Ao reabrir praças de alimentação, prefeitura contraria orientação do Coesp

Secretário de saúde diz que município decidiu ‘bancar’ a decisão

Cecília França
Nelson Bortolin

Foto destaque: Pixabay

O prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, anunciou no último domingo a reabertura das praças de alimentação dos shoppings centers da cidade, limitadas a 50% da capacidade de público. A decisão contraria orientação do Coesp (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública) que, em reunião na semana passada, deliberou pela manutenção das medidas restritivas até então vigentes.

A Lume teve acesso a um relatório do Grupo de Trabalho Covid-19, que serve de subsídio para as decisões do Coesp. Nele, o grupo orienta o não relaxamento das medidas restritivas em vigor até então. “Não há indicação de qualquer tipo de flexibilização das medidas não farmacológicas pelos motivos expostos nesta discussão”, diz o documento. A reportagem apurou que o Coesp acatou a decisão.

O relatório aponta que “o município de Londrina segue em expansão da epidemia, com velocidade de crescimento do número de casos” e que “o mapeamento geolocalizatório dos casos mostra tendência de aumento nas periferias, inclusive com confirmação de casos no espaço rural”. O grupo conclui, no entanto, que “a perspectiva de número de leitos de UTI disponíveis para atendimento da população de Londrina não tem previsão de esgotamento pelo atual modelo”.

Este tem sido o principal argumento do prefeito ao defender decisões do Executivo diante da pandemia, a quantidade de leitos disponíveis. No entanto, desde o início da crise, o prefeito vem repetindo que as decisões da prefeitura seriam pautadas pela tecnicidade e pela ciência, tendo o Coesp como balizador, o que não ocorre agora.

Por meio da assessoria de imprensa, o Secretário Municipal de Saúde, Felippe Machado, disse que o Coesp tem caráter consultivo. “A gestão municipal optou por bancar a decisão de flexibilização, durante os dias de semana, para as praças de alimentação dos shoppings.”, resume.

Trecho final do relatório do Grupo de Trabalho Covid-19 formulado em 15 de julho

Até ontem Londrina contabilizava 2.441 casos de Covid-19 e 104 óbitos. A ocupação de leitos estava em 49% nos exclusivos para Covid e 61% nos de UTI geral adulto.

Isolamento baixo

O relatório do Grupo de Trabalho Covid-19, formulado no último dia 15, traz dados interessantes, como o distanciamento social em Londrina, que na semana anterior à formulação do documento foi de apenas 39%. Este é um fator potencial de risco, pois com mais pessoas circulando, maior a potencial circulação do vírus.

Seguindo uma metodologia criada pelos Conselhos das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o grupo avalia dados epidemiológicos do município e de capacidade de atendimento aos contaminados para determinar o nível de risco em Londrina como moderado.

De acordo com o modelo, isso significa, além das medidas consideradas básicas, o município deve avaliar a suspensão das atividades econômicas não essenciais e a adequação de horários diferenciados nos setores econômicos para reduzir aglomeração nos sistemas de transporte público – o que tem sido adotado em determinados setores.

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