Mortes por covid-19 em setembro superam julho e agosto somados em Londrina

Mesmo com medidas mais restritivas que nos meses anteriores, cidade registrou 4,3 mil casos e 90 óbitos em 30 dias

Adriana Ito, especial para a Lume

No pior mês desde o início da pandemia de covid-19, Londrina lamentou a perda de três vidas por dia em decorrência da doença. De 1º a 30 de setembro, foram registrados 4.296 casos e 90 novas mortes no município.

Os números só não foram maiores devido às restrições impostas pela prefeitura a bares, chácaras e áreas públicas. Mas ainda assim sugerem um aumento significativo se comparado aos meses anteriores.

Em junho, quando o total de casos saltou de 413 para 1.336 (923 novos registros), houve assustadoras 57 mortes, enquanto a imprensa questionava se os óbitos não estavam desproporcionais às confirmações. À época, o prefeito Marcelo Belinati (Progressistas) assegurou: Londrina era a cidade paranaense que mais realizava testes de contaminações pelo novo coronavírus. Os altos índices foram relacionados às comemorações do Dia das Mães.

Em julho, embora as confirmações de casos tenham dobrado, os óbitos caíram 35%. Foram 37 mortes e 1.863 novos casos nos 31 dias do mês. Além dos surtos em hospitais da cidade, suspeitamos do inverno, estação do ano em que historicamente aumentam os casos de doenças respiratórias em geral.

Quando agosto começou, Londrina contabilizava 3.199 casos e 118 mortes. Quando terminou, eram 5.896 casos e 168 mortes: 35% a mais de mortes e 44% a mais de novos casos em relação ao mês anterior. Os agravantes? Reabertura das praças de alimentação nos shoppings em 20 de julho, a ampliação do horário do comércio para o Dia dos Pais e três surtos de covid-19, em um asilo, uma reserva indígena e uma unidade prisional.

Então setembro chegou encerrando o inverno de vez, mas sofrendo as consequências da massa de ar polar que tornou o final de agosto o período mais gelado do ano. E os números foram assombrosos: mais de mil casos e 24 mortes só na primeira semana.

Foi nesse mês, o sexto desde o início da pandemia, que nos habituamos a conviver com as mais de 100 confirmações diárias, e até perdemos a conta do número de óbitos. Terá sido a ampliação do horário do comércio devido ao feriado de 7 de setembro, ou as aglomerações em bares, boates e praças?

Não importa. O fato é que, mesmo com o fechamento dos bares por duas semanas e com as áreas públicas interditadas durante 20 dias, setembro registrou 4.296 casos de covid-19 e 90 mortes em decorrência da doença, enquanto julho e agosto juntos haviam totalizado 4.560 casos e 87 mortes.

E, por mais que os números diminuam, não será em outubro, com as compras para o Dia das Crianças e o feriado prolongado de Nossa Senhora Aparecida, que atingiremos os níveis de contágio seguros o suficiente para relaxar ainda mais as medidas de distanciamento. Talvez fosse o caso de o poder público municipal iniciar também um trabalho de conscientização (muito além de lives em redes sociais), pois só restringir e punir não tem se mostrado eficaz no combate à disseminação do novo coronavírus em Londrina.

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