Relatos da profissão Scort: O político transgressivo

Por Melissa Campus, atriz e produtora cultural londrinense, atualmente morando em Milão, Itália

A Itália retoma a liberdade e Milão retorna a sua rotina tentando se recuperar dos prejuízos financeiros. De fato as pessoas já estavam cansadas de sua prisão domiciliar particular, tentam recuperar o tempo, com suas máscaras super coloridas, curtem o sol e as ruas com a liberdade merecida e uma nova ótica da vida e do cotidiano.

No jornal anunciam que o Brasil está no topo da lista em infeccão pela Covid-19 e que as fronteiras italianas estão fechadas até dia 31 de dezembro para os brasileiros e alguns outros países.

Vendo esta notícia acredito que cheguei na hora certa, estou trabalhando bem e me destacando no mercado da sexualidade.
Digamos que já entrei no circuito das TopTrans mais comentadas e procuradas de Milão.

Realizar este trabalho de Scort é divertido e lucrativo, mas também estressante e tem seus perigos, sem contar o desgaste físico. Sempre me pergunto quem será que entrará pela porta. Quem sabe surge uma história interessante.

Esta semana recebi um personagem interessante.

Logo notei, pelo seu porte, era alguém de importância, exigente e notava cada detalhe de meus atributos físicos. Casado, desejava transgredir e havia inventado uma clássica desculpa, a tal “reunião” para sua bela, recatada e do lar – clássica familia tradicional.

Depois que terminamos, notei que não queria ir embora, então, revelou:

“Se descobrem que estou aqui, amanha haverá reportagens na primeira página dos jornais”.
Notei que ele queria me impressionar.
“Sou um politico influente local”. Logo em seguida, minha inconfundível e escandalosa gargalhada.

Eu: Direita ou Esquerda?
Ele: Centro Direita…
Eu: Cômodo…
Ele: Gosto de dialogar com ambas as partes.

Mandei outra:: “O que você pensa desta politica à Covid-19?”

Ele: “Penso que fizeram o que poderia fazer de melhor”.

Então continuei: “E o melhor que se poderia fazer não seria melhor investir em estrutura sanitária e garantir direitos básicos, como saúde e a liberdade individual?”

Ele: “A décadas estamos arruinados economicamente. Impossível”.

Digamos que a Itália não avaliou as perdas quando entrou para União Europeia e agora paga sua dívida externa pela desvalorização da moeda na conversão para o Euro.

Mas o político foi à casa muito satisfeito, com os limites trangressivos bem mais “alargados”.

Disse que voltará….

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