AML pede aos médicos para alertarem sobre o pior momento da pandemia em Londrina

Em comunicado, entidade diz que isolamento social foi de apenas 35% na cidade na primeira semana de setembro

Da redação

Com apenas 35% de isolamento social na semana de 1 a 7 de setembro, Londrina vive o pior momento da pandemia do novo coronavírus. São 211 óbitos e 7.829 infectados até o momento. Pessoas com idade entre 20 e 39 anos representam 43% da população de infectados na cidade. Preocupada com dados como esses, a Associação Médica de Londrina (AML) divulgou um alerta aos associados neste domingo (13) intitulado “O alerta vermelho para a pandemia em Londrina”.

“A AML solicita o apoio de médicos associados para que compartilhem com familiares, conhecidos, pacientes e a comunidade em geral, informações e dados da Secretaria Municipal da Saúde, assim como avaliações e ponderações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (Coesp), sobre o período crítico da pandemia na cidade e a importância em respeitar as medidas sanitárias municipais que visam manter as condições para internamentos (em número de profissionais e de leitos disponíveis para atendimentos), e que também buscam inibir aglomerações e o aumento do contágio principalmente na faixa etária que apresenta, desde o início, o maior número de contaminados – pessoas com idade entre 20 e 39 anos, que representam 43% da população de infectados em Londrina”, diz o documento.

A entidade salienta que, na próxima sexta-feira (18), completará seis meses do primeiro caso de Covid-19 na cidade. E diz que é “notório” que o mês de setembro já pode ser apontado como sendo o pior para a saúde da cidade quando observados: “o recorde no registro diário de novas confirmações (210 entre dias 11 e 12/09); o número elevado de casos ativos (855 em 7/09) e de pessoas em isolamento domiciliar (360 em 10/09); o número de londrinenses aguardando resultado de exames (491 em 5/09); e o significativo aumento no número de internações em leitos de UTI e de enfermaria em hospitais da rede pública e privada da cidade (101 internados em 3/09), assim como na taxa de ocupação hospitalar que, em 8 de setembro, chegou a 91%.

Veja íntegra do documento:

O alerta vermelho para a pandemia em Londrina

AML solicita o apoio de médicos associados para que compartilhem com familiares, conhecidos, pacientes e a comunidade em geral, informações e dados da Secretaria Municipal da Saúde, assim como avaliações e ponderações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (Coesp, órgão do qual a Associação Médica participa), sobre o período crítico da pandemia na cidade e a importância em respeitar as medidas sanitárias municipais que visam manter as condições para internamentos (em número de profissionais e de leitos disponíveis para atendimentos), e que também buscam inibir aglomerações e o aumento do contágio principalmente na faixa etária que apresenta, desde o início, o maior número de contaminados – pessoas com idade entre 20 e 39 anos, que representam 43% da população de infectados em Londrina (*SMS-12/09).

Neste último sábado, 12 de setembro, o Paraná completou seis meses do registro dos primeiros seis casos de Covid-19 no estado, somando, no período, um total de 151.293 pessoas infectadas e 3.761 mortos em consequência da doença (*Sesa-12/09).
Dois dias antes (na quinta de 10/09), o centro de operações criado pela Secretaria Municipal da Saúde para avaliar a evolução da doença em Londrina (o Coesp), analisava o cenário municipal com os dados relativos à 36ª semana epidemiológica na cidade que, nesta próxima sexta, 18 de setembro, ao entrar em sua 38ª semana desta pandemia viral também completará seis meses do primeiro caso de Covid-19 confirmado em Londrina – exatos 185 dias, quando computado que os meses de março, maio, julho e agosto têm 31 dias.

Mesmo considerando-se que a evolução vertiginosa em Londrina ocorreu a partir de meados de julho com acentuação no final de agosto, que as medidas sanitárias municipais foram adotadas desde o início do período pandêmico, que é alto o coeficiente de pacientes curados quando comparado ao número de infectados (em torno de 91%), e que houve ampliação no número de leitos específicos para atendimento a pacientes Covid-19 de Londrina e das outras 20 cidades da 17ª Regional de Saúde, é notório que o mês de setembro já pode ser apontado como sendo o pior para a saúde da cidade quando observado: o recorde no registro diário de novas confirmações (210 entre dias 11 e 12/09), o número elevado de casos ativos (855 em 7/09) e no de pessoas em isolamento domiciliar (360 em 10/09), o dígito para o número de londrinenses aguardando resultado de exames (491 em 5/09) e o significativo aumento no número de internações em leitos de UTI e de enfermaria em hospitais da rede pública e privada da cidade (101 internados em 3/09), assim como na taxa de ocupação hospitalar que, em 8 de setembro, chegou a 91% (*Apontamentos do Coesp em 10/09).

“Por isso, nesta última reunião do Coesp, o entendimento dos profissionais representantes das diversas instituições de saúde e de pesquisas da cidade foi de que o cenário epidemiológico em Londrina é de crescimento”, comenta a presidente da AML, Beatriz Tamura. A médica que representa a Associação neste órgão consultivo e de orientação ao executivo municipal frente à pandemia Covid-19, completa: “Também foi sugerido por alguns membros que cada representante destas instituições colaborativas do Coesp iria buscar mecanismos de propagar com maior ênfase essas informações relevantes, para que a sociedade de modo geral possa estar ainda mais atenta ao que estes números e percentuais significam para a saúde de toda a comunidade londrinense, assim como a dos municípios vizinhos.

Pela mesma razão, estamos solicitando aos nossos médicos e acadêmicos associados que multipliquem esses dados fidedignos, e chamem a atenção para a importância das medidas sanitárias e para a indicação de enrijecimento do poder público quanto às medidas não farmacológicas. Pedimos que, a exemplo do que já fazem algumas dezenas de associados AML, os demais também ampliem a divulgação deste alerta para esse momento bastante crítico em suas listas particulares de distribuição via whats, instragam e facebook”, enfatiza Beatriz Tamura.

Em relação à última reunião do Coesp, a presidente da AML cita ainda que na 36ª semana epidemiológica (1 a 7/09), a cidade recuou ainda mais no índice de isolamento social (35%) e que é de extrema importância a leitura da população em geral para a faixa etária que, desde o início da pandemia, mantém o maior número de casos confirmados. “São jovens e adultos entre 20 e 39 anos, representando quase a metade de toda a população de infectados até o momento: 43% dos 7.829 casos diagnosticados até sábado (12/09), conforme divulgado pela SMS de Londrina em seu boletim diário”.

AINDA A CONSIDERAR -Outros pontos/dados e indicativos referenciados pelo Conass (Conselho Nacional de Secretarias de Saúde) quando ponderados juntos, fizeram com que o Coesp adotasse a cor vermelha como classificação de risco alto para o município de Londrina: os surtos em instituições de longa permanência (nem todos ainda controlados) que elevou de forma significativa o número de mortes ocorridas em 24hs (6 óbitos em 11/09); a constante no alto número de óbitos registrados nos dias 7, 8 e 9 de setembro, com 4 mortes/dia, e 5 mortes no dia 10; o crescente número no afastamento de profissionais de saúde e colaboradores de diferentes áreas das instituições de saúde contaminados e ou suspeitos; e o fato de muitos leitos não cadastrados como “exclusivo Covid-19” estarem sendo também utilizados para tratamento de pacientes portadores da doença – tanto em enfermarias como em UTIs das redes pública e privada da Londrina.

Sobre os afastamentos de colaboradores da saúde, a presidente da AML comenta que “apenas na semana de 1 a 8 de setembro, por exemplo, foram afastadas 218 pessoas das instituições de saúde da cidade. Isso representa uma média de 2% dos colaboradores de cada uma das instituições (hospitais, laboratórios, UBSs e UPAs), segundo apontou o relatório por nós analisado em 10 de setembro”, diz a médica.

Ainda nos dados apresentados para análise e discussão na reunião do Coesp em 10 de setembro, outro importante alerta da 17ª Regional de Saúde: a significativa inversão no número de novos casos diagnosticados entre as cidades da regional. “Atualmente os casos de Covid-19 em Londrina representam 63% dentre o total apresentado por toda a regional. Ou seja, os infectados em todos os outros municípios conurbanos à 17ª RS representavam, no dia 8 de setembro, 37% de um total de 13.470 diagnósticos confirmados em 20 dos 21 municípios da regional de saúde”, finaliza a presidente da AML, Beatriz Tamura.

Para conferir detalhadamente e/ou acompanhar informações e dados seguros sobre a pandemia Covid-19, publicados diariamente acesse:

Secretaria Municipal de Saúde de LONDRINA:
Painel Covid-19 – https://geo.londrina.pr.gov.br/portal/apps/opsdashboard/index.html#/d2d6fcd7cb5248a0bebb8c90e2a4a482

Instagram – @saúdelondrinaoficial

UEL – Universidade Estadual de Londrina: http://www.uel.br/projetos/experimental/pages/arquivos/COVID19

SESA – Secretaria de Estado da Saúde do Paraná:

https://www.saude.pr.gov.br/Pagina/Coronavirus-COVID-19

Associação Médica de Londrina
Domingo 13 de setembro – 14:30 horas
*Todos os dados incluídos neste material foram extraídos de fontes oficiais – Sesa e SMS Londrina – publicados em seus boletins informativos diários

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