Candidatas negras relatam violências sofridas no processo eleitoral

Pesquisa inédita do Instituto Marielle Franco aponta ataque virtual como principal denúncia das postulantes

Da Redação

Quase a totalidade das mulheres negras candidatas nas eleições municipais deste ano relatam ter sofrido violências durante o processo eleitoral. Noventa e oito vírgula cinco por cento (98,5%) denunciam mais de um ataque sofrido dentre os elencados pela pesquisa inédita Violência Política contra Mulheres Negras. O levantamento, realizado pelo Instituto Marielle Franco, ouviu 142 candidatas aos cargos de vereadoras, vice-prefeitas e prefeitas em 21 estados brasileiros.

A virtual foi a principal violência relatada, por 78% das mulheres. Na sequência aparecem violência moral e psicológica (62%), violência institucional (55%), racial (44%), física (42%), sexual (32%) e de gênero e/ou LGBTQIA+ (28%). O relatório apresentado ontem, ainda parcial, detalha dados sobre os três principais tipos de ataques denunciados.

Sobre a violência virtual, 20,7% das candidatas negras declararam ter recebido comentários e/ou mensagens machistas ou misóginas em suas redes sociais; 13% teve uma reunião virtual invadida; 10% foram vítimas de ataques machistas durante uma live e 8%, de ataques racistas na mesma circunstância. Sobre a violência moral e psicológica, 60% foram ofendidas em decorrência da sua atividade política nas eleições; 8% receberam ofensas relacionadas a sua religião (racismo religioso); 7% sofreram ofensas relacionadas à origem periférica e 7% foram humilhadas publicamente enquanto faziam campanha.

Sobre violência institucional, a pesquisa revela que 33% das candidatas receberam menos recursos do partido do que acreditam ser justo; 29% foram ofendidas ou intimidadas para aceitar decisões partidárias; 12,7% não receberam nenhum recurso financeiro para a campanha; 6,3% sofreram outros episódios de discriminação em órgãos da justiça eleitoral. Na maior parte das situações os agressores foram pessoas ou grupos não identificados.

Fonte: Instituto Marielle Franco

No documento divulgado, o Instituto Marielle Franco afirma que pretende, com a pesquisa, “evidenciar a urgência da elaboração de mecanismos que garantam o direito ao livre exercício político das populações negras e indígenas, em especial as mulheres, assim como a segurança e proteção daquelas que colocam seu corpo a disposição para a política”.

O instituto nasceu após o assassinato brutal da vereadora, no Rio de Janeiro, em 2018, um crime ainda sem resposta, e tem como missão fortalecer e apoiar mulheres negras, LGBTQIA+ e periféricas, a fim de diminuir a violência política contra essas mulheres no Brasil e na América Latina.

A pesquisa
O instituto ouviu 142 candidatas de 21 estados brasileiros, entre 21 e 28 de outubro, comprometidas com a Agenda Marielle Franco. Foi utilizado um questionário online composto por questões de múltipla escolha e abertas. A pesquisa completa será divulgada antes do segundo turno, marcado para 29 de novembro.

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