‘Sandra presente’: Frente Feminista realiza ato pela vida das mulheres em Londrina

Feminicídio de Sandra Mara Curti motiva movimento a cobrar respeito às leis e às vozes das mulheres

Cecília França

A Frente Feminista de Londrina realiza amanhã (31) um ato contra o feminicídio, em defesa da vida das mulheres e por justiça pelo assassinato de Sandra Mara Curti, morta a facadas pelo ex-esposo na frente dos filhos de 8 e 12 anos. Sandra teve o pedido de medida protetiva negado pela justiça dois dias antes do crime.

A Frente prepara uma carreata até a Prefeitura, seguida de performance na Praça dos Três Poderes, com leitura do manifesto (leia na íntegra abaixo). A concentração para a carreata começa às 9h30 em frente à empresa Dixie Toga (Rua Angelina Ricci Vezozzo, 3500 – Cidade Industrial I). A performance deve acontecer às 11h.

“Nosso objetivo é chamar a atenção da sociedade e das autoridades para a representação máxima da violência contra a mulher, que se revela no feminicídio, mas também para o problema da violência institucional, com o silenciamento das vozes das mulheres. Talvez se a medida protetiva tivesse sido deferida a Sandra não estivesse morta”, diz Meire Moreno, da Frente Feminista.

Na decisão em que indeferiu a medida protetiva a Sandra, o juiz João Marcos Anacleto Rosa apontou “falta de elementos hábeis a suportar a rápida e frágil versão da lavra da hipotética vítima”. Continua, alegando que medidas protetivas devem ser exceção e não “regra (como se tornou corriqueiro nos tempos atuais)”. Fica evidente na decisão que a palavra da vítima foi desconsiderada como prova pelo Magistrado.

O argumento de que medidas protetivas têm se tornado corriqueiras também não se sustenta, de acordo com uma desconstrução da decisão feita pelo escritório de advocacia Cecilio, Haidamak & Hannes, especializado em direito da mulher. De acordo com a postagem, que pode ser conferida aqui, em 70% dos casos de feminicídio não havia medida protetiva.

Nos últimos três anos, o número de mortes violentas de mulheres aumentou nada menos que 73% no Paraná. No ano passado, foram registrados 1.206 feminicídios no país, 61% deles contra mulheres negras. O ato de amanhã é mais um grito coletivo de “basta” para toda esta violência.

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