Palestrante emprega inquietação e curiosidade no combate às fake news

Arthur Igreja se apropria de seus conhecimentos sobre tecnologia e inovação para ensinar como se adaptar ao ‘novo normal’ exigido pelo isolamento social

Mariana Guerin

“As palavras que me definem são inquieto e curioso. Tenho muita disciplina para realizar meus projetos para que não se tornem devaneios ou aquela curiosidade que não se concretiza.” Este é Arthur Igreja, TEDx speaker e especialista em Tecnologia, Inovação e Tendências. Nascido em Videira (SC), crescido em Toledo, no oeste paranaense, e vivendo desde 2017 em Curitiba, Igreja tornou-se uma importante fonte de ideias quando o assunto é o “novo normal” trazido pela pandemia do novo Coronavírus.

Desde entrevistas a portais de notícias e canais de televisão e rádios brasileiros até lives em sua página no Instagram, Igreja usa sua expertise, conquistada com muito estudo, para tentar nos explicar como não enlouquecer com a falta de liberdade de ir e vir ocasionada pelo isolamento social. Uma de suas principais demandas enquanto não retoma as palestras tem sido ensinar o público a entender o que são fake news e como combatê-las.

Arthur Igreja, palestrante. Foto: Divulgação

“Basicamente, as fake news sempre se escondem por uma falta de origem confiável. E desmentí-las exige um esforço enorme”, alerta. Antes de tudo, é importante procurar a origem da notícia, mas isso não quer dizer que se ela estiver em um grande veículo ela seja verdadeira, diz o especialista. “As fake news sempre têm um título chamativo, feito para escandalizar”, alerta.

Normalmente, as pessoas encaminham as notícias falsas através de Twitter, WhatsApp, muitas vezes é só o print da notícia, ressalta Igreja. Via de regra, a origem dela está em um site desconhecido ou em uma rede de sites desconhecida, pois a ideia é criar um movimento em que muita gente compartilhe. “Este movimento em massa quer trazer a sensação de que aquilo é verdade”, explica.

Segundo o especialista, o trabalho é feito com muitos robôs, com efeito de rede que se retroalimenta. “Temos polarizado na esquerda e na direita o efeito bolha das redes. Com isso, histórias são criadas com uma narrativa que é falsa e se faz o uso dessas redes que estão mais propensas a compartilhar automaticamente através dos bots, ou por pessoas que estão recebendo essas informações pois acreditam nelas sem crivo e nenhum questionamento.”

Mas, afinal, quem tanto consome fake news? Conforme Igreja, existem, ao menos, dois perfis: aquele que é influenciado por determinada notícia e que já é uma pessoa extremista e está buscando reafirmar suas crenças e, na outra esfera, há desavisado, que quando vê já está lendo, acreditando, compartilhando, indo no embalo.

Possivelmente, o mesmo mecanismo usado na propagação das fake news pode ser utilizado para disseminar notícias verdadeiras, “mas depois que isso se alastra, o trabalho para desmentir é muito grande. O curioso é que estamos vivendo a era da pós-verdade, na qual tem muito mais gente tendo que se explicar, pois é muito fácil disseminar qualquer coisa”, completa Igreja.

O palestrante acredita ter o papel de questionar, alertar, investigar epesquisar muito. “Então, vivo de reputação e conteúdo. Para fazer as duas coisas me sinto numa posição de questionar, trazer números, analisar pontos contraditórios e estar o tempo todo me desafiando para ver se não estou sendo tomado por uma narrativa que foi construída justamente para me guiar. Meu papel é causar um pouco de confusão e tentar trazer a racionalidade e os parâmetros que não fazem parte de algo construído artificialmente.”

Conhecer um pouco mais sobre a carreira inquieta do palestrante pode servir de inspiração para desviarmos de notícias falsas e encararmos a realidade com mais tranquilidade. Aos 34 anos, o autor do livro “Conveniência é o Nome do Negócio” tem Masters em International Business pela Georgetown University (EUA), Masters of Business Administration pela ESADE (Espanha) e Mestrado Executivo em Gestão Empresarial pela FGV, além de pós-MBA e MBA pela FGV.

Com este currículo, não espanta a alta demanda por palestras, que se tornaram sua atividade principal, interrompida pela quarentena. “A pandemia mudou tudo, mas, no ano passado, peguei mais de 270 voos para fazer mais de 150 palestras. É uma rotina bastante desregrada do ponto de vista de horários, muito deslocamento, aeroportos, uma intensidade de horas bem pesadas. Têm semanas que chego a passar por sete estados”, calcula.

Diante de tanta incerteza sobre o futuro da humanidade, a ordem tem sido viver um dia de cada vez. “A pandemia traz uma reflexão de uma amplitude diferente, uma outra percepção do passar do tempo e como as coisas podem mudar. E a tecnologia tem um papel importante nessa aceleração da mudança e das transformações”, opina.

Para Igreja, o advento da Covid-19 só serviu para acelerar a discussão sobre a construção de um “novo normal”. “A prova é o número de pessoas que não encontram oportunidades no mercado ou se descobrem em outras carreiras. Em pesquisas que demonstram no que a pessoa está trabalhando anos depois de formada encontramos uma discrepância enorme com a formação básica dela. E eu me incluo nisso. Sou engenheiro, o que não tem absolutamente nada a ver com comunicação e produção de conteúdo. É muito mais um lance de sorte alguém aos 18 anos ter plena convicção”, finaliza.

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