Testes para a elite, um sinal de emergência

por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

O assunto por aqui continua sendo o Coronavírus, infelizmente não conseguiremos abordar qualquer outra coisa enquanto ameaça tão iminente paira sobre nossas cabeças.

Nesses tempos de pandemia os absurdos ocorridos nesta República de bananas são inúmeros, os últimos ataques ao Estado Democrático de Direito são gritantes e vexatórios e a inércia das instituições, um sinal sintomático da fragilidade de nossa Democracia. O líder da nação, que se vê como Luís XIV, aquele que dizia ser o “Estado”, desrespeita as recomendações da OMS, utiliza a pandemia para jogos políticos, desrespeita os familiares dos milhares acometidos pelo Covid-19 e se une a negacionistas conspiratórios em manifestações de claro caráter autoritário e ditatorial, e, como resposta, notas de repúdio!

Bom, o destino dos absolutistas franceses todos nós conhecemos, já o do povo brasileiro, permanece em total obscuridade.

Mesmo com todas essas notícias nacionais temerosas, nos chamou atenção uma notícia local, aparentemente desconectada dos assuntos que aqui tratamos, considerada por muitos uma notícia boa, mas que fez acender uma luz vermelha em nossa camponesa cidade: uma rede de farmácias aqui de Londrina passou a oferecer testes rápidos de Coronavírus. A um custo médio de R$ 200,00, qualquer londrinense pode fazer o teste e descobrir se foi ou não infectado pelo vírus.

Mas qual o grande problema dessa notícia? Qual o sinal vermelho aceso e por que uma rede particular de farmácias oferecer os testes é algo preocupante?

Bem, para explicar nossa preocupação, iniciamos lembrando as notícias de que o poder público tem tido grande dificuldade em realizar a compra dos testes para o vírus, bem como, a guerra comercial internacional que recaiu sobre os insumos para combater o Coronavírus. Até 18/04/2020, o município de Londrina tinha recebido apenas 2.000 testes para o coronavírus. Ou seja, em um universo de quase 600 mil pessoas, apenas 2 mil seriam testadas de forma gratuita.

Nesse sentido, muito se fala em testagem em massa como forma de combate à doença. Para tanto, a população tem que ser testada como um todo, aqueles que se apresentarem contagiados devem ser imediatamente isolados, fazendo com o que o vírus não circule, essa é a principal estratégia da Coréia do Sul, país que tem tido grande sucesso no combate à pandemia.

Então, vocês devem estar se perguntando, não seria ideal a realização da testagem em farmácias? Claro que seria, desde que a testagem seja feita de maneira gratuita para a população, o que não é o caso.

Além do mais, não se sabe qual teste está sendo oferecido pela rede de farmácias, o que poderia gerar uma crise ainda maior. Isso porque, existem vários tipos de eficácias para tais produtos, sendo que alguns detectam o vírus apenas após vários dias de contágio, o que poderia criar uma um efeito reverso, levando pessoas infectadas à rua: Neste exemplo, a pessoa pode ter sido contagiada, mas o teste feito na farmácia não detecta carga viral (pela eficácia reduzida do teste) e, segura de que não tem o vírus, continua circulando por aí, espalhando o vírus.

Por outro lado, a testagem oferecida a preços elevados não é garantia de nada, já que, sem a testagem ampla da população, a circulação do vírus permanecerá e a infecção do recém testado pode se dar na próxima esquina, já que a reabertura do comércio em nossa cidade demonstrou a total falta de educação e civilidade do londrinense, que saiu às ruas, se aglomerando em lojas, filas, como se fosse questão de vida ou morte comprar roupas novas.

Enfim, a testagem do novo coronavírus, portanto, deve ser controlada e garantida pelo Estado, como forma de proteção e combate à pandemia, não podendo ser, simplesmente, um produto na estante de uma farmácia.

E este é o grande sinal de emergência aceso com essa notícia: quando o Poder Público não consegue realizar compras de testes para proteger sua população e uma farmácia particular consegue, quer dizer que estamos, afinal, completamente desprotegidos!

Mais uma vez o lucro e o enriquecimento de uma elite política e financeira estão acima da população mais vulnerável, que segue abandonada, sem apoio, com sua vida e futuro ainda “em análise”.

Aqui jaz qualquer previsão do futuro da nação brasileira…

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