Motoristas de aplicativos recebem alerta para evitar ‘favelas’ após morte de policial

Depois de circulação de áudio alertando para diligências da polícia, muitos profissionais preferiram não rodar esta noite

Cecília França

Após a execução de um policial militar na noite de ontem (14), na Zona Norte de Londrina, muitos motoristas de aplicativos decidiram evitar a periferia da cidade com receio de um enfrentamento entre criminosos e policiais. Durante o dia, circulou nos grupos de WhatsApp um áudio que alertava para a ação de policiais nas “favelas” e muitos motoristas preferiram não rodar na noite desta terça-feira. Com a escassez de carros, os preços da Uber chegaram a aumentar em quatro vezes, conforme prints enviados à reportagem.

Print enviado à reportagem mostra aumento nos preços das tarifas da Uber

O PM Bruno Felipe Monteiro do Prado, de apenas 32 anos, estava de folga quando, por volta das 21h30, foi executado enquanto circulava de moto perto da rotatória do Lago Cabrinha, na rodovia Carlos João Strass. O soldado teria sido atingido por pelo menos 15 disparos de arma de fogo que partiram de ocupantes de dois veículos. Um dos carros foi encontrado incendiado próximo à ocupação Flores do Campo.

Um carro com quatro pessoas que passava pelo local também foi atingido pelos disparos e um jovem, de apenas 15 anos, morreu no hospital. Após a tragédia, o áudio de um motorista de aplicativo passou a circular em grupos de WhatsApp alertando para que os colegas não circulassem nas “favelas” da cidade na noite de hoje.

“A partir das seis e meia, sete horas da noite de hoje, avisar para os ‘uber’ não entrar em favela nenhuma de Londrina. Diz que o ‘chicote vai estralar’. Eles vão beirar Eucalipto, União da Vitória, todas as favelas. Fica o alerta para a galera”, diz o autor do áudio. O alerta teria sido feito a ele por um PM.

A 4a Companhia Independente da Polícia Militar, responsável pelo policiamento da Zona Norte, diz que o áudio é “fake”. Mesmo assim, motoristas ouvidos pela reportagem preferiram não arriscar.

“Bastante motorista não tá rodando”, disse uma motorista agora a pouco. “Não deve ter ninguém praticamente na rua, deve ter muito pouco motorista rodando porque olha o dinâmico no Centro: 3.3 em plena terça-feira”.

“A gente nunca sabe se quem vai entrar no carro é bandido ou gente de bem”, disse outro motorista à reportagem mais cedo. “Não sei se é verdade isso (a ação policial), mas se lembrarmos do outro acontecido não é bom facilitar”. Ele se referia a uma sequência de nove assassinatos registrados na região após a morte de um policial, em 2016.

Prints enviados à reportagem comprovam a escassez de motoristas. A tarifa dinâmica da Uber – variação de preço conforme a oferta de veículos: quanto menos carros, mais caras as corridas – indicava preços até quatro vezes mais altos, sinal de falta de veículos circulando.

“Geralmente um dinâmico assim é em época dos grandes eventos, exposição, show. Nestes últimos dias geralmente é 2, 2.2 no máximo”, explica um motorista.

Oficialmente, por meio de nota, o comandante da 4a Cia da PM, Major Marcos Tordoro, diz que a Companhia está “trabalhando em conjunto com o 5o BPM, Guarda Municipal e Polícia Civil para prender os criminosos.”

“Este é um trabalho essencialmente de inteligência, que será desenvolvido pelo sistema de informações destes órgãos para identificação, localização e prisões dos envolvidos. “Paralelamente às buscas das informações, está sendo realizado o trabalho normal de atendimento de ocorrências e patrulhamento, com a saturação e concentração de viaturas ostensivas nos bairros.”

O policial Bruno Felipe, executado a tiros em Londrina. Foto: Tem Londrina

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