Coronavírus: brasileiros relatam experiências com a pandemia no exterior – Kelly França, Austrália

Mineira teve sua rotina totalmente alterada pelo isolamento; Austrália vem tendo sucesso na contenção da Covid-19

Cecília França

Há mais de 15 mil quilômetros do Brasil, a mineira Kelly França Heaney, 40, cumpre isolamento domiciliar ao lado da família. No mês passado, seu filho mais velho completou 4 anos em uma festa sem convidados. Esta não era a ideia inicial, mas os planos mudaram com as medidas impostas pelo governo da Austrália para contenção do novo Coronavírus.

Morando há um ano e sete meses na costeira Melbourne, uma das maiores cidades do país, Kelly conta que sua rotina foi totalmente alterada por conta da pandemia. “Com dois filhos pequenos nossa rotina era praticamente fora de casa. Tudo foi fechado e não pudemos mais nos reunir com amigos e familiares. O marido também passou a trabalhar de casa”, detalha.

Ontem (8) o governo australiano anunciou que dará permissão para a reabertura de pequenos cafés e restaurantes, na primeira das três etapas do plano de retomada econômica pós-Covid-19. As medidas de restrição funcionaram no país, que registra somente 93 óbitos pela doença causada pelo novo Coronavírus.

Warwick, esposo de Kelly, segue trabalhando em casa. O Kindergarten (similar aos Centros de Educação Infantil do Brasil) frequentado pelo filho mais velho, Liam, reabriu com protocolo rigoroso de segurança e as escolas continuam abertas apenas para receber os filhos de trabalhadores essenciais, como médicos, funcionários de supermercados, Correios, etc.

“Mas essas crianças ficam sob os cuidados de um supervisor, seguem um protocolo de segurança e fazem todas as atividades no computador também. Não estão com seus professores e colegas presencialmente”, explica a mineira natural de Araguari.

Leia o depoimento completo:

Kelly com o marido, Warwick, e o filho mais velho, Liam. Foto: Arquivo Pessoal

“Com dois filhos pequenos, nossa rotina era praticamente fora de casa. Envolvia muitas atividades educativas, esportivas e sociais em parques, creche, centros esportivos, centros comunitários, bibliotecas, museus, zoológicos, praia, etc. Tudo foi fechado e não pudemos mais nos reunir com amigos e familiares. O marido também passou a trabalhar de casa, e para isso foi necessária uma adaptação.

Ainda estamos praticando isolamento. Deixei de fazer as compras para a família para evitar levar os filhos em lugares com aglomeração. Compramos tudo online quando possível, e meu marido vai ao supermercado uma ou duas vezes por semana, gastando um tempo mínimo nas lojas. Usamos álcool ou água sanitária para a limpeza das compras.

Não encontramos amigos e familiares nas últimas nove semanas e mantemos distanciamento de dois metros quando precisamos conversar com alguém. Não usaríamos transporte público nesse momento. Não fomos em nenhum lugar fechado mais, como um shopping center, por exemplo.

A situação da pandemia no Brasil é noticiada aqui e as pessoas ficam até bem informadas. Mas também acompanho sites de notícias brasileiros, acompanho jornais e jornalistas nas redes sociais, como Twitter, e quando possível, assisto reportagens brasileiras e entrevistas relevantes.

Acho que impotência é o sentimento mais forte (por estar longe dos pais e parentes). Queria saber o que fazer para ajudar, para garantir que vão ficar bem, mas infelizmente não está no meu controle.

Fiquem em casa. Só saiam se realmente precisarem. Lavem as mãos. Usem máscaras. Se informem. Escutem os especialistas em saúde pública. Confiem na Ciência. Cobrem responsabilidade dos governantes.”

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