Famílias de mortos em confronto com polícia vão a Curitiba pedir investigação transparente

Comitiva se reúne com o Conselho de Direitos Humanos do Paraná

Nelson Bortolin

Representantes de 15 famílias de londrinenses mortos em confronto com agentes de segurança pública viajaram nesta segunda-feira (10) para Curitiba onde na terça-feira participam de uma reunião do Conselho Permanente de Direitos Humanos do Estado do Paraná.

O número de mortes violentas na cidade caiu 13% de janeiro a setembro deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 68 em 2018 e 59 em 2019. São casos de assassinatos, lesões corporais seguidas de morte, latrocínio, e confrontos com a Polícia.

Mas, isoladamente, o número de mortes nos confrontos com a Polícia dobrou de 17 para 35, no mesmo período.

Carlos Enrique Santana, representante do Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH) no Paraná, acompanha os familiares à capital. E explica que a comitiva vai pedir transparência nas investigações das mortes. “Querem uma força-tarefa nos moldes da feita na chacina de 2016”, diz Santana.

Um dos mortos em confronto com a Política Militar neste ano foi Washington Ricardo de Souza, 29 anos. O caso ocorreu dia 21 de junho por volta das 20 horas, na Zona Leste.   

A mulher dele, Jessica Cristina Prestes Carvalho, não tem dúvida de que ele foi executado. “Foi parado numa abordagem, saiu com as mãos para cima, mas dispararam 14 tiros nele, sendo que sete o acertaram. Morreu na hora”, conta. A versão da Polícia, segundo ela, é que Washington Souza estava armado e ameaçou atirar contra a PM. “Os policiais plantaram a arma”, denuncia Jessica.

Ela diz ter procurado pessoas que moram perto do local onde o companheiro foi morto. “Me disseram que a polícia mandou todo mundo entrar para suas casas. E quando essas pessoas saíram, Washington já estava morto”, alega.

O marido tinha passagem por estelionato e havia deixado a Casa de Custódia seis meses antes. “Ele sempre falava que estava sendo perseguido. No dia da morte, fui com ele num posto de gasolina perto do Milton Gavetti (zona norte). Fomos abastecer. Percebi que tinha um homem olhando para ele. E ele me confirmou que era um policial que estava com arma na cintura. Washington me deixou em casa. Depois, quando eu liguei para ele, não me atendeu.”

Jéssica compartilhava com o marido um aplicativo pelo qual conseguia rastreá-lo justamente porque ele sentia-se perseguido. “Peguei um Uber e fui atrás da localização. Quando cheguei no local, já tinha reportagem, Siate, Samu… E o IML estava chegando.”

A companheira explica que, depois de três meses, conseguiu reaver o celular de Washington, que estava na delegacia. E que nele havia mensagens trocadas pelo marido com um colega. Segundos essas mensagens, Washington havia sido barrado pelos policiais no dia da morte e nos dias anteriores. “Diziam para ele desaparecer.”

A Lume procurou a PM para ouvir sua versão sobre o caso, mas não obteve resposta.

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