Como debater política sem agredir

Live do Observatório da Gestão Pública de Londrina discute tema nesta quinta-feira (5) sob a perspectiva da Comunicação Não Violenta

Nelson Bortolin

Foto em destaque: Érika Zanon, em foto de arquivo pessoal, durante roda de conversa sobre CNV promovida em 2019

Como debater política com quem pensa diferente de você? Este é o tema da live que o Observatório de Gestão Pública de Londrina (OGPL) realiza com as jornalistas Érika Zanon e Carolina Avansini, ambas de Londrina, nesta quinta-feira (5), às 19 horas.

O assunto será debatido na perspectiva da Comunicação Não Violenta (CNV), abordagem desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg. Zanon é facilitadora do método.

“Para Marshall, a natureza do ser humano é genuinamente compassiva”, explica Zanon. Ela conta que o psicólogo teve infância pobre, viveu em bairro violento dos Estados Unidos, e sofreu preconceitos devido a sua origem. E que a história de vida dele foi determinante para a elaboração da CNV.

“Ele se questionava sobre porquê algumas pessoas se desconectam da sua natureza compassiva e passam a agir de forma violenta, enquanto outras, mesmo vivendo situações muito difíceis, se mantêm compassivas.”

Segundo a jornalista, a CNV “nos convida a olharmos para nossas emoções, sentimentos e necessidades”. E essa é uma tarefa difícil, uma vez que não fomos educados para tanto. “A CNV é uma abordagem que nos convida a nos comunicar de forma mais assertiva e autêntica. É um processo de linguagem que foi batizado de linguagem da vida ou idioma da compaixão.”

Zanon conta que começou a estudar a Comunicação Não Violenta movida por uma inquietação, “um incômodo pessoal de não conseguir expressar” suas ideias “sem que elas gerassem atritos ou conflitos, sem que ofendessem ou prejudicassem outras pessoas.”

Questionada se é possível discordar de alguém sem descambar para a agressão, ela responde positivamente. “Sim, a ideia é essa, que a gente consiga conversar com outras pessoas que pensem diferente, sem que haja agressão.”

De acordo com a jornalista, ser agressivo na linguagem não significa necessariamente falta de argumento. “Claro que, para entrar numa conversa aparentemente difícil, é bom que você tenha conhecimento sobre o que vai conversar.”

Mas, segundo Zanon, quando uma conversa vira agressão, esta pode ser motivada por sentimentos como medo, raiva, angústia, indignação. “Quando uma pessoa está esbravejando tem muita necessidade nela que não está sendo atendida.” Por isso é importante saber o que a gente sente e por quê. “Quando a gente sabe o que sente é mais fácil entender o outro.”

Sobre a velha máxima de que política e religião não se discute, Zanon discorda. “Tudo é passível de discussão. Discutir política e religião pode ser muito bom quando ambas as partes estão abertas para o diálogo. São temas difíceis, mas é perfeitamente possível discutir.”

A jornalista ressalta: “É sempre importante pensar antes de entrar numa conversa difícil. Qual é sua intenção? Você está aberto para entender o outro lado? Vale a pena entrar na discussão?”

E, se uma conversa descambar para a agressão, ela aconselha a pessoa a refletir se não vale a pena interrompê-la. “Às vezes, é preciso recuar e retomar a conversar em outra oportunidade. Isso é inteligência emocional.”

Acompanhe a live pelo Instagram do OGPL.

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