Coronavírus: brasileiros relatam experiências com a pandemia no exterior – Armando Stocco, Canadá

Paulistano testou positivo para Covid-19, cumpriu intenso isolamento e manda recado aos brasileiros: levem a sério e se isolem

Cecília França

Armando Stocco, 42, sentiu forte dor de garganta, febre baixa, dor no corpo e ligeira falta de ar, como um peso no peito, cinco dias após retornar de uma viagem ao Brasil. O paulistano vive há 20 anos em Vancouver, na província de British Columbia, Canadá, e tão logo sentiu-se mal comunicou seus sintomas ao canal de atendimento disponibilizado pelo governo local. Confirmada a contaminação pelo novo Coronavírus, isolou-se em um quarto da casa que divide com a namorada e a filha de 13 anos. Aparentemente, não transmitiu o vírus.

Stocco é consultor de imigração regulamentado pelo governo canadense e teve seus negócios diretamente afetados pela pandemia. Sua namorada perdeu o emprego. Diante deste cenário, ambos recebem auxílios do governo canadense específicos para este período. Até ontem o Canadá registrava 64.922 casos de Covid-19 e 4.408 mortes.

“O governo canadense tem dado bastante suporte a quem sofreu com o período da doença. Além do valor de CAD$2000 por mês, durante quatro meses que as pessoas afetadas vão receber, há também o seguro desemprego para quem perdeu o emprego devido a pandemia. Além de outros incentivos à pessoa física e empresas. O Child Benefit, um valor que o governo dá aos pais para cada criança, também teve um aumento de CAD$300 por criança”, detalha.

Comércio e serviços da província de British Columbia receberam ontem (7) um plano de reabertura gradual, após 56 dias fechados. De acordo com Stocco, as regras de isolamento têm sido seguidas pela população, de uma forma geral, e incentivadas pelo primeiro-ministro.

“Recebemos o plano de reabertura da nossa província e as coisas devem, de forma gradual, começar a voltar a uma certa normalidade”, relata. Por e-mail, o paulistano conversou com a Lume sobre o impacto da pandemia em sua vida e deixou um recado para os brasileiros: “Levem a sério e se isolem”.

Leia depoimento completo:

“Fizemos as contas e estamos há 56 dias com todo o comércio e serviços fechados aqui em British Columbia, exceto os serviços essenciais. Com isso estamos praticamente em casa o tempo todo, nós três somente. Saímos apenas para compras de comida e essenciais, não vemos amigos e o contato com eles está sendo somente por videoconferência. Meu pai e madrasta moram muito próximos e com a necessidade do isolamento social altamente recomendada pelo governo, e por serem grupo de risco, não nos visitamos desde o início do isolamento.

O número de clientes em minha empresa diminuiu drasticamente, já que trabalho com clientes estrangeiros que desejam visitar, estudar, trabalhar no Canadá e as fronteiras estão fechadas, e somente viagens essenciais estão liberadas. Tudo isso nos fez adaptar a uma nova realidade. A notícia boa é que hoje, dia 07 de maio, recebemos o plano de reabertura da nossa província e as coisas devem, de forma gradual, começar a voltar a uma certa normalidade. 

Estamos, como a maioria dos canadenses sem convívio social, trabalhando de casa e ficando o máximo do tempo possível em casa. A recomendação do nosso primeiro ministro é justamente essa. Ele tem aparecido nos meios de comunicação quase diariamente para anunciar novas medidas e novos incentivos financeiros e a população tem seguido, de forma geral. 

Testei positivo para Covid-19. Trabalho com muitos clientes do Brasil e voltei de viagem uma semana antes do isolamento e bloqueio das fronteiras, por sorte. Não consigo precisar onde tive o contato, mas exatamente cinco dias depois de meu retorno eu tive os primeiros sintomas. Tive dor de garganta forte, febre baixa, dor no corpo e ligeira falta de ar, como um peso no peito. Assim que senti os sintomas liguei em um número do governo dedicado a isso e, após a confirmação, a recomendação foi que eu ficasse completamente isolado por 14 dias. Me tranquei sozinho no quarto e a família ficou o mais afastada possível. Desinfetamos a casa e lugares em comum  constantemente e, aparentemente, minha família não se contaminou. 

O governo canadense tem dado bastante suporte a quem sofreu com o período da doença. Além do valor de CAD$2000 por mês, durante quatro meses que as pessoas afetadas vão receber, há também o seguro desemprego para quem perdeu o emprego devido a pandemia. Além de outros incentivos à pessoa física e empresas. O Child Benefit, um valor que o governo dá aos pais para cada criança, também teve um aumento de CAD$300 por criança. Minha namorada perdeu o emprego e minha empresa também sofreu, portanto, estamos recebendo alguns dos benefícios do governo.

Infelizmente temos poucas notícias do Brasil nos meios de comunicação daqui. Ouve-se que o número de casos é alto, o mais alto da América Latina. Acredito que estejam bem preocupados com a situação regional e a cobertura internacional deste assunto é limitada aos casos mais extremos. Me atualizo das informações do Brasil através de amigos, parentes e portais de notícias daí.

Esse vírus é coisa séria e infelizmente o isolamento é a única coisa que aparentemente reduz o risco de nova contaminação. Os casos na nossa província caíram muito uma vez que o isolamento foi implementado. Entretanto, o incentivo e amparo à população da parte do governo deveria ser maior para que as pessoas passem por esse período com condições de se manter. Então, meu recado (para os brasileiros) seria: levem a sério e se isolem.”

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