Mesmo sem protocolo, Londrina precisa renovar estoque de ivermectina

Antiparasitário vem sendo largamente prescrito na rede municipal para pacientes com sintomas de Covid-19; Prefeitura adquiriu mais de 550 mil comprimidos em agosto

Cecília França

A Prefeitura de Londrina precisou renovar os estoques de ivermectina este mês em função do aumento no número de prescrições do medicamento para pacientes com sintomas de Covid-19. A Secretaria de Gestão Pública chegou a cogitar uma dispensa de licitação, porém os trâmites para o pregão eletrônico de registro de preços acabaram correndo de maneira célere. O edital previa valor máximo de R$ 985 mil para a licitação, mas a empresa Conquista Distribuidora de Medicamentos, de Camboriú (SC), foi habilitada com a oferta de 551.610 comprimidos ao custo unitário de R$ 1,06, totalizando R$ 584.706,60. A aquisição já foi realizada.

Ao pedir parecer da Procuradoria do Município sobre a tomada de preços, em 28 de julho, a Secretaria de Gestão Pública classificou o certame como urgente, considerando que “o medicamento em questão está sendo prescrito pela AMS para tratamento do COVID-19 e a falta de estoque seria extremamente prejudicial às estratégias de saúde.” O secretário da pasta, Fábio Cavazotti, explica que o antiparasitário não é adotado como medida profilática para infecção pelo novo Coronavírus em Londrina, mas os médicos têm autonomia para a prescrição.

“O registro de preço acabou sendo antecipado por isso. A gente vinha conduzindo talvez uma dispensa (de licitação) a R$ 1,80 o comprimido, mas não precisamos”. A ivermectina vem sendo adotada no tratamento precoce da Covid-19 mesmo sem comprovação científica de eficácia. Em julho, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recomendou seu uso somente conforme descrito na bula, ou seja, para o combate de infecções parasitárias, e determinou sua venda apenas com receita médica.

Já havia um consumo regular mensal da ivermectina no município como vermífugo. Com o advento da pandemia, o estoque foi sendo consumido rapidamente. Não há consenso entre médicos sobre a prescrição para pessoas com sintomas de Covid-19 e os pacientes precisam assinar um termo de concordância caso optem pelo tratamento. A reportagem tentou contato com o secretário de saúde, Felippe Machado, para perguntar se há alguma indicação do município aos profissionais, mas não teve retorno.

A ivermectina passou a ser considerada no tratamento precoce da Covid-19 após a divulgação de pesquisas in vitro que demostraram uma capacidade do medicamento em reduzir a replicação de RNA viral do SARS-CoV-2, o novo Coronavírus. No entanto, não há, ainda, consenso de que esta ação possa se repetir em humanos.

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