Em vídeo, presos de Ibiporã expõem superlotação: ‘Bomba relógio’

Cadeia Pública tem capacidade para 35 pessoas e abriga cerca de 140

Cecília França

Há três anos, presos da Cadeia Pública de Ibiporã divulgaram um vídeo na internet denunciando a superlotação. Na época, o local abrigava mais de 180 homens. De lá para cá, pouca coisa mudou. Em outro vídeo, divulgado há cerca de três semanas, presos novamente mostram celas superlotadas, reclamam da dificuldade para progressão de penas, pedem melhorias no local, entre outras questões. Um dos presos lê uma carta, uma espécie de manifesto, dentro de uma cela abarrotada: “Nossa realidade é uma bomba relógio prestes a explodir”, diz ele.

A cadeia de Ibiporã continua com capacidade para 35 presos, como há três anos, e hoje abriga cerca de 140. Poucos dias após a divulgação do vídeo, 15 deles fugiram; três foram recapturados. Na gravação, os presos chegam a apontar para o que seria um buraco no teto enquanto o representante deles diz “Nós já estamos querendo ir embora”.

O vídeo segue mostrando as celas apinhadas em seus poucos mais de cinco minutos. Os presos pedem atenção de “governantes, diretores das cadeias, juízes e promotores”. “Não queremos regalia, queremos o que é nosso direito”, afirmam.

O delegado de Ibiporã, Vitor Dutra, diz que a situação atual ainda é muito semelhante há de três anos, quando foi gravado o outro vídeo. “Em termos de diminuição de lotação, não houve. Houve melhorias no prédio, no sentido de fortalecer a estrutura e evitar fugas. Mesmo assim, com número grande (de presos), acabou acontecendo”.

O delegado conta que assinou ontem um convênio com a Secretaria de Segurança para repassar a gestão da cadeia para o Departamento Penitenciário Estadual (Depen). “O Depen tem maior facilidade para fazer remoção para Londrina”, avalia. Sobre detentos com possibilidade de progressão de pena que permanecem na cadeia o delegado afirma não ter informações.

Reginaldo Peixoto, coordenador regional do Depen, apesar de ter sido citado pelos presos, reafirmou que o Departamento apenas apoia a gestão da cadeia, que está a cargo do delegado. A reportagem não conseguiu contato com os juízes citados no vídeo: Camila Covolo de Carvalho, de Ibiporã, e Katsujo Nakadomari, de Londrina.

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