“Eu posso sair de casa de mãos dadas com alguém, mas na rua tenho que soltar”, diz Luana Cossentini sobre LGBTfobia

Idealizadora da Parada LGBT de Londrina comemora a criminalização pelo STF, mas teme retrocesso social

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

Quando cursava o mestrado em Londrina, a biomédica Luana Aparecida Cossentini, 27, procurou o serviço de saúde da universidade para uma consulta de rotina com um ginecologista. Ao entrar no consultório, relatou ao médico que se relacionava com mulheres. Foi o suficiente para que a consulta terminasse.

“Ele ficou comigo duas horas tentando mudar minha orientação sexual e, na época, eu só achei que ele era louco. Hoje olho para trás e penso quanto coisa eu poderia ter feito e não fiz por não saber que era crime ou não pensar em como poderia me influenciar no futuro”, contou ela à Lume, na segunda entrevista do nosso Especial LGBTfobia.

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Impacto da suspensão de horas adicionais na UEL vai além do ensino*

Redução de horas extras pode inviabilizar serviços à comunidade; universidade espera nova posição do Governo até segunda, 29

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

*Atualizada em 31/07

Na última segunda-feira, 29, a Comissão de Política Salarial (CPS) do Governo do Estado renovou a carga horária especial de 8.366 horas para Universidade Estadual de Londrina (UEL), garantindo a renovação dos contratos com os docentes temporários e o funcionamento das atividades de ensino para o segundo semestre. A possibilidade de suspensão destas horas assustou as universidades estaduais nas últimas semanas. As mesmas, então, apresentaram suas explicações à CPS e o impacto da decisão, conforme contamos na matéria abaixo.

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Saúde às empresas, não ao povo!

Por Paula Vicente e Rafael Colli

“Não temos tanto dinheiro assim, precisamos priorizar”, brada o banqueiro do Governo. “Gastamos demais com o povo e com coisas desnecessárias, como remédios”, complementa. O gerente de um grande laboratório interrompe e diz, “melhor seria priorizar os remédios de baixo custo e deixar os de alto custo para os ricos. Pobre não pode ter vez sempre”. Todos batem palmas. “Que morram os pobres e necessitados, precisamos fazer o país crescer”.

Nesta semana, o Governo Federal anunciou a suspensão da produção de 19 medicamentos, dentre eles medicamentos para câncer, diabete, Parkinson, entre outras doenças, e, até, medicamento para receptores de transplante.

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“Nunca tivemos o fascismo longe das nossas vidas”, declara atriz e produtora cultural Mel Campus

Ativista dos direitos das travestis espera que a criminalização da LGBTfobia permita denúncias de agressões e violências

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

Mel Campus é uma força da natureza. Os gestos rápidos e a fala assertiva da atriz e produtora cultural foram construídos sobre uma história de dor e apagamento que ela reverteu em militância. A entrevista com ela inaugura o nosso Especial LGBTfobia.

Ativista dos direitos das travestis, Mel serve de inspiração para uma das populações mais privadas de direitos básicos entre os LGBT. Aos 43 anos, já superou em quase uma década a expectativa de vida desta população no Brasil, que se mantém em baixíssimos 35 anos. Tornar-se pública foi a saída encontrada por ela para reverter a violência que parece empurrar estes corpos dissidentes para a rotina de perigo e violência da prostituição.

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Especial LGBTfobia: o que esperar a partir da criminalização?

LGBTs de Londrina consideram decisão do STF um avanço, mas temem dificuldade nas denúncias

Cecília França
Rede Lume de Jornalistas

Quantas vezes na vida você já deixou de fazer coisas ou frequentar lugares simplesmente por ser quem você é? Quantas vezes precisou pensar na reação dos outros antes de interagir com uma criança ou manifestar uma vontade? Privar-se de atividades básicas e de lazer, controlar reações espontâneas, moldar-se ao que a sociedade considera conveniente são situações rotineiras na vida da população LGBT, permeada por pequenas ou escancaradas violências. Agora, com a criminalização da LGBTfobia pelo Supremo Tribunal Federal (STF) abre-se a possibilidade de denúncia formal destas agressões e penalização dos responsáveis.

Quando começamos a produzir este especial nossa intenção era reunir as várias opiniões de representantes da população LGBT em Londrina em uma grande matéria. Porém, depois das entrevistas feitas, entendemos que as formas de preconceito enfrentadas e o apagamento sofrido por cada grupo são tão específicos que precisavam ser abordados um a um. Começamos hoje, com a entrevista da atriz e produtora cultural Mel Campus, ativista dos direitos das travestis.

Todos os entrevistados concordam que a criminalização da LGBTfobia representa um avanço, porém, apontam problemáticas na questão de se criminalizar uma forma de pensar que é estrutural. Isto porque parte da sociedade discorda, inclusive o presidente Jair Bolsonaro, que classificou a decisão como “completamente equivocada“.

Para Mel, a criminalização vai possibilitar que a população transexual faça denúncias sem ser questionada. “Eu já sofri inúmeras violências que foram naturalizadas pelo fato de eu ser travesti”, relata. No entanto, ela receia que não exista um sistema de recepção para as denúncias, o que, na prática, inviabilizaria a transformação destas em processo.

A biomédica Luana Cossentini, uma das criadoras da Parada LGBT de Londrina, diz que a criminalização vem ao encontro dos anseios do grupo, mas que ainda falta muito entendimento dentre os próprios integrantes desta população.

“Tem muitos que acham isso uma bobagem. Eu, antes de entrar na organização da parada, não entendia preconceitos que eu mesma sofria. Hoje eu penso quanta coisa eu poderia ter feito e não fiz por não entender como crime ou não saber quanto poderia me afetar no futuro”, conta.

Políticas públicas
A criminalização da LGBTfobia ainda não é uma lei no Brasil. O STF agiu diante da morosidade do Congresso Nacional em legislar sobre o tema e equiparou o crime de violência contra esta população ao crime de racismo, punido com pena de um a cinco anos de reclusão. Vale lembrar, no entanto, que existem projetos na Câmara que buscam retroagir em direitos já conquistados, possibilitando, por exemplo, internação compulsória desta população.

Alex Gallo, psicólogo, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutor em violência de gênero, acredita que a criminalização é parte de um processo semelhante ao que já ocorreu no combate à violência contra a mulher.

Ele ressalta que há mais de duas décadas começou-se a pensar em políticas públicas de combate à violência de gênero, resultando na Lei Maria da Penha, aprovada em 2006. A partir daí, a mulher passou a ter a certeza de que sua denúncia se transformaria em um processo, porém, ainda enfrenta dificuldades na ponta, para fazer a denúncia.

Situação semelhante deve ser enfrentada pela população LGBT, no entanto, havendo a criminalização há um respaldo para se exigir medidas efetivas.

“A partir do momento que as pessoas passam a entender como uma violência dá para se pensar em políticas de acolhimento”, conclui.

Leia a primeira reportagem da série, com Mel campus.

Organizações sociais e de trabalhadores saem em defesa do arcebispo de Londrina

Nota repudia acusações de que Dom Geremias Steinmetz estaria promovendo a ideologia de esquerda na Igreja

Rede Lume de Jornalistas

Sindicatos de trabalhadores e organizações sociais reagiram ontem ao conteúdo de uma carta assinada por entidades patronais de Londrina com críticas ao arcebispo Dom Geremais Steinmetz. A carta, enviada no início do mês ao núncio Giovanni D’Aniello (representante do Vaticano no Brasil), denuncia o arcebispo por promover suposta “infiltração esquerdista” na Igreja local. A nota de repúdio das organizações sociais, publicada pela Folha de Londrina, classifica o documento como “um total desrespeito à postura evangélica da Arquidiocese de Londrina e principalmente ao seu pastor Dom Geremias”.

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MP afasta possibilidade de fechamento de unidades regionais da Defensoria Pública da União

Rede Lume de Jornalistas

Há cerca de dez dias noticiou-se a possibilidade de fechamento de toda as unidades regionais da Defensoria Pública da União (DPU) no Paraná, inclusive em Londrina. Umuarama, Cascavel e Foz do Iguaçu também estavam na lista das cidades que perderiam o atendimento. No entanto, uma Medida Provisória (MP) assinada hoje pelo presidente Jair Bolsonaro reverteu esta decisão.

O Poder Executivo havia requisitado 819 servidores do órgão (cerca de 2/3 da força de trabalho) para suas atividades de origem, mas, com a MP, suspendeu a medida até 2027. A decisão garante o funcionamento de todas as 43 unidades da DPU que seriam afetadas no interior do País.

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O fotógrafo das manifestações

Movimento de jovens contra o fascimo

Professor Ivo Ayres guarda acervo de movimentos de trabalhadores e moradores das periferias

Rede Lume de Jornalistas

Há mais ou menos cinco anos, o professor de história Ivo Ayres tornou-se o “registrador” da história dos movimentos sociais de Londrina e do Paraná. Onde houver manifestação, provavelmente ele estará. “Além registrar, é uma forma que eu encontrei de fortalecer o processo de resistência dos trabalhadores, da população mais pobre, que não tem espaço na mídia oficial”, afirma.

Ivo Ayres, professor da EJA

O professor da rede estadual trabalha com EJA (Educação de Jovens e Adultos), atividade que também resiste à falta de apoio dos governantes. “Fazemos um processo de resistência porque a EJA vem sendo atacada desde sempre pelos governos que a colocam em situação de inferioridade em relação à educação de forma geral”, diz ele que integra o Fórum Estadual da EJA.

Ivo Ayres começou a fotografar manifestações de professores das quais ele participava como membro da categoria. Postando as fotos no Facebook, começou a ser convidado para registrar outros movimentos. Hoje, nem precisa chamar. Sempre que os trabalhadores e estudantes se organizam por alguma causa, o professor vai junto com seu equipamento. Às vezes, quando o clima esquenta, em confrontos com a polícia, é preciso ficar esperto para não perder as melhores imagens. “A gente vai se protegendo como pode, fugindo das balas de borracha e fotografando”, conta.

Manifestação Ele Não em Londrina


Ele não tem ideia de quantas fotos tirou e guardou nesses cinco anos. Sabe que são três HDs lotados de imagens. “Se depois dessa reforma, eu conseguir me aposentar um dia, quero organizar esse material para divulgá-lo”, conta.


Clique aqui para acessar o Facebook do professor e ver as imagens.

O nome dela é Afrodite

Nelson Bortolin
Matéria originalmente publicada na Revista Carga Pesada

Nunca é tarde para mudar. A caminhoneira Afrodite, de 69 anos, só foi assumir sua transexualidade aos 66. Por realizar atividade dominada por homens, campo fértil para o machismo, ela vem ganhando visibilidade. Já estrelou peça publicitária da Shell Rimula, deu entrevistas à imprensa e foi homenageada em junho numa audiência pública em alusão ao Dia do Orgulho LGBT, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em Cuiabá, onde mora.

“Eu não sou caminhoneiro que virou caminhoneira. Sou caminhoneira que estava presa no corpo de um homem”, disse ela à Revista Carga Pesada. Desde pequena, Afrodite – registrada como Heraldo de Oliveira Araújo – estranhava seu corpo. Queria ser igual às meninas. “Conforme fui crescendo, ficou pior. Não podia deixar o cabelo crescer, não podia usar isso nem aquilo”, lembra.

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Precisamos falar sobre Direitos Humanos

*Por Paula Vicente, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina , e Rafael Colli, secretário

Em 17 de junho recebemos uma mensagem da Cecília França (uma das criadoras da Lume), queria saber se ainda estaríamos interessados em escrever uma coluna para o site – gritos de empolgação, pulinhos de felicidade, é claro que queremos uma coluna – fingimos costume e acertamos os detalhes, dali 15 dias teríamos de entregar a primeira.

Depois de passado o momento da empolgação veio a dúvida, sobre o que falar na nossa primeiríssima? Bom, talvez seja importante, primeiro, decidir um tema, um assunto que, de forma ou de outra, esteja sempre em nossos textos, algo que nos apaixone e que, ao mesmo tempo, seja importante para você que está lendo. Foi, então, que escolhemos os temas relacionados aos Direitos Humanos, suas violações e atualidade.

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