Apocalipse

Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Greta Thunberg, uma jovem de 16 anos, chamou atenção do mundo inteiro para a catástrofe climática que se aproxima. Mais do que chamar a atenção do mundo, a adolescente despertou a ira de líderes mundiais que insistem em negar aquilo que ela e cientistas do mundo inteiro anunciam a plenos pulmões.

A jovem iniciou um movimento mundial para tentar frear as mudanças climáticas que podem acabar com a civilização como a conhecemos. Podemos parecer um tanto quanto dramáticos demais com essa introdução, contudo, os dados apresentados pela ciência demonstram que danos incalculáveis ao meio ambiente são uma realidade irreversível.

O aumento da temperatura global, que tem como consequência o derretimento do gelo perene do globo, já causou aumento do nível dos oceanos, bem como de sua temperatura; já ocasionaram mudanças em ciclones e outros fenômenos naturais, além de fazer com que chuvas e ventos fiquem mais fortes em algumas partes do planeta.

No Brasil, sentimos os efeitos das alterações climáticas diariamente, com invernos cada vez menos frios e mais secos. Algo perceptível, não acha, caro leitor?

O que muito pouco se fala é sobre quem serão as maiores vítimas de tantas mudanças que se aproximam.

Pois bem, não é muito difícil imaginar que os países mais pobres serão os que mais sofrerão com elas. Ora, a se iniciar pela posição no globo terrestre (sim, a terra é um globo) os países que se encontram no hemisfério sul serão mais atingidos pelas mudanças climáticas que trarão secas intensas, escassez de alimentos…

A prejudicialidade natural será agravada, por óbvio, pela condição financeira. Isto porque, quando faltar água, serão os países ricos que terão propriedade de toda fonte de água potável; ao faltar alimentos, será a tecnologia alimentar de países desenvolvidos que dominará o mercado; e quando houver calor excessivo, trazendo sofrimento e seca ao mundo, serão os países ricos que dominarão as tecnologias de amenização climática – baseadas nas técnicas de geoengenharia.

Sim, amigos leitores, até mesmo as técnicas científicas para amenizar a crise climática serão produtos do mercado financeiro.

Um exemplo disso seria a alteração climática em determinado local (país rico), por meio da fomentação da chuva. Claro que esta técnica trará efeitos em outro lugar (país pobre), devido ao deslocamento natural das massas de chuva. No entanto, os países mais prejudicados não terão condições financeiras suficientes para comprar tais tecnologias. A sobrevivência da elite global, portanto, gerará o perecimento dos mais pobres, relegando-os às mais selvagens consequências do aquecimento do globo – aquecimento este acentuado exponencialmente pelos mais ricos.

Já podem imaginar que as populações afetadas por todas essas mudanças tentarão um lugar em países mais desenvolvidos e menos afetados. Será que a elite global, entretanto, abrirá seus portões?

Se com a crise migratória que vivemos, com parte da população da Síria, por exemplo, fugindo da guerra em sua terra natal, o mundo ocidental fechou suas portas, levando milhares de sírios a encontrarem a morte nas águas do Mediterrâneo, imaginem o que ocorreria caso bilhões de pessoas buscassem sobrevivência nas terras nobres?

Multidões tentarão cruzar fronteiras e serão escorraçadas por forças de segurança orientadas pela elite; populações perecerão. Viveremos cenas apocalípticas muito antes do que imaginamos, como nos filmes de catástrofes que lotam as salas de cinema por todo o mundo. A diferença da realidade para o filme, é que no mundo real não haverá um “mocinho” norte-americano para salvar o planeta. Não. Nossos heróis eram outros. Eram cientistas, líderes mundiais em busca de um acordo para salvar o planeta, eram meninas de 16 anos que fizeram poderosos discursos, eram pessoas comuns, preocupadas com o futuro da civilização.

Mas preferimos negligenciá-los; silenciá-los; e continuar nossas vidas, sem nos preocupar com o amanhã. Bem… o amanhã está à nossa porta.

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