Presos de Cambé mostram, em vídeo, superlotação da cadeia

Com capacidade para 32 presos, prédio abriga cerca de 180 pessoas

Cecília França

Oito meses após divulgarem um vídeo denunciando a situação precária da Cadeia Pública de Cambé, presos fazem nova filmagem de celas e pátio lotados. No vídeo, gravado no dia 11 de setembro, um dos presos narra a situação e pede a atenção da mídia e da sociedade: “Questão da superlotação: a unidade tem capacidade para 32 presos mas nós estamos em quase 180, aglomerados no pátio. Isso aqui é uma cadeia adaptada, não dá suporte odontológico, jurídico, médico, educacional, isso impossibilita total a ressocialização de uma forma adequada pra gente”, diz.

As imagens mostram a cobertura adaptada do pátio, coberto com uma lona que, segundo o homem, foi comprada pelos próprios presos. O narrador também fala em risco de contaminação por Covid-19. “Novos presos chegam da rua, são mandados pro nosso convívio sem nenhum tipo de teste, de nada, pode contaminar os detentos, assim como pode contaminar os funcionários que pode transmitir para a população nas ruas e pode até piorar o quadro da pandemia”, afirma.

As imagens seguem mostrando celas lotadas. “Muita gente dormindo um por cima do outro, o pessoal reveza, não tem banheiro dentro da cela”, continua. A alimentação é outra reclamação dos presos. De acordo com o homem que narra o vídeo, muitas vezes a comida chega “azeda ou faltando”.

O vídeo termina com a informação de que os presos tentaram fugir três vezes nos últimos 20 dias. “A gente tá pagando pelos nossos crimes, mas a gente quer pagar de uma forma digna”, afirma.

Depen contesta informações

O coordenador regional do Depen (Departamento Penitenciário Estadual), Reginaldo Peixoto, contesta informações do vídeo. “Falam que não tem acompanhamento médico, mas temos médico semanalmente. E todos os casos de urgência o SAMU faz o atendimento”, informa. Em relação aos cuidados para não proliferação da Covid-19, Peixoto diz que os novos presos são mantidos em isolamento antes de se misturarem.

“Todos os presos que chegam estão em ala separada, ficam de 13 a 14 dias lá. Tanto que estamos há sete meses com esse vírus e não tenho caso lá até agora”, diz. Sobre o número de presos, Peixoto diz que “está acima da capacidade, mas não da forma como falaram”.

“(Na parte mostrada no vídeo) tem em torno de 140; 180 na unidade toda. Tem outras áreas que não são aquelas que eles estão, inclusive ala feminina”. O que pode aliviar o quadro de calamidade da cadeia – e de outras tantas na região – é a construção da Cadeia Pública de Londrina, prevista para terminar em maio do ano que vem.

“Está bem adiantada a parte estrutural. Vamos trabalhar com algo em torno de 750, 800 presos lá. Vamos fazer esse levantamento e retirar das unidades da região que mais necessitam de transferência”, garante Peixoto.

Em julho passado, presos da Cadeia Pública de Ibiporã divulgaram vídeo mostrando condições de precariedade semelhantes às de Cambé. Cerca de um mês depois, um incêndio no prédio vitimou seis homens.

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