A Marcha Antifascista pelas lentes de um humanista

Professor Ivo Ayres registra, em palavras e imagens, a manifestação pacífica contra o fascismo ocorrida ontem em Londrina

Aconteceu ontem a Marcha Antifascista em Londrina, assim como em várias outras cidades do País. Os organizadores estimam que entre 250 e 300 manifestantes participaram do ato, a maior parte usando máscaras, para reforçar a segurança contra a Covid-19, e mantendo, sempre que possível, uma distância segura. O professor Ivo Ayres, que já fotografou várias manifestações populares, esteve no Calçadão e compartilha com a Lume seus registros em texto e fotos.

“Foi tudo muito bem organizado. No início todos mantiveram distanciamento adequado, ficando o comando do movimento no centro de dois grupos que se postaram enfileirados, de frente um para outro, ocupando uma grande extensão do trecho do Calçadão entre a Avenida Rio de Janeiro e a Avenida São Paulo. Já pelo meio do ato houve certa aglomeração próxima ao comando, o qual, vez por outra, recomendava a todos para que se mantivessem distanciados uns dos outros.

Várias lideranças usaram do megafone para protestar contra Bolsonaro, o fascismo e o racismo e, ainda, para denunciar o aumento do número de casos de agressão à mulher e do feminicídio em tempos de pandemia.

Também, em vários momentos, os manifestantes protestaram com veemência contra a presença de um grande aparato policial instalado nos arredores da manifestação. Carros da Polícia Militar ficaram estacionados nas ruas próximas e muitas pessoas que se dirigiam ao local do evento foram abordadas pelos policiais e revistadas.

O pelotão de choque da PM também estava presente, postado na quadra do Teatro Ouro Verde. Em um dado momento, quatro viaturas, em comboio, ficaram circulando nos arredores chamando, propositalmente, a atenção dos manifestantes, numa atitude considerada, por alguns dos presentes, como provocativa. Vários oradores questionaram a acintosa presença da PM no ato, comparando-a com o tratamento harmonioso dado por esta mesma polícia às manifestações de apoio ao governo, ocorridas já durante a pandemia na nossa cidade.

Os organizadores do ato chamaram a atenção de todos para que não aceitassem provocação de pessoas que poderiam se infiltrar no movimento com o objetivo de criar algum tumulto que justificasse a intervenção policial. Desse modo, o ato foi pacífico e ficou restrito à concentração no Calçadão, não havendo passeata.

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