tratando. Mesmo o governo Beto Richa tendo sido muito ruim, esse consegue se superar”, declara.

A prova prevê a contratação de 4 mil professores. A Seed já declarou que o número pode ser ampliado, mas não se sabe se chegará aos 20 mil atuais. “Desconfiamos que muitas turmas serão fechadas em 2021″, alerta Ribeiro.

O dirigente aponta outra questão preocupante para a categoria e que vem sendo avaliada pelo governo: a terceirização dos funcionários das escolas. Somando-se esse contingente aos professores PSS, chega-se à previsão de 30 mil demissões no fim do ano.

“Eles querem encerrar contratos de funcionários de escolas que não são concursados e terceirizar. Essas empresas seriam contratadas para serviços de limpeza e cozinha e também é algo que a gente está tentando reverter, porque achamos também que isso influencia negativamente na qualidade da educação”, afirma Ribeiro. Ele explica:

“Os funcionários são aqueles que mais têm contato com os alunos. Eles conhecem, interagem, ajudam muito no processo educacional, em todos os sentidos. Eles estando no mesmo colégio durante anos, conhecem as crianças, acompanham o crescimento, chamam a atenção, dão conselhos, e isso tudo faz parte do processo educacional”.

O governo recebeu os manifestantes apenas na quinta-feira passada. Na oportunidade, se comprometeu a equiparar os salários de funcionários do setor ao mínimo regional. No dia seguinte, alguns educadores, por inciativa própria, iniciaram a greve de fome que continua até hoje. Para a próxima quinta-feira, a APP convoca assembleia geral para avaliação de greve.

Questionamos a assessoria da Seed sobre a possibilidade de terceirização dos funcionários em 2021 e aguardamos retorno.

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