Morte de Gabriel Sartori completa três anos e mãe pede resposta da Justiça

Com protesto silencioso, Cristiane Sartori quer evitar que o caso do filho, morto por um policial em 2017, caia no esquecimento

Cecília França

Cristiane Sartori estava no trabalho, por volta das 17h, no dia 15 de junho de 2017, quando recebeu a ligação: “O Gabriel levou um tiro e está agonizando”. Era a cuidadora de sua mãe, desesperada, do outro lado da linha, quem lhe dava a notícia. Cristiane voltou correndo para casa e quando chegou ao local da tragédia viu o filho caído no chão e um tumulto de moradores e policiais.

“Quando cheguei na frente do colégio, foi a cena mais terrível da minha vida. Aquele monte de policiais, aquela aglomeração, pessoal brigando com as polícias…porque o Gabriel cresceu no Cafezal, todo mundo conhecia ele. Foi uma cena muito chocante olhar meu filho ali no chão. Foi muito difícil”, relembra a mãe.

Todo ano, no dia 15 de junho, Cristiane faz uma manifestação pedindo por justiça. Este ano, em decorrência da pandemia do novo Coronavírus, ela fez um protesto silencioso, com faixas na entrada do bairro. O policial que disparou o tiro fatal em Gabriel, Bruno Zangirolami, continua na corporação, em trabalhos administrativos, enquanto aguarda o juri popular que ainda não foi marcado.

Faixas na entrada do Cafezal pedem justiça pela morte do Gabriel. Fotos: Arquivo Pessoal

“Eu queria um pouco mais de agilidade, principalmente por parte da PM do Paraná. Porque ele não é réu primário, então, o que me decepciona muito mesmo é saber que a corporação ainda o mantém, mesmo no administrativo. Ele está vivendo a vida dele normal e a gente está sobrevivendo. Três anos lutando por uma coisa que não acontece, como se ele tivesse matado uma mosca”, desabafa.

De acordo com a perícia do crime, a bala disparada pelo policial ricocheteou na calçada e atingiu Gabriel na altura da clavícula. Em um primeiro momento, o autor do disparo alegou legítima defesa, versão que, no entanto, foi desmontada ao longo do processo.

“Existem dois ‘eu’ dentro de mim

Depois da tragédia, Cristiane buscou reconstruir o que era possível em sua vida. Fez terapia e hoje entende que sua parte mãe vai viver um luto eterno, porém, ela precisa continuar a viver. “Hoje eu falo assim que existem duas pessoas, a mãe e a mulher. A mãe vai ficar de luto para sempre, mas existe a Cris mulher, a Cris humana, que entende que a vida continua. Existem dois ‘eu’ dentro de mim. Se eu parar posso entrar em uma depressão profunda e acontecer uma outra tragédia na nossa vida”, finaliza.

Mensagem de texto enviada por Gabriel à mãe no ano de sua morte: “Ele era carinhoso”

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